No meu último texto, discutimos como a tecnologia corre em progressão geométrica enquanto empresas e pessoas tentam acompanhar em ritmo linear. Mas, uma vez aceito esse descompasso, qual é o próximo movimento?
Se não podemos vencer a velocidade da máquina, precisamos dominar a arte de conectar o que ela produz.
Do Especialista ao Nexialista
Se antes o valor estava na retenção da informação, hoje ele reside na capacidade de síntese. O suporte tecnológico democratizou o acesso ao dado, mas criou um “ruído” informacional sem precedentes. É aqui que entra o Nexialismo.
Diferente do generalista (que sabe um pouco de tudo) ou do especialista (que sabe tudo de pouco), o nexialista é aquele que encontra o nexo. Ele é o tradutor que circula entre o legado estrutural da empresa e o potencial infinito da IA.
A tecnologia entrega a peça. O nexialista desenha o mosaico.
A ambidestria organizacional: o equilíbrio de Brinker
Retomando a Lei de Martec e a visão de Balestrin no livro “Inteligência artificial e o novo superciclo de inovação”, o grande desafio das lideranças em 2026 não é apenas “adotar IA”, mas sim gerenciar a ambidestria:
- Explotação: otimizar o presente, garantindo que a operação atual seja eficiente e estável.
- Exploração: experimentar o futuro, criando espaços seguros para o erro e para a inovação disruptiva.
O descompasso entre a tecnologia e as empresas muitas vezes ocorre porque tentamos aplicar a velocidade da “exploração” dentro de processos desenhados para a “explotação“.
O resultado?
Estresse cultural e resistência à mudança.
O novo repertório: criatividade e curadoria
Se a tecnologia entrega as peças, o nexialista usa a curadoria para escolher as melhores e a criatividade para conectá-las.
Em um ecossistema onde a colaboração e a coopetição (competição colaborativa) são as regras, a criatividade deixa de ser um lampejo individual para se tornar uma ferramenta de sistema.
Criatividade, neste contexto, é a capacidade de fazer as perguntas certas para o que já temos. O futuro não será sobre quem tem a melhor tecnologia, mas sobre quem desenha a melhor jornada entre ela e o propósito humano.
Conclusão: o humano no centro do nexo
Não vamos diminuir a velocidade da tecnologia. O que podemos (e devemos) fazer é aumentar a nossa capacidade de atribuir sentido.
Um exemplo prático dessa aplicação é a Microsoft. Ao abraçar a ambidestria, a companhia não abandonou seu “legado estrutural” (Explotação), mas o conectou ao “superciclo da IA” (Exploração) através de parcerias estratégicas e uma mudança cultural profunda (o growth mindset).
Os resultados desse equilíbrio são claros: ao final de 2025, a empresa consolidou sua posição entre as mais valiosas do mundo, com um crescimento robusto em sua divisão de nuvem e IA, que já representa mais de 40% de sua receita total, provando que o nexo entre o presente e o futuro é o que gera valor sustentável.
O talento que as empresas buscam hoje não é aquele que tenta correr lado a lado com o algoritmo, mas aquele que, com calma e visão sistêmica, decide para onde o algoritmo deve apontar.
O segredo para vencer o descompasso não é a pressa: é a profundidade da nossa conexão com o contexto.
Sua organização está mais focada em correr atrás da ferramenta ou em desenhar a jornada?
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Artigo publicado no portal Martinbehrend.com
























