Na manhã desta quinta-feira (30), a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro de Organizações Criminosas (DRLD/Deic), vinculada à Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco/Deic), deflagrou a Operação Indignus.
O objetivo é apurar a prática do crime de lavagem de dinheiro, tendo como infração penal antecedente o crime de furto qualificado mediante abuso de confiança.
Durante a ação, foram cumpridas quatro ordens judiciais: três mandados de busca e apreensão nas residências dos investigados, situadas em Porto Alegre e em Novo Hamburgo, e um mandado de busca e apreensão relacionado a um veículo adquirido por um dos alvos.
Foram apreendidos diversos documentos de interesse das investigações, aparelhos celulares, computadores e um automóvel. Dois bens imóveis foram indisponibilizados por ordem judicial, em atendimento à representação policial.
Segundo o Delegado de Polícia Max Otto Ritter, titular da DRLD/Deic, as investigações foram desencadeadas a partir de notitia criminis encaminhada pelas vítimas, advogados associados na Capital, apontando suposto desvio de valores de contas bancárias de renomado escritório de advocacia.
A conduta ilícita teria sido praticada por casal de advogados ex-funcionários, de Novo Hamburgo, que, aproveitando-se da função exclusiva de controle de movimentações bancárias do escritório, teriam causado um prejuízo de aproximadamente R$ 760 mil (setecentos e sessenta mil reais), em valores nominais (sem correção monetária). Os nomes dos investigados não foram divulgados pelos policiais.
As ações delituosas consistiram em efetuar transferências bancárias de recursos do escritório diretamente para contas bancárias dos alvos e de seus familiares. O principal investigado, ainda, operava mediante emissão de boletos, em que figurava de forma velada como beneficiário, realizando o pagamento por meio da conta e dos valores de propriedade das vítimas.
Com o proveito dos desvios, o casal manteve um padrão de gastos incompatível com os rendimentos que possuía e adquiriu diversos bens, os quais são objeto de medidas judiciais de indisponibilidade, visando à recomposição patrimonial das vítimas e à interrupção da circulação dos ativos ilícitos.
A partir das ações desencadeadas na manhã desta quinta-feira, serão realizados os interrogatórios dos alvos e a análise dos objetos apreendidos, a fim de se corroborar a materialidade delitiva e os indícios de autoria dos integrantes da associação criminosa investigada.
OAB/RS
A OAB/RS se manifestou sobre a ação da Polícia Civil:
“A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Rio Grande do Sul (OAB/RS) informa que tomou conhecimento, nesta quinta-feira (30/10), das investigações envolvendo um casal de advogados suspeito de desvio de valores em Porto Alegre.
A Ordem acompanhará o caso e adotará as medidas cabíveis após a conclusão das apurações conduzidas pelas autoridades competentes.
A OAB/RS reitera seu compromisso com a ética, a transparência e a responsabilidade no exercício da advocacia, bem como com o respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório em qualquer situação que envolva profissionais da classe.”

























