Como Darwin ensinou, a evolução não é apenas um processo biológico, mas
também uma metáfora potente para nossa adaptação pessoal e intelectual.
Assim como as espécies sobrevivem ao se ajustarem ao ambiente, também
prosperamos quando nos reinventamos frente
aos desafios de um mundo incerto.
Desafiar o óbvio é uma das formas mais eficientes em promover nossa
permanente adaptação. O óbvio, frequentemente subestimado, representa
aquilo que
parece claro e evidente, mas que muitas vezes passa despercebido devido à rotina ou à familiaridade excessiva.
É justamente ao desafiar o óbvio que se abre espaço para a inovação com uma compreensão mais profunda dos fenômenos ao nosso redor. Questionar o que parece inquestionável nos permite enxergar
novas possibilidades, ampliando o horizonte de nossa autoaprendizagem.
Ser inquieto traduz estes conceitos. O inquieto é aquele que
desafia o óbvio todo o tempo. Ele tem a capacidade de se manter com o
seguinte questionamento:
– Por que esta situação funciona desta maneira? Por quê? Por quê? Por quê? Por quê?
Observação: esta é a técnica dos 5 porquês criada em 1930 por
Sakichi Toyoda, fundador das indústrias Toyota. Ela auxilia na
descoberta da “causa-raiz” dos problemas. Acredito que as crianças a
conhecem muito bem!!!
Com o perdão da palavra: o excesso de controle exercido em várias fases
de nossa vida diminuiu sobremaneira a nossa capacidade de questionar, de
ousar, de criar, de enxergar além da superfície. Em uma época como a
nossa é como deixar o corpo sem cabeça: não
é coisa de lenda!
Não acredito que o potencial humano tenha sido criado para que ele se torne “zumbi” de ideias ou tecnologias.
Mas, infelizmente, os mecanismos cerebrais estão sendo utilizados por terceiros para criar uma massa de “não-pensantes”. E o pior: com a
permissão declarada de cada um.
Por isso, é preciso dar um basta permanente neste contexto e eleger a autonomia (capacidade de escolha madura e consciente) como a
competência número um no podium das conquistas humanas.
Somos pensantes. Precisamos nos revoltar com nossas escolhas de
caminhos facilitadores a cada situação e que poupam energia cerebral.
Energia é para ser investida em algo útil a nós e ao mundo.
Conversa chata
Entretanto, percebo diariamente a acomodação a rotinas “inquestionáveis”. Quem disse que tinha que ser assim?
– Alguém. O líder, o dono, a esposa, o marido, o amigo, a amiga, seja quem for.
– Entendi. Isso foi há quanto tempo?
– Há uns 30 anos. É regra aqui nesta firma.
– Posso lhe perguntar algo diferente?
– Claro. Desde que não questione o que sempre funcionou.
– Entendi. Aí vai a pergunta: o contexto do mundo é o mesmo de 30 anos atrás?
– Claro que não. O que você quer dizer com isso?
– Posso perguntar novamente?
– Claro. Pergunta logo. É muita pergunta!
– O que você pensa sobre ter regras de um mundo antigo em um contexto avançado?
– É um contrassenso. Eu diria que é uma burrice.
– Sério?! E o que aprendemos nesta conversa?
– Pode parar! Você pergunta demais. É um chato!
Questionar a forma como pensamos é uma chatice. Talvez porque nos obriga
a sair da nossa zona de conforto, deixando de lado o que é conveniente e
previsível.
O óbvio é cômodo, quentinho e está sempre em paz: parece neném na barriga da mamãe!
É possível desafiar o óbvio de forma prática?
Sem dúvida. Vou sugerir cinco técnicas que podem ajudá-lo nesse desafio:
-
Reformule perguntas: ao invés de aceitar a primeira solução ou
ideia como definitiva, tente reformular a questão inicial. Perguntar
“como isso pode ser diferente?” ou “e se olharmos por outra
perspectiva?” pode abrir caminhos inesperados. -
Use o método
dos 4: aplicar uma abordagem estruturada para
autoaprendizagem, como o método dos 4, pode expandir sua visão e
incentivar a exploração de ideias fora do convencional. -
Pratique a inversão: imagine o oposto do que você considera
óbvio. Por exemplo, se uma solução parece inevitável, pense no que
aconteceria se ela fosse descartada. Essa técnica pode revelar
abordagens alternativas. -
Desafie suposições: sempre que enfrentar um problema, liste suas
suposições sobre ele. Em seguida, questione cada uma delas. Você pode
descobrir que algumas são infundadas ou limitadoras. -
Busque inspiração em outras áreas: explore disciplinas ou setores
diferentes do seu habitual. Muitas vezes, ideias inovadoras surgem ao
combinar conceitos de campos distintos.
Lembre-se: ousar e ser inquieto é antes de tudo uma postura.
Uma atitude que dá asas a desafios, descobertas, experimentos, inovações maiores e com um valor inestimável.
Não basta se adaptar. É preciso ir além: criando perspectivas e contextos originais.
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Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br
Complemento do artigo com César Silva:
























