Nos dias
atuais, resposta difícil. Quem faz hoje o papel daquele profissional que
atendia a gravidez da futura mãe, fazia o parto, passava a dar atenção ao nenê,
acalmava o pai aflito e xingava a sogra metida? Era o mesmo cara que atenuava o
reumatismo da vovó, dava um xarope para o pigarro do vovô, operava a apendicite
do tio e engessava o braço quebrado do primo.
O perfil
profissional e físico não variava, buscava-se apenas uma ponta de simpatia por
este ou aquele nome. Que podia ser Schinke, Schmitz, Metzler, Eugênio, Casemiro
ou Leo, não importava. O que importava era que a saúde da nossa família estava
sob o manto protetor de um anjo da guarda. Que tinha nome e era sempre o mesmo.
Veja-se o meu caso.
Minha
família, núcleo básico composto de pai, mãe, quatro filhos e outros componentes
naturais, já passou por um tal número de
médicos que será curioso e divertido enumerar-lhes as especialidades, a saber:
clínico geral, ginecologista, obstetra, pediatra, anestesista, ortopedista,
otorrinolaringologista (poxa!), oftalmologista, traumatologista,
endocrinologista, urologista, nefrologista, proctologista, neurologista,
psicanalista, radiologista, dermatologista, angiologista, cardiologista,
cirurgião geral, e vem vindo aí o geriatra, entre os que me ocorrem. E que
fique aqui bem claro que sempre fomos atenciosamente, exemplarmente,
maravilhosamente bem atendidos por todos e pretendemos continuar seus clientes
sempre que necessitarmos sua atenção, seus serviços. Infelizmente, porém, não é
mais possível responder a pergunta do título. Porque na medicina moderna, todos são um!
Na verdade,
romantismo a parte, a evolução dos fatores econômicos trouxe a
“socialização” e consequente
mercantilização do atendimento médico. Teoricamente é um atendimento em massa,
atendimento feito por profissionais com vários empregos, mudam os plantões, o
médico que atendeu a tosse de ontem não é o mesmo que vai avaliar a febre de
hoje. Resta então uma ficha e uma história contada.
Em todo
caso, são o alívio, o consolo, a esperança. É o penúltimo estágio antes da
cibernética, do cartão magnético, do futuro da medicina totalmente
informatizada, quando junto a um corpo seguirá um cartão e o atendimento e
diagnóstico será feito por um computador que receitará e possivelmente até irá
curar aquele organismo.
Em todo
caso, está cada vez mais difícil responder quem é o médico da sua família.

























