Na década de 1980, era normal eu circular pela periferia de
Novo Hamburgo acompanhado de minha mãe. Lembro bem de visitarmos uma casinha de
madeira no bairro Santo Afonso, ocupada por uma senhora da idade. Ela tinha
câncer e estava recebendo suporte gratuito da Liga Feminina de Combate ao
Câncer. Fomos levar um rancho para esta mulher. Entramos e conversamos. Eu
achava muito estranho aquela senhora sem cabelo, com um pano enrolado na
cabeça. Não entendia muito bem tudo aquilo, tinha menos de dez anos. Só sei que a
minha mãe estava usando um tempo generoso para ajudar aquela cidadã.
O trabalho da Liga é de uma generosidade a perder de vista.
A entidade abraça há mais de 33 aos homens e mulheres de baixa renda que estão
com câncer e não encontram acolhimento adequado no sistema público de saúde. A
Liga é a esperança. São tratamentos e exames gratuitos, assistência médica e
psicológica, remédios e alimentos repassados a partir de doações e do
voluntariado. Centenas de vidas foram salvas pelo gesto de estender as mãos da
Liga.
Cresci dentro do ambiente de solidariedade da Liga Feminina
de Combate ao Câncer. São mais de 30 anos participando de pedágios, palestras,
bailes da Glamour – fui corrimão, presidente do júri e mestre de cerimônias –,
Bingo da Liga, camiseta da Liga (eu e minha mãe fomos fotografados pela Juliana
de Jesus), Chá da Glamour, Brechó da Liga, Feijoada da Liga, integrante do
Conselho Deliberativo, entre tantos outros eventos e promoções – além de várias
reportagens.
Ao retornar de férias, tinha uma correspondência da Liga no
meu apartamento. Abri. Dentro, um Certificado de “Parceiro Amigo” da Liga assinado pela presidente Maria Regina Strack Dau. Veio
um calafrio de emoção. É um reconhecimento muito modesto, mas que conforta e
anima. Enquanto tiver forças, seguirei ajudando a Liga e, principalmente,
auxiliando seus pacientes. É uma das mais bonitas lições que aprendi com minha
mãe.

























