Sempre fui uma defensora de que as pessoas são o que aprendem,
desde as suas primeiras lembranças. A base onde se aprende o que é moral e
imoral, legal e ilegal, permitido e proibido, obrigações e deveres, normalmente
é em casa, com a família. Mas é nas relações da sociedade que estas definições
ficam mais claras, ou se deturpam de vez.
Numa sociedade democrática, todos os poderes (Executivo,
Legislativo e Judiciário) estão formalmente constituídos. Seja qual for o
tamanho da cidade ou distrito. Esses três poderes têm a obrigação de zelar para
que o imoral e o ilegal não passem impunes.
Mas quando se vive numa sociedade onde todos sabem que algo
é ilegal, mas que é feito por muitos, escancaradamente, sempre e todo o dia, e
que é praticamente impossível que o Poder Público não saiba, aquele ato perde o
“i” do ilegal. E assim fica “legal” por
“jurisprudência popular” do tribunal
imaginário dos usos e costumes.
Os filhos que nascem neste contexto, já aprendem assim, e
qualquer coisa diferente é que é anormal. É assim que vejo a nossa sociedade. Com
os valores errados.
De repente, alguém resolve começar a aplicar a lei. E
começam a aparecer coisas que muitos sabiam, mas que durante muito tempo não
era considerado crime! Simplesmente porque o “i” desapareceu, porque ninguém
controlava nada. Por que agora mudou tudo? É exatamente assim que o Lula, por
exemplo, se comporta: “Como assim? Sou o cara mais honesto do Brasil!”
Por que deixamos tudo ir tão longe a ponto de se perderem os
“is”? Onde foi, e por que agora se acendeu
a centelha da moralidade? Mudou o Judiciário?
Porque o Executivo e o Legislativo já são, em grande parte, causa e consequência
de uma sociedade sem “is”.
Nessa nova realidade – penso que estamos entrando numa nova
realidade – como fazer a nossa parte, colocando alguns “is” novamente no seu
lugar? Nossos filhos e netos são também constantemente corrompidos por nós
mesmos? Ou seja, na idade certa: se
guardares tuas roupas, te dou um presente! Se arrumares a cama, também! Não
deveria ser assim, guardar a roupa e arrumar a cama é obrigação de todos para
que toda a família viva num lugar ordenado. Assim como é obrigação do Poder Público
manter a cidade ordenada.
Ir bem na escola também é obrigação! Ir super bem na
escola poderia ser premiado. Talvez aí se possa começar a plantar alguns novos
velhos costumes e valores.

























