Desde
que acompanho futebol como torcedor, muito antes de trabalhar diretamente com o
jornalismo esportivo, eu escutava, lia e assistia que o Campeonato Gaúcho era
apenas uma competição para os times do interior viajar até a Capital e jogar
contra os grandes e quando jogavam em casa, aproveitar para encher os cofres.
Tenho certeza, a cada edição do campeonato que passa, que essa lógica não é
mais correta, muito pelo contrário.
As equipes de maior expressão não conseguem
mais atingir o domínio pleno sobre seus adversários. Claro que a superioridade
em títulos desbanca um pouco essas afirmações, mas, principalmente a edição
2017 do Gauchão está provando isso. O Novo Hamburgo fez uma campanha
excepcional, não perdeu para Inter e Grêmio. Caxias também não perdeu para
colorados e gremistas e o São José, se não fosse a interferência da arbitragem,
poderia ter tido sorte melhor contra os gigantes da capital.
Estes
três casos são apenas alguns dos muitos fatores que mostram que o Campeonato
Gaúcho possui uma importância para o futebol dos grandes, e muito mais, para os
times do interior. Grêmio na quarta colocação e Inter na sétima, para muitos,
poderia ser explicado apenas pelo fraco desempenho de ambos, com 31 pontos
conquistados em 60 possíveis, porém não podemos realizar apenas esse
julgamento. Nas outras dez equipes que entraram em campo, existem profissionais
de grande qualidade, que se prepararam para realizar essas campanhas
satisfatórias, enfrentando equipes até então superiores, com o mesmo nível de
futebol jogado dentro das quatro linhas.
Novo
Hamburgo, Cruzeiro e Caxias, os três primeiros colocados na fase de
classificação, são exemplos de equipes que responsavelmente cuidaram da questão
financeira e investiram pontualmente para chegar ao fim da primeira fase na
frente de outras equipes. Como o futebol é um jogo e não uma ciência exata e
nem sempre a melhor equipe sai vencedora ao final de 90 minutos, essas equipes
podem ficar pelo caminho antes de chegar a final, mas muito bem podem estar
decidindo a competição entre elas.
A partir de agora, é necessário que as arbitragens, mesmo sendo passíveis de
equívocos, sejam corretas e sem qualquer tipo de influência ou pressão por
parte de declarações de dirigentes.
Todos
nós, amantes do futebol, mas principalmente do futebol gaúcho, do interior do
Rio Grande, queremos que a melhor equipe, com o futebol mais bem jogado, com
qualidade dentro de campo, seja o merecido campeão.

























