É os dois! Uma chegada quando se abre o negócio ou se avança a patamares nunca atingidos e, ao mesmo tempo, uma jornada que exige fôlego, vontade, persistência, tolerância e firmeza de propósito.
A história e as estatísticas reafirmam esse pressuposto. O ímpeto de empreender não deve se misturar com a capacidade empreendedora. Essa sim, tem alicerces firmados em conhecimentos, experiências, senso de oportunidade real com muita, mas muita inteligência emocional.
A pesquisa GEM (Global Entrepeneurship Monitor) Brasil de 2018 é muito clara. O conjunto técnico que suporta a pesquisa é altamente qualificado e com abrangência mundial. A população pesquisada abarca desde o mais simples empreendedor até os negócios inovadores: de alto valor agregado.
A primeira pesquisa realizada foi em 1999. De lá para cá temos alguns números interessantes. Em 2002 somente 20,9% da população economicamente ativa, de 18 a 64 anos empreendia. Hoje são 38%. São 51,9 milhões de pessoas envolvidas com o empreendedorismo!
A pesquisa também relata a prioridade dos sonhos dos brasileiros. Lembrando que foi uma pergunta de múltipla resposta e com ordem de importância. Em primeiro lugar: 49% dos pesquisados sonha em ter a casa própria.
Em segundo lugar, com 45%, o sonho é viajar pelo Brasil. Em terceiro lugar, com 34%, a compra de um automóvel. E em quarto lugar, com 33%, o sonho em ter o próprio negócio. Em contraponto a esse índice, somente 19% sonham em fazer carreira em uma empresa.
Importante salientar um detalhe: em 2012, 43,5% sonhavam em ter um negócio. Uma queda de 10% no índice total. O que ocorreu nesse período? Crise, modelo de governo, oportunidade, acomodação? Deixo a reflexão para cada um de nós!
FRACASSO
Apesar de 56% terem medo de fracassar, a pesquisa demonstra que esse dado não os impede de abrir um negócio próprio. Os mesmos 56% também afirmaram que tem conhecimento, habilidade e experiência para abrir um negócio.
Apesar da mentalidade fixa de muitos e do foco ainda ser o empreendedorismo de sobrevivência, esse dado reforça a preparação técnica e pessoal necessária. O aprendizado com o fracasso é uma realidade, assim como, a educação com casos de sucessos expostos de diversas formas nas redes sociais e no mundo digital.
Além de cursos on-line, palestras virtuais, palestras gratuitas presenciais, eventos de empreendedorismo, livros e outras formas de aprendizado difundidas aos milhares todos os dias. Não faltam informações Conselhos! Caminhos!
O professor Dashun Wang da Kellogg School of Management afirma: o fracasso é devastador e ao mesmo tempo pode alimentar as pessoas. Ele desenvolve uma série de pesquisas nesse sentido.
Finalmente temos dados estatísticos e científicos estudando as tentativas construtivas! O preconceito do erro está com os dias contados!
CONTRAPONTO
Uma informação que a pesquisa revela vem na contramão da afirmação de muitos “pitaqueiros” de plantão. O número de empresas com mais de três anos e meio de atividade cresceu de 2002 a 2018. O percentual era de 7,8% em 2002 e atingindo 20,2% em 2018.
Apesar de várias notícias negativas sobre a vida e morte das empresas, proporcionalmente, cresceu em três vezes a sua taxa de sobrevivência no mercado em 16 anos.
Essa informação é reforçada pelo fato de que em 2002 somente 42,4% dos empreendedores iniciantes o faziam por oportunidade. Já em 2018 esse número sobre para 61,8%. Uma dedução para lá de incentivadora:
As pessoas estão se preparando mais, estudando mais, planejamento mais e com mais assertividade e valor. A perpetuação tem aumentado!
Ao contrário de muitos que afirmam que a inovação e as novas tecnologias irão quebrar as empresas, a realidade é que ela tem ajudado e o empreendedor está muito mais preparado do que há 16 anos atrás.
Esse fato não descarta as tecnologias vindouras, que não foram objeto da pesquisa, mas serão em breve. A grande questão é se fecharão ou abrirão mais negócios. Quer apostar?
IDADES E POSSIBILIDADES
É muito interessante perceber a idade dos empreendedores. Estamos diante de uma nova geração empreendedora. Aqueles com 25 a 54 anos são 51,8% desse total. Sendo que 7% tem idade entre 55 a 64 anos.
A famosa idade dos 60+ em plena atividade. A tendência é de grande aumento de negócios nessa população, somada aos mais jovens. Me parece que o espírito empreendedor não tem idade, tem mentalidade e atitude!
Adoro a expectativa que esse futuro de possibilidades proporciona!
O brasileiro por natureza é resolvedor de problemas e implementador de soluções. A vocação empreendedora é natural em função da condição econômica, mas, principalmente em função da criatividade, nosso novo Pau Brasil! Quanto maior uso, maior aplicação! Quem é brasileiro sabe: haja jogo de cintura!
Cabe a nós não permitirmos que sejam exportados talentos em formato bruto e sim com valor agregado. Nosso papel como sociedade nesse contexto é trabalhar com o foco de gerar essas possibilidades com retornos locais e vistas globais.
As pessoas formadas com recursos públicos precisam ajudar primeiro a quem proporcionou a sua formação: o seu país! Nós! Pagantes de impostos!
Saúdo os que fazem isso naturalmente e de coração, sendo de origem das escolas e universidades privadas ou públicas! Meu respeito!
Entender que o empreendedorismo é uma jornada, favorece e fortalece a estratégica empreendedora focada na inovação, seja no campo privado ou público. Da mesma forma as chegadas: com as entregas, os resultados e as disrupções.
Minha saudação aos empreendedores! Às suas equipes, da mesma forma, empreendedoras internas dessa jornada! Siga seu perfil, siga seu coração, e lembre-se: não basta só pulsar! É necessário transpirar com conhecimento, inteligência e atitude!
César Silva é Escritor, Empreendedor e Mentor de Negócios PMBM®.
Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br. Artigo opinativo com reflexão e sem fronteiras!
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