A minha paixão pelo esporte, principalmente o futebol, não
tem a ver só com a minha formação em jornalista, muito pelo contrário, foi o
esporte que me fez decidir pela carreira na comunicação. E tudo começou perto
da casa dos meus pais. No antigo Estádio dos Eucaliptos, hoje Sady Schmidt.
Minha infância como torcedor do 15 de Novembro me garantiu uma simpatia – para
não dizer paixão – pelo futebol do interior que segue viva mesmo o 15 estando
com suas atividades paradas. Pois bem, notícias a cada dia me deixam preocupado
com o futuro do futebol do interior.
As dificuldades financeiras dos clubes não são novidade para
ninguém, mas muitos dirigentes guerreiros se esforçam e conseguem promover
futebol e garantir a alegria aos domingos à tarde para seus torcedores fieis.
Pois não é que a entidade que mais deveria fortalecer todos esses esforços e
contribuir para o desenvolvimento do futebol no interior do estado parece ser a
maior inimiga dos clubes? Sim, falo da Federação Gaúcha de Futebol. Não vejo
esforço da turma de Francisco Noveletto para que o interior seja
alavancado, competitivo e o principal, sustentável.
A última notícia é que a proposta da Rede Globo para a
transmissão do Campeonato Gaúcho de 2017 foi de redução de 50% da cota dos
clubes do interior e aumento nos valores da dupla Gre-Nal. Como assim? Aumento
para a dupla de Porto Alegre que possui receitas milionárias e redução para os
clubes que mais precisam destes valores. Não posso acreditar que o mandatário –
ou ditador – do futebol gaúcho e os clubes irão aceitar tal proposta. Será
mesmo que os clubes precisam da TV para que o campeonato exista? Se as
dificuldades já são enormes e mesmo assim o futebol acontece, que “batam o pé”
e não aceitem tal absurdo.
Chegou a hora de união no interior. Chegou a hora de mostrar
que os clubes podem ser maiores que uma emissora de TV. Esperar cooperação de
Grêmio e Inter é improvável, afinal não estão nem um pouco preocupados com
nossos clubes. Juntem-se, rebelem-se, firmem posição e garantam a dignidade de
seus clubes e suas torcidas. Tenho convicção que um futebol sem o dinheiro da
TV seja fraco tecnicamente, mas será muito mais coração. E com certeza, seria
uma nova era e uma nova forma de pensar no futuro de nossos clubes.

























