Várias
pesquisas no Brasil e mundo a fora retratam uma realidade importante:
25% das startups morrem em até um ano; 50% em um tempo médio de quatro anos;
75%, pelo menos, morre em média até os 13 anos.
Em estudo feito pela Fundação Dom Cabral, por Vanessa Nogueira e Carlos Arruda, são utilizadas referências importantes nesse sentido. Artigo publicado na Harvard Business Review, em 2016, reforça a posição dos estudiosos brasileiros.
Uma
das questões abordadas diz respeito a gestão: a dificuldade em corrigir
o curso durante a escalada de crescimento exponencial e a dificuldade
de uma estrutura eficiente que proponha suporte, nada mais nada menos do
que a governança corporativa.
Em pesquisa realizada
pelo IBGE, com as micro e pequenas empresas no Brasil em 2016, os
resultados são muito parecidos com as estatísticas das startups: uma em cada 4 empresas criadas a partir de 2011 não ultrapassaram o primeiro ano de vida.
Em artigo de Alexandra Caetano que
analisa a sobrevivências das micro e pequenas empresas no Brasil,
novamente uma informação similar, com base no IBGE: 80 % das micro e
pequenas empresas desaparecem antes de completar um ano e 60% das
empresas fecham com menos de 5 anos.
O que está acontecendo? Há algo em comum entre as startups e as micro e pequenas empresas?
Certamente! São CNPJs com
atuações diferentes, mas começam como micro e pequenas empresas.
Separar o mercado entre tradicional e inovador não me parece ter nenhum
fundamento, a não ser cultural.
As
regras são as mesmas para as empresas com determinadas leis que ajudam e
atrapalham. O mercado brasileiro é um só e as relações planificadas no
mundo valem para todos. Já a maturidade do empreendedor e do mercado…
Acompanho
micro e pequenas empresas há 20 anos e, agora startups, e percebo muita
similaridade e muito brilho desnecessário. Em suma, como nos ensina
Peter Drucker, pai da administração moderna: o objetivo principal de uma
organização é criar e manter clientes.
Há
muito assunto requentado por aí e a necessidade de estudo aprofundado,
com pesquisas, referências e experiências, é fundamental. Há muito amadorismo e jogo de confete e pouco profissionalismo e resultados palpáveis.
Empreender
no Brasil e em qualquer lugar do mundo tem grandes dificuldades, bem
menores nestes dias. Há muito mais ferramentas, informação e apoio para
alguém começar o seu negócio.
O
risco de um novo negócio é igualmente compartilhado em qualquer lugar. A
diferença é a atuação e o mercado. Um dos artigos mais icônicos, que
data de 1960, Miopia de Marketing, não pode ser mais atual!
Parece
que o brilho e a poeira de tanta informação, levou junto a capacidade
de análise e reflexão, fundamental aos dias de hoje.
É
fato: se a empresa ou organização não tiver recursos, gestão, um
propósito que agregue, não há fórmula mágica que resolva seu problema. É
preciso ter resultados, relevância, utilidade e propósito.
E
como afirma o velho e atual mestre Theodore Levitt: dentro da
organização só existem custos, os resultados encontram-se fora da
organização e decorrem de clientes satisfeitos.
Muitos
podem pensar que as metodologias ágeis, marketing digital e tecnologia
resolvem todos os problemas. Respeito, mas não concordo. Se o fulcro, o
propósito, os princípios, as ideias e a capacidade de gerar bons
negócios não estiver desde a origem, que se construa no caminho. E
muitos se perdem!
Mas
não podemos esquecer que a boa e atual governança corporativa tem suas
práticas válidas. Duas questões levantadas na pesquisa das Harvard
Business Review que escuto muito no mercado:
1- A burocracia ameaça o espírito empreendedor;
2- Perderemos a velocidade;
3- A camaradagem interna fica prejudicada;
Só
posso concluir que muitos que falam, escrevem e dizem que sabem de
gestão, não entendem mais do que eu quando falo sobre a Lua.
O
empreendedorismo é sim um caminho importante ao Brasil e precisamos
estimulá-lo, pois temos criatividade, flexibilidade e adaptabilidade
sobrando, depois de tantos altos e baixos que passamos.
Mas
não a qualquer preço, a custo de aventuras revolucionárias, que, de
evolutivas tem muito pouco. Os números e a história comprovam isso. É um
percentual muito pequeno que chega às alturas, e, como o barulho hoje é
grande, parece que todo um sistema funciona maravilhosamente bem.
Em
realidade, quem precisa estar bem, qualificado e empoderado é o
empreendedor, que no final, é quem segura o piano! Continua…
César Silva é Escritor, Palestrante, Professor, Consultor e Mentor de Negócios PMBM®
Artigo publicado no portal Martin Behrend.com.br. Artigo opinativo com reflexão e sem barreiras!
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