“C’é nessuno?” Gritava a única molécula de sódio que tinha
na garrafa de água mineral, como dizia na propaganda italiana da marca. “C’é
nessuno?” E como num eco que vinha da montanha, ela ouvia resposta: “Nessuno, nessuno,
suno, uno”.
E assim, aquela molécula em forma de gotinha, andava de cima
para baixo, pro lado direito e esquerdo, procurando uma igual. Posso imaginar
que, se ela encontrasse uma igual, quantas brincadeiras fariam. Cada curva da
garrafa iriam fazer de escorregador. E
no fundo, com aquelas protuberâncias, poderiam brincar de casinha, ou de se
esconder uma da outra, e ser aquela alegria quando se encontrassem de novo.
Como duas crianças, poderiam mergulhar lá do alto e ver quem
chegasse primeiro ao fundo, ou simplesmente nadar, fazendo bolhinhas, barulhinhos.
Ou se matar de rir das cosquinhas das bolinhas de efervescência do gás.
Mas não tinha nenhuma, e portanto ali estava ela sozinha no
seu inteiro mundo de dois litros de água, andando desesperada, numa procura
incessante de companhia para brincar, antes de ser engolida. Naturalmente, água
com pouco teor de sódio, é melhor para saúde das pessoas.
E de repente…
PUFF… Alguém sacudiu a garrafa e a abriu… E a molécula, impelida pelo gás, se foi para
natureza em forma de vapor. Com certeza está agora, feliz, brincando com seus
primos Cloretos e Bicarbonatos na imensa natureza!
























