Confesso que nunca fui
uma pessoa preocupada com minha própria segurança. Talvez tal imprudência se
deva ao fato de que nunca tenha sido assaltado e nem me recordar de alguém
próximo que tenha enfrentado alguma situação alarmante. Entretanto, nestes
últimos meses, fui obrigado a alterar este meu comportamento negligente. Tenho
total compreensão de que faço parte de uma minoria de sorte, um seleto grupo de
afortunados que ainda não passaram por esta etapa mandatória na vida de um
cidadão brasileiro. Entendo também que esta despreocupação minha é antagônica à
realidade nas ruas, especialmente neste momento enquanto o crime circunda o Rio
Grande do Sul com uma naturalidade assustadora, quase como adquirindo uma
designação de nova profissão.
Há alguns anos,
assistíamos à distancia enquanto as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) adentravam
as favelas cariocas em um esforço para conter a criminalidade no Rio de Janeiro.
Foi nitidamente uma tarefa pontual e preparatória
para a copa do mundo, um empreendimento que visava melhorar a impressão do país
em um momento que antecedia as eleições presidenciais. Naquele ano de 2013, eu
visitava o Rio com frequência, pois meu escopo de trabalho abrangia uma fábrica
em Duque de Caxias, na baixada fluminense. Admito que era notável a sensação de
segurança transmitida pelo efetivo das UPPs nas ruas, as quais faziam questão
de estacionar seus veículos militares bem na linha de visão dos motoristas que
trafegavam nas rodovias da cidade.
Entretanto, ao cruzar
as fronteiras entre a capital e a periferia, esta impressão confortante de
proteção reduzia consideravelmente. E de fato, as estatísticas também acusavam
tal mudança. A profissão de assaltante ou traficante não haviam se extinguido,
mas sim migrado para os entornos da capital devido as circunstancias de
mercado. A pacificação das favelas do Rio de Janeiro havia empurrado à
criminalidade para fora do Rio de Janeiro, e aumentando ainda mais a violência
na baixada fluminense.
Porto Alegre está hoje
em processo de ser pacificada, e eu temo por Novo Hamburgo nos meses porvir. A
crise na segurança publica obrigou o atual governo a recorrer à força nacional
de segurança publica, e, desde terça-feira, aproximadamente 150 soldados começaram
a tarefa de servir como um remédio paliativo necessário, visando atenuar uma
situação que vem crescendo geometricamente nas ultima semanas. Como morador de
uma cidade do ABC Porto-Alegrense, fico
receoso quanto aos reflexos indesejáveis que esta ação podem alavancar em nossa
cidade.
Entendo que a
metodologia de contenção ao crime aplicado pela Força Nacional irá, invariavelmente,
criar uma repercussão similar ao das UPPs cariocas no que tange o êxodo da
criminalidade. E Novo Hamburgo é um sério candidato a receber estes postos de
“trabalho” emigrados da capital.
Não é característica
minha profetizar o apocalipse, mas entendo que o cobertor curto da segurança
pública pode estar destapando nossa cidade. Em um município nitidamente já assolado
pela violência, figurando em uma pesquisa da RBS como o segundo com o maior
número de roubo de carros e oitavo em assassinatos, não podemos acolher mais
criminosos desempregados. Entretanto, a nossa localização geográfica próxima da
capital e a alta renda per capita pode ser um atrativo para a marginalidade à procura de novos mercados. Da mesma forma que mudarei meu comportamento
descuidado e imprudente nestes próximos meses, sugiro uma atenção especial de
todos meus conterrâneos que quero bem.

























