Foi um dos maiores acontecimentos políticos da história de
Novo Hamburgo. Em 12 de outubro de 1929 (sábado), o então presidente (governador)
do Estado e candidato à presidência da República, Getúlio Vargas, veio
discursar no município. Houve mobilização raramente vista na comunidade
hamburguense, com a programação sendo divulgada no jornal O 5 de
Abril nas edições de 4 de outubro e 11 de outubro de 1929. Inclusive, a edição de 11 de outubro trouxe na capa uma foto de Getúlio Vargas e, internamente, ampla divulgação com o horário da chegada do trem que traria o político.
A visita de Vargas foi articulada pelo prefeito
hamburguense à época, Leopoldo Petry. A comunidade foi convidada a enfeitar as
residências por onde o grupo passaria. Foi realizada uma exposição industrial
para demonstrar a Vargas a pujança da economia de Novo Hamburgo – emancipada dois
anos antes de São Leopoldo. A repercussão da visita ocorreu no jornal O 5 de
Abril edições de 18 e 25 de outubro, e 1º, 8 e 15 de novembro.
Às 13h30 de 12 de setembro de 1929, a locomotiva trazendo
Getúlio Vargas num dos vagões disparou um silvo longo. Um grupo de
hamburguenses escoltava o trem com seus automóveis. Banda, foguetório, corais e outras atrações
deram traços marcantes e festivos à ilustre visita. Assim que desembarcou na
estação, Vargas e seus seguidores foram até a antiga Prefeitura, localizada na
Avenida Pedro Adams Filho. Mesmo com a alta temperatura – 33 graus à sombra –
centenas de pessoas acompanharam a movimentação. Vargas foi convidado a provar
drinques de Margarethe Grothe, como o “Cognac de Ovo” e “Magenbitter”. Além disso, recebeu diversos presentes frutos da produção local.
Confira a seguir trechos da manifestação de Getúlio Vargas
ao povo de Novo Hamburgo (grafia original da época):
“O que acabo de presenciar, na diversidade dos artigos, bem
evidencia a operosidade dos que concorrem a este certame, improvisado pela
inspiração do vosso digno intendente municipal. Realmente, ele bem significa,
quanto vale o labor honesto da população de Novo Hamburgo, como reflexo do seu
progresso material.”
“E isso que venho de presenciar na variedade de aptidões, na
capacidade de trabalho e de organização da poderosa raça germânica, da qual
descende a maioria da população deste municipio.”
“Há mais de cem annos, nesta localidade onde se agita, hoje a febril actividade industrial de Novo Hamburgo, não existiam mais do que florestas intransponiveis e seranias alcantiladas, habitadas pelos incolas de outrora. Vieram as primeiras levas de homens de raça loura, que araram a terra, aspergiram a semente fructificadora, na terra uberrima e transformaram-na num exhuberante centro agricola. Avançou depois, a população, transformando a agricultura em industria.”
“Realmente este municipio que é um dos menores do Estado,
tendo apenas uma área de 65 kilometros quadrados de extensão, uma população não
superior a dez mil habitantes, tem uma densidade demográfica de 158 habitantes
por kilometro quadrado, ficando portanto equiparado a vários paizes europeus de
velha civilisação.”
“Nota-se ordem por toda a parte, o que denuncia: a harmonia
existe entre patrões e subordinados. O que venho de verificar, si não a união
completa, pelo menos um entendimento reciproco, é a prova de tolerância dos
superiores para com os subordinados.”
Após assumir o governo do Rio Grande do Sul em 25 de janeiro
de 1928, Vargas já mirava a presidência. O foco era 1º de março de 1930, quando
haveria eleições. A vinda a Novo Hamburgo já fazia parte da mobilização. Mas
quem venceu o pleito foi Júlio Prestes. A posse seria em 15 de novembro de 1930.
Durante este período, houve grande ebulição até estourar a Revolução de 1930. O presidente Washington Luis foi deposto. Prestes não tomou posse. Quem assumiu a presidência em 1º de novembro de 1930
foi Vargas – que havia sido derrotado por Prestes em março.

























