ATUALIZAÇÃO às 14h50: Em razão de uma tradução de expressão técnica, o Portal Martin Behrend cometeu um equívoco. A Nine West decretou CONCORDATA, e não falência.
Nos anos de ouro das exportações calçadistas brasileiras,
com mais destaque para o final da década de 1970, década de 1980 e começo da
década de 1990, diversas empresas e companhias dos Estados Unidos criaram bases
sólidas no Vale do Sinos. Com pedidos de milhões de pares de calçados, era
preciso acompanhar o desenvolvimento dos sapatos, fiscalizar o embarque e
negociar preços sempre muito ajustados.
Uma dessas companhia que fez chover dólares no Vale do
Sapateiro foi a Nine West. A empresa era responsável por garantir a produção
anual e empregar milhares de sapateiros na Calçados Reichert, Schmidt Irmãos e Paquetá Calçados. Outras empresas, como Malu e Maide, de Dois Irmãos, também atendiam a
absurda demanda dos americanos. Foi um período de ouro.
A grife americana Nine
West, ícone do segmento calçadista e da moda, foi criada pelo designer Vince Camuto em parceria com
o sócio Jerome Fischer. Posteriormente, o Jones Apparel Group adquiriu a marca
por quase um bilhão de dólares.
Na semana passada, a Nine West decretou concordata – haverá ainda uma tentativa de recuperação judicial da empresa para evitar a falência. Inclusive, clientes do Brasil esperam receber valores devidos.
Essa
situação já vinha sendo desenhada há alguns anos. As dívidas superam US$ 1
bilhão (no câmbio de hoje, cerca de R$ 3,4 bilhões). Em 2016, a agência
internacional de “rating” Fitch alertava para esse risco. Pagamento de juros,
prazo de vencimento, perda operacional e aperto de fornecedores foram se acumulando
nos últimos anos. Além disso, o declínio da circulação nos shoppings das classes B
e C, a concorrência da Amazon e dos vendedores fora do preço, e as mudanças
nas preferências de gastos dos consumidores colaboraram para os problemas no
conglomerado.
Essa situação da Nine West – conhecida pelos calçados
femininos e bolsas icônicas – também confirma uma mudança do comportamento
comprador dos americanos. Ontem, o Portal Martin Behrend divulgou que, pela
primeira vez na história, a Argentina ocupava a primeira posição entre os
países compradores de calçados brasileiros, ultrapassando os Estados Unidos – matéria no link http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…. As
companhias americanas estão diminuindo os negócios no Brasil, buscando cada vez
mais na Ásia: preço, preço, preço.
No ano passado, as exportações para os EUA já haviam caído
14% (tanto em pares como em valores). No primeiro trimestre deste ano, os
norte-americanos compraram 2,8 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$
37,13 milhões, quedas de 11,5% em volume e de 22,6% em receita na relação com
igual ínterim de 2017.



























