O Portal Martin Behrend vai fazer uma viagem no tempo. O recuo é de dez anos.
O dia é 14 de março de 2011. Uma tarde ensolarada na Praça Punta del Este, em Novo Hamburgo, em frente ao Bourbon Shopping. Ainda nem tinha a Estação Novo Hamburgo da Trensurb.
O local recebeu dezenas de convidados ilustres. Uma robusta tenda branca abrigou a cerimônia festiva que anunciou o lançamento das obras que prometiam mudar de 2% para 80% o percentual de esgoto tratado em Novo Hamburgo.
Teve palanque, música, discursos e um anúncio: as obras de cerca de R$ 150 milhões deveriam estar concluídas em cinco anos (março de 2016). À frente da solenidade, o então prefeito de Novo Hamburgo, Tarcísio Zimmermann (PT).
Nas primeiras semanas, o Centro de Novo Hamburgo virou um canteiro de obras: avenidas foram abertas, canos começaram a ser enterrados e a esperança para resolver um dos problemas mais graves do município estaria começando a ser resolvido. Até hoje, a cidade tem a vergonha de não tratar nem 10% do esgoto.
LUIS LAUERMANN
Só que o início promissor das obras e da buraqueira no Centro se transformou numa grande frustração. O PT seguiu no poder no município, mas o projeto foi praticamente arquivado. Parou no tempo e no espaço no governo Luis Lauermann.
Em novembro de 2014, o Portal Martin Behrend entrevistou o então diretor-geral da Comusa, Mozar Dietrich. A manchete foi: “Comusa garante: obras revolucionárias no tratamento do esgoto ficam prontas em 2016”.
Questionado sobre o cronograma e andamento das obras, Dietrich respondeu: “Está dentro do previsto. A previsão é que em 2016, não necessariamente em março, estará tudo pronto.” A matéria completa de 2014 pode ser conferida aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
FÁTIMA DAUDT
Em 20 de dezembro de 2016, dois meses após ser eleita e mesmo antes de assumir seu primeiro mandato, a prefeita Fátima Daudt (PSDB) reuniu a imprensa e convidados na Câmara de Vereadores para apresentar seus secretários e os principais nomes da linha de frente da gestão.
Na oportunidade, Silvio Klein, anunciado como o diretor geral da Comusa, foi questionado pelo Portal Martin Behrend se o projeto lançado pelo ex-prefeito Tarcísio, de tratamento com as plantas macrófitas, teria seguimento, e qual seria a estratégia da Comusa dali pra frente, já que nos quatro anos do petista Lauermann o projeto estacionou. Klein foi claro: o tratamento com as macrófitas não seria mantido e a opção seria por um tratamento mais convencional, reforçando que os recursos estavam assegurados.
O Portal Martin Behrend produziu reportagem com Silvio Klein no dia seguinte, em 21 de dezembro de 2016. A manchete foi: “Futuro diretor-presidente da Comusa confirma: tratamento de esgoto vai mudar. Projeto com plantas macrófitas abortado!”. A matéria completa pode ser relembrada aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
Em janeiro de 2017, o ex-prefeito Tarcísio Zimmermann foi entrevistado pelo Portal Martin Behrend. A manchete da reportagem foi: “Tarcísio lamenta abandono pela Comusa do tratamento do esgoto com plantas macrófitas e diz que troca de sistema vai pesar no bolso”.
Na sua manifestação, tem uma crítica à gestão do ex-prefeito Lauermann e mudanças no projeto inicialmente planejado: “O seu afastamento (Mozar Dietrich) parece ter coincidido com a decisão (que ninguém viu, de que ninguém foi informado e cujas justificativas técnicas são desconhecidas) de abandonar a tecnologia das macrófitas.” A reportagem completa pode ser relembrada aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
MAIS QUATRO ANOS
Foram quatro anos do governo tucano de Fátima Daudt, reeleita prefeita para a segunda gestão, em outubro do ano passado.
Neste período, o que houve com os mais de R$ 150 milhões? Onde estão os recursos para o tratamento do esgoto? As obras e novos projetos avançaram?
COMUSA
A reportagem buscou um posicionamento atual da Comusa sobre essa situação. Foram enviados questionamentos por e-mail, com retorno das respostas através da assessoria de imprensa da companhia.
Confira abaixo a situação atual, conforme informado pela Comusa. Destacando: ETE = Estação de Tratamento de Esgoto; EBE = Estação de Bombeamento de Esgoto.
Quanto foi feito em uma década do projeto iniciado pela Comusa, em 2011?
Os recursos foram aplicados na execução dos Interceptores do Arroio Luiz Rau, Nicolau Becker, ETE Roselândia e na parte civil da EBE Luiz Rau.
Onde estão os mais de R$ 150 milhões anunciados?
Os recursos estão garantidos pela Caixa Econômica Federal em contrato vigente, sendo que já foram utilizados 37,72%
Esse dinheiro, então, não foi perdido?
Não. Em 2018, quando o diretor-geral Márcio Lüders assumiu a Comusa, os recursos estavam em risco de serem perdidos. Mas, após movimentação junto à Caixa, a Comusa manteve os valores. (Observação do editor: em 2018, era o mesmo governo de Fátima Daudt à frente da Comusa).
Se o dinheiro não foi perdido, onde ele está sendo aplicado?
Serão aplicados na construção da ETE Luiz Rau e nos remanescentes dos demais interceptores.
Qual o percentual de esgoto tratado que a Comusa promete alcançar e até quando?
Com a nova Estação de Tratamento de Esgoto Luiz Rau, além das ETEs Vila Palmeira e Roselândia, o percentual chegará em 57,5% do esgoto tratado. A previsão da obra é de dois anos. Além disso, a Comusa está elaborando um plano de saneamento para identificar o impacto da utilização de filtros e fossas nos esgotos domésticos no tratamento de esgoto, o que pode colocar o município, juntamente com as novas ETEs, dentro do Marco Regulatório de Saneamento.
ETE LUIZ RAU
Na Semana do Meio Ambiente deste ano, a Comusa lançou um Tour Virtual pela nova ETE Luiz Rau Segundo a companhia, que tem à frente o vice-prefeito de Novo Hamburgo, Márcio Lüders (MDB), será o maior projeto da história da Comusa, responsável por 50% do tratamento do esgoto do nunicípio.
O Tour Virtual pode ser conferido no vídeo a seguir, que também está no perfil da Comusa no Facebook: https://fb.watch/6dOokt6L8M/ .

























