Após escapar da degola do rebaixamento no Gauchão 2021, a direção do Esporte Clube Novo Hamburgo respirou bem aliviada.
Rebaixamento é algo que ninguém quer ter no currículo – embora faça parte do esporte e, inclusive, existem clubes que se reerguem mais forte após uma queda.
Só que uma expressão publicada nas redes sociais do Esporte Clube Novo Hamburgo, após o término da rodada que manteve o anilado na elite, motivou a ira de dezenas de torcedores:
“Missão cumprida! Anilado disputará em 2022 a série A do Campeonato Gaúcho pela décima nona vez consecutiva.”
O fato de o clube considerar “Missão cumprida” ter escapado da degola perdendo por 3 a 1, em casa, para um time praticamente sem nada pra fazer na rodada decisiva, sendo salvo por um gol do Caxias diante do Pelotas, destoa do que se espera do Noia.
A iniciativa do “Missão cumprida” foi da assessoria de imprensa do Novo Hamburgo.
A explicação que recebi do autor da publicação foi a seguinte: “Um objetivo do clube foi cumprido. Apesar da forma como foi alcançado, alguma coisa a equipe fez ao longo do campeonato para terminar à frente do dois rebaixados. Apesar de tudo, é algo importante para o futuro do clube.”
Concordo com a assessoria. Ao longo do campeonato, o Noia foi menos pior que Esportivo e Pelotas. Aliás, nos confrontos diretos com seus adversários pelo rebaixamento, o Novo Hamburgo empatou com o Pelotas por 1 a 1, no Estádio do Vale, e venceu o Esportivo, em Bento Gonçalves, por 2 a 1.
A assessoria afirma que estar na elite do futebol gaúcho é importante para o futuro do clube. Sem dúvidas, correto.
Mas que futuro é esse? Com qual olhar o Noia mira os próximos anos?
O fato é que, desde o título do Gauchão de 2017, o Novo Hamburgo acumula campanhas fracas, pífias, medíocres.
2017 – Campeão gaúcho
2018 – Escapou do rebaixamento nos minutos finais da última rodada
2019 – Campanha razoável
2020 – Estava na zona de rebaixamento (seis jogos sem marcar gols) até a chegada da pandemia
2021 – Escapou do rebaixamento nos minutos finais da última rodada
Nesse período, ainda disputou Copa do Brasil e Série D sem empolgar e ficando nas fases iniciais.
Uma das preocupações com o anilado é que se não repita o efeito Cruzeiro (MG). Um clube multicampeão brasileiro, que foi caindo silenciosamente, foi tendo problemas graves fora do campo, essas situações chegaram dentro do gramado e… despencou. Caiu para a Série B do Brasileirão e não conseguiu voltar.
Mas não precisa ir longe. Basta ver o que ocorreu ao longo da história com clubes vizinhos no Vale do Sinos: fecharam as portas, fecharam o futebol por alguns anos. Falta de gestão, falta de estrutura.
A história do Novo Hamburgo no futebol gaúcho é muito grande para achar que, tomar 3 em casa e escapar da degola por resultados paralelos, é missão cumprida.
Basta conferir alguns dos feitos e conquistas do Noia:
– Campeão Gaúcho | 2017
– Vice-campeão Gaúcho | 1942, 1947, 1949, 1950 e 1952
– Campeão do Interior do Rio Grande do Sul | 1961, 1965, 1972, 1980 e 1985
– Campeão do Bronze da Folha da Tarde Esportiva – em cima de Grêmio, Inter e Pelotas: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
– Campeão Copa Emídio Perondi | 2005
– Campeão Copa FGF | 2005
– Está com o Departamento de Futebol aberto desde 1º de maio de 1911, quando ocorreu sua fundação
– Clube do interior do Rio Grande do Sul com mais participações em Gauchão, com 67 disputas – atrás somente de Grêmio e Inter
FUTURO
Repito, então, o questionamento feito anteriormente no artigo: que futuro é esse? Com qual olhar o Noia mira os próximos anos?
Algumas questões importantes – assuntos já conhecidos e falados, mas que vale registrar:
– Investimento nas categorias de base
– Renovação de dirigentes
– Avanço na profissionalização de setores estratégicos
– Planejamento estratégico com novas perspectivas
E a participação da comunidade? Esse tema é complexo. Depender do apoio de quem mora aqui é um risco. A imensa maioria dos moradores de Novo Hamburgo torce para Grêmio e Inter. Uma minoria é anilada.
É fato que essa minoria envolve alguns milhares de torcedores, mas diante do potencial humano e financeiro do município, é preciso ser realista: a maioria dos atuais hamburguenses prefere ir até Porto Alegre e ser sócio de Grêmio e Inter. É um fato consumado, não se pode brigar com essa realidade.
Aqui não estou dizendo que deve se ignorar o apoio da comunidade. PELO CONTRÁRIO!
É preciso valorizar e reforçar os laços com os verdadeiros parceiros da cidade, aqueles que inclusive acreditam no potencial econômico que um clube de futebol representa para o município, movimentando empregos e diferentes segmentos, como imobiliário, esportivo, gastronomia e hotelaria. É necessário estreitar esses relacionamentos com os empreendedores que reconhecem a força do Noia e o quanto é valioso ter esse clube disputando a elite do futebol estadual e mirando competições nacionais.
Um bom time de futebol traz junto torcedores e admiradores. Raramente acontece ao contrário.
Novo Hamburgo, é hora de lamber as feridas. É tempo de entender o que ocorreu após o Gauchão de 2017.
O destino sorriu mais de uma vez no Estádio do Vale. Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. O Noia desmentiu. Os milagres de 2018 e 2021 provam isso.
Que o futuro seja mais suave. Que venham mais conquistas. O Novo Hamburgo é muito grande!

























