Estou com a Covid-19. Este vírus traiçoeiro, imprevisível e que tanto sofrimento vem causando na humanidade.
O mais correto, nesta sexta-feira (15), é afirmar que estou conseguindo me livrar da Covid-19. Tudo indica que passei pelo ciclo de infecção do vírus. Contudo, ficaram sequelas.
Não vem sendo um período fácil. Após oito dias em tratamento e sem forças para publicar um texto, consegui reunir algumas energias para poder relatar o que venho passando nestes últimos dias.
Foram muitas mensagens de leitores que chegaram recentemente. Então, estou aqui nesta manhã de sexta-feira, ainda em recuperação doméstica, atualizando meu quadro de saúde.
SINTOMAS
Não terei vergonha de assumir que demorei a reagir. Comecei a ter sintomas de gripe em 2 de janeiro. Fui traído pelo meu histórico de verão: há muitos anos sofro com o calor do verão, ar-condicionado, blusa suada, mais calor, mais ar-condicionado. Já teve Natal que passei com 39 graus de febre.
Então, quando tive leve dor de garganta e alguma secreção fui traído pelo meu histórico e ignorei inicialmente o vírus. Fiquei com pastilhas e antigripal por três dias. Logo eu, que desde março venho informando a população para se cuidar, se prevenir, ficar alerta aos sinais, fui levado a cometer um erro básico.
Só me dei conta que era Covid no dia 6, quando o olfato e o paladar foram desaparecendo. No dia 7, fiz o exame laboratorial e, no final da tarde, veio o resultado: DETECTADO.
Imediatamente, liguei pro meu médico e pedi orientações sobre o tratamento. Só que durante a conversa por telefone eu fui sentindo falta de ar. Não sabia se era de nervoso ou algo já provocado pelo vírus. Diante do relato que passei ao meu clínico, ele reviu suas orientações e disse para procurar o Pronto Atendimento da Unimed VS, em Novo Hamburgo, e providenciar uma tomografia torácica.
Assim, por volta de 20h30 do dia 7 de janeiro eu ingressava no PA da Unimed. Fiz vários exames, a maioria tranquilizadores. Contudo, a tomografia apontou um problema: comprometimento pequeno nos pulmões. O vírus havia atuado.
Passei a noite de quinta-feira pra sexta-feira como único paciente na sala de observação. Tudo em silêncio. Quieto. E vieram tantos pensamentos que pouco ajudaram. As imagens de amigos que ficaram pelo caminho vinham e voltavam. Lágrimas. Medo.
Fiquei da noite de quinta-feira até o meio-dia de domingo (10) no PA da Unimed sendo monitorado – posteriormente fui para um quarto de observação. Não precisei de oxigênio nem ser entubado, sendo acompanhado para ver como reagiam os pulmões.
Tive alta no domingo para seguir o tratamento em casa – com medicamentos e vitaminas. Então, vieram três dias de muito sofrimento.
Febre. Febre persistente. 38, 38,5 graus. O vírus parece que brinca com nosso organismo. Baixa alguns décimos, tu te alegra, mas logo sobe. Suador, desconforto, remédios, banho de madrugada, pano úmido na testa,
O vírus parece zombar da pessoa. Quando tenho o vírus da gripe, costumo me tapar com uma coberta velha, coloco umas meias judiadas, suo bastante e o vírus morre. Com o coronavírus isso não funciona. Ele vai testando a tua paciência, a tua resiliência.
E assim foram três dias de muito sofrimento.
O quadro começou a mudar na quarta-feira (13). A febre cedeu. Com isso, consegui dormir uma noite tranquila.
Nesta sexta-feira (15), já são dois dias sem febre. São dois dias sem remédios. É um grande sinal, indicando que a infecção ficou pra trás.
Mas ainda estou com os pulmões levemente comprometidos. O organismo ainda está debilitado, mais lento que o normal. Adquiri um oxímetro em farmácia e venho acompanhando a saturação do oxigênio. Os pulmões estão dando conta no limite, o que significa que dá pra acreditar numa reação. Tenho exercícios pra fazer indicados pela fisioterapeuta da Unimed VS. Com o organismo fraco, exige superação e nem sempre o corpo está disposto.
Estou com dois familiares infectados. Cada uma tem um quadro diferente. É incrível como esse vírus se adapta a cada organismo. Essa é uma crueldade, pois ele vai procurando pontos fracos de cada um pra atuar. Os familiares também estão com suas lutas pessoais e tudo indica que vão superar esse momento.
PREVENÇÃO
O vírus está aí. Temos de estar alertas. Não me aglomerei. Fiquei apenas com familiares. Sempre uso máscara. Temos álcool em gel por tudo. Tapetes sanitizantes nos prédios. Frequentamos locais que respeitam os protocolos. Fiz compras em horários alternativos e de menor público. Enfim, fizemos e mantivemos as orientações. Só que escapou. Pois o vírus está aí.
Sigo em recuperação. Muita hidratação. Repouso e descanso também. Espero em breve fazer o exame para saber se meu organismo já criou anticorpos.
Mas ainda é preciso recuperar os pulmões e assegurar o tempo necessário pro organismo se ajustar. Também é preciso recuperar paladar e olfato – o paladar ainda sinto alguma coisa, mas os cheiros inexistem.
Neste momento, quero agradecer aos meus familiares, amigos e aos leitores que foram sabendo da minha situação pelas inúmeras mensagens e orações. Tudo ajuda nesta hora.
Uma citação especial ao dr. Rafael Vilanova, dr. Leandro Roese, Fábio Grangeiro (Laboratório Fleming), aos plantonistas do Laboratório Exame e a toda equipe de atendimento da Unimed VS – até de ambulância rodei na madrugada hamburguense, coisas “proporcionadas” pelo vírus, já que nunca tinha embarcado numa ambulância nestes 43 anos de vida.
Aliás, mais uma vez, meu respeito e minha admiração a todos os profissionais da saúde que estão há meses na linha de frente do enfrentamento à pandemia – sendo que com algumas perdas – para poder atender a população.
Um carinho especial a dra. Carolina Behrend Schuck, aos meus pais, a minha mulher e aos meus filhos, que torcem pacientemente pela minha recuperação.
Espero seguir me recuperando. É preciso paciência. Não é fácil. Mas é preciso respeitar o corpo. O corona é traiçoeiro.
Um abraço e uma abençoada sexta-feira.

























