Num dos corredores da feira calçadista BFSHOW, um agente de exportações de Novo Hamburgo circulava com uma compradora da França. No estande da Capelli Rossi, de Igrejinha, fizeram ou encaminharam pedidos clientes da Costa Rica, Guatemala, Israel, Congo e Sérvia.
Em outro corredor da feira, três compradores da Alemanha olhavam atentos para novas coleções de marcas brasileiras. Em vários locais do evento, o idioma espanhol predominava – são centenas de compradores de vários países da América Latina. Visitantes dos Estados Unidos também marcam presença.
Numa outra perspectiva, jornalistas da Alemanha, Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos e Emirados Árabes eram conduzidos pela equipe da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) para conhecer os segredos e novidades de algumas coleções.
O fato concreto é que o mundo está na BFSHOW, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP). É uma Torre de Babel calçadista. Realizada pela Abicalçados em parceria com a NürnbergMesse Brasil, o evento começou nesta segunda-feira (19) e vai até quarta-feira (21).
A expectativa dos organizadores é que, nos três dias de visitação, 1,2 mil compradores internacionais de mais de 60 países de todos os continentes façam negócios com as marcas brasileiras. A organização informou que a BFSHOW registrou crescimento de 30% em relação à sua mais recente edição. No total, entre brasileiros e estrangeiros, são esperados mais de dez mil lojistas/compradores.
EXPORTAÇÕES
A pauta das exportações segue como uma realidade para os calçadistas brasileiros. Com o mercado interno mantendo um ritmo bom de compras, é no exterior que muitos fabricantes vislumbram condições de expandir sua produção.
Com a instabilidade provocada pela disputa tarifária entre Estados Unidos e China, com reflexos na Europa, o Brasil se apresenta no radar de compradores como uma alternativa interessante. Com o dólar num patamar que garante a competitividade do produto, as fábricas brasileiras vieram dispostas a conquistar ou expandir mercados onde já estão presentes.
Em 2025, o cenário é positivo. Dados elaborados pela Abicalçados apontam que as exportações de calçados brasileiros somaram 39 milhões de pares e US$ 349 milhões no primeiro quadrimestre do ano, resultados superiores tanto em volume (+9,7%) quando em receita (+1,5%) em relação ao mesmo período do ano passado.
EMPRESAS
Com uma
produção de mais de 2,6 milhões de pares de calçados nos parques fabris
localizados em Parobé, e em Cruz das Almas, na Bahia, a Calçados Bibi projeta um crescimento de 17% no faturamento anual do grupo em 2025. Para obter
essa meta, a Bibi está com ações estratégicas que focam diferentes frentes do
negócio – calçados infantis. Uma delas é a exportação de produtos com marca e design próprios. No
último ano, a empresa iniciou o processo de exportação para Angola, e retomou o
envio de calçados para os mercados da Palestina, Tanzânia, Armênia e Israel. Em
2025, a calçadista almeja um aumento de 43% na exportação de calçados.
“Desde
a década de 90, exportamos calçados da Bibi com marca e design próprio para
países nos cinco continentes. Neste ano, estamos em uma crescente e registrando
um aumento no envio de produtos para o mercado exterior, principalmente agora
retomamos a exportação em volume maior para a Argentina, que era um país
responsável por 40% das vendas via este canal. Também abrimos novas frentes
para a venda dos calçados para consumidores do Paraguai, Venezuela e República
Dominicana”, ressalta a presidente da Calçados Bibi, Andrea Kohlrausch.
Produzindo mais de 14 mil pares de calçados infantis por dia, a Kidy Calçados, de Birigui (SP) planeja
aumentar sua fatia exportada em 110% em 2025, para 15% do total
produzido. A projeção passa por uma estratégia de prospecção com foco no
mercado árabe e também pelo aumento dos embarques para os Estados
Unidos, país que deve ficar menos competitivo para o calçado asiático em
função do tarifaço anunciado por Donald Trump. De acordo com Ricardo
Gracia, CEO do grupo, até 2027, a meta é aumentar a fatia exportada para
20%.
ABERTURA
Na cerimônia de abertura, nesta segunda-feira, o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destacou o crescimento da feira realizada pela indústria calçadista nacional por meio da sua entidade representativa. E salientou a presença internacional do calçado nacional. “Importante ressaltar que a força do setor calçadista brasileiro é reflexo das empresas, que mesmo diante de todas as dificuldades, estampadas na mídia diariamente, constroem produtos com diferenciais de sustentabilidade, qualidade e design para abastecer todo o Brasil e mais de 160 países em todo o mundo”. Segundo ele, a BFSHOW, mais do que uma feira, é um “tributo ao setor calçadista brasileiro e à expertise nacional na produção de calçados”.

























