“A produção de calçados tem um ciclo. Observamos isso em
vários países, onde as fábricas chegaram e foram embora. Mas aqui no Brasil ocorre
algo diferente. Estamos conseguindo manter a produtividade através do esforço
de nossos empresários. A melhor solução para seguirmos com a produção de
calçados em alta é a exportação”. Com esse olhar de otimismo, o empresário
Claudio Ennio Strassburger, 89 anos, falou a cerca de 300 convidados presentes
na comemoração dos 45 anos do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro,
Calçado e Artefatos (IBTeC).
O almoço de aniversário foi realizado nesta terça-feira
(28.11) no Restaurante Panorâmico da Fenac. Diversas lideranças nacionais do
calçado estiveram presentes, como presidentes de entidades ligadas ao couro e
ao calçado, promotores de feiras calçadistas, ex-presidentes do IBTeC,
empresários calçadistas, políticos do Vale do Sinos, entre outros convidados.
Em relação à manifestação se Strassburger no evento do IBTeC, na década de 1970
ele colocou o Vale do Sinos no mapa mundial da produção de calçados através da
exportação bem-sucedida de produtos Made in Brazil. Considerado por muitos como
o Patrono da Exportação de Calçados, ele lembra que sua empresa não foi a
primeira a exportar no Brasil. “Fomos os pioneiros a exportar com sucesso e a
continuar vendendo para o exterior’’, frisa.
Para poder exportar, qualificar e desenvolver os materiais,
era necessário evoluir na produção de calçados. Por isso, em 1972, nasceu o Instituto
Brasileiro do Couro, Calçados e Afins (IBCCA). Mais tarde, passou a ser o Centro
Tecnológico do Couro, Calçados e Afins (CTCCA). Até o atual momento, como Instituto
Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), com sede no bairro Ideal, em Novo Hamburgo.
INVESTIMENTOS, CONFORTO E CERTIFICAÇÕES
Uma parcela significativa dos investimentos do Instituto
Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC) até o ano 2020
estarão focados em pesquisa e desenvolvimento de produtos para as indústrias
calçadistas. O anúncio foi feito pelo presidente executivo da entidade, Paulo
Griebeler, na comemoração dos 45 anos da instituição. “Nosso propósito é
contribuir para agregar valor aos produtos produzidos no Brasil, tanto para
mercado interno quanto para exportações”, afirma Griebeler.
O IBTeC tem acreditações junto às instituições certificadoras
do Brasil e do exterior: acreditação CGCRE do Inmetro – Instituto Nacional de
Metrologia; acreditação pelo Instituto Satra (Inglaterra); credenciamento pela
CPSC-EUA, instituição que regulamenta e fiscaliza a segurança de produtos de
consumo dos Estados Unidos; certificação do MTE – Ministério do Trabalho e
Emprego; certificação da ISO 9001:2008; reconhecimento da Rede Metrológica do
RS. Todos os procedimentos do IBTeC são orientados também pelas normas ABNT –
Associação Brasileira de Normas Técnicas.
O Instituto
ainda é autorizado por diversas empresas internacionais a realizar ensaios em
seus produtos, este é um reconhecimento pelo compromisso e expertise
desenvolvidos continuamente ao longo destes 45 anos de história.
Com uma equipe composta por doutores e mestres em
Biomecânica, o Laboratório de Biomecânica do IBTeC realiza pesquisas voltadas à
produção de calçados e componentes que agregam atributos como: conforto,
performance, saúde e segurança para os pés dos consumidores. O laboratório atua
também na avaliação de materiais que serão usados como componentes, e certifica
sapatos funcionais, como de segurança e esportivos, por exemplo.
O
Brasil é pioneiro na criação de normas técnicas para quantificar o conforto
oferecido por um calçado e da metodologia para fazer esta medição. Hoje o país
tem 28 normas de conforto publicadas, sendo sete para calçados (ensaio completo
conforto; massa do calçado; distribuição de pressão plantar; temperatura
interna do calçado; índice de amortecimento do calçado; índice de pronação do
calçado; percepção de calce e 21 normas para a avaliação de componentes como solados,
palmilhas e forros.

























