Era um belo domingo de sol. O final de semana estava empolgante. Sábado
foi um dia de diversão e de comemoração do aniversário do Arthur, meu
sobrinho, onde se aproveitou com a família: muitas risadas e diversão no
Marina Park em Capão da Canoa. E à noite,
uma festa dedicada aos 15 anos dele.
Nesta festa eu brinquei, comi, bebi, ou seja, criei boas memórias afetivas com muita integração familiar regada a boa comida, boa conversa e “umas geladinhas”.
No domingo, o sol estava intenso, a praia atrativa, o mar calmo, a
bandeira amarela. Um dia inesquecível. Muitas conversas na beira da
praia.
Resolvi aproveitar o “marzão”. Fui adentrando ao mar com calma,
chegando até as ondas mais profundas, junto com o meu
sobrinho, seu amigo e minha esposa.
Desde criança o mar sempre me fascinou. Ele representa um misto de grandiosidade, respeito, gratidão e, ao mesmo tempo, uma energia positiva. Ele é uma das melhores expressões da Divindade.
Observei uma onda grandiosa se formando. Me preparei para “surfá-la” com
meu corpo, o que apelidamos quando criança de “pegar um jacaré”.
Encaixei meu corpo naquela força da natureza, ela me levou e me jogou em
direção do fundo.
O resultado: desloquei meu ombro direito.
A dor foi automática. Pedi a minha esposa para me ajudar a puxar o
braço, ação errada, e ele nem se mexeu. Foram instantes rápidos de
decisão: vamos até o salva-vidas. Saí do mar segurando meu braço e com
uma dor lancinante.
O bombeiro disse que não sabia o que fazer e indicou que procurássemos a
UPA de Imbé. Falei com a minha esposa: é a segunda vez, a primeira com
16 anos, que meu ombro direito sai do lugar e não volta. Vai ser preciso
um médico para colocá-lo no lugar.
Fomos de automóvel para a UPA de Imbé onde fui prontamente atendido:
recepção da enfermeira, raio-x, medicamento para a dor e encaminhamento
ao traumatologista no hospital de Tramandaí. Todo este processo demorou
umas duas horas até a execução da manobra para
colocar meu braço no lugar correto: ele havia caído uns dez centímetros.
Quero parabenizar aqui a todos os envolvidos e, principalmente, reforçar a importância do atendimento adequado na área da saúde. Ainda mais com situações que envolvem dor, emergência e atenção básica.
Parabéns à prefeitura de Imbé e de Tramandaí e aos
maravilhosos profissionais que me atenderam. E, principalmente, a minha amada esposa que me acompanhou prontamente:
Te amo, amor!
O aprendizado que desejo compartilhar: assim que o ombro saiu do lugar,
desde o momento em que estava dentro da água, a minha mente se voltou ao
meu local de
meditação. Esta é uma prática que executo diariamente: de manhã e à noite.
São quatro fases bem distintas: o relaxamento, o abraço amável ao EU, a gratidão e a
paz. Isso mesmo: a última fase é sentir a paz que esse momento proporciona. Uma chuva de bênçãos à vida.
Uma música começou a tocar em minha mente: “a paz invadiu o meu
coração”. Parte da música de Gilberto Gil. Desde aquele instante de
reação instintiva de meu cérebro, foquei minha atenção no sentimento da
paz do processo final de minha meditação. Aquele local de paz interior. Onde se encontra?
Dentro de nós mesmos. Podemos construí-lo. É um local de afago, de carinho, de apoio, de suporte interno para cada um de nós. Foi fácil?
De forma alguma. Meu hábito em meditar foi fundamental para enfrentar
duas horas de dores lancinantes. Com o apoio carinhoso de minha esposa,
consegui estar em dois mundos:
o da paz e o da dor.
E um detalhe: sem julgamentos, análises ou culpa. Vivi o momento como
pude e como construí de forma consistentemente todos os dias.
Nossa vida é um conjunto de hábitos que levem à paz e ao bem-estar. Nos
momentos de dificuldade e de desafios, somos colocados à prova. A
conexão entre o físico e o mental é inabalável.
Podemos manter a nossa mente no sentimento de paz já consolidado. É um
campo de refúgio, um momento de lucidez. Então, não esqueça:
– A cada dificuldade, lembre-se do espaço da paz em seu íntimo. É ele
que vai lhe proteger em qualquer situação, apesar da dor, da dúvida, do
medo, da culpa e, principalmente, apesar de qualquer interferência
externa.
Observação: escrevi o rascunho deste artigo no final daquele domingo de
paz e de dor. Mais uma razão para utilizar esta belíssima palavra:
gratidão!
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Confira o artigo em vídeo:
Canção: A Paz

























