6 de abril de 2020. Uma segunda-feira.
Essa data vem se tornando um consenso entre muitas lideranças gaúchas para a retomada de atividades que paralisaram em março em razão da pandemia do Covid-19.
O Portal Martin Behrend vem recebendo áudios de conversas realizadas por diferentes lideranças setorias do Estado. Em destaque estão empresários do setor coureiro-calçadista.
Uma liderança do setor calçadista afirmou: “O melhor caminho será voltar para o dia a dia (das atividades). Isso deveria ser a partir da semana que vem (30 de março) ou, na pior das hipóteses, no dia 6. Mas acho que precisamos ter uma data. Eu apostaria como data efetivada para retomada da economia o dia 6”, afirmou o industrial.
Essa definição de data é fundamental até porque nem todos setores vão retomar com 100% dos setores em atividade. O setor hoteleiro em geral, por exemplo, está sem hóspedes para as próximas semanas já que não há previsão da pandemia ser controlada e muitos eventos foram cancelados.
E isso acontece em diversas indústrias, que poderão provocar a retomada de forma escalonada, já que poderá faltar matéria-prima nos primeiros dias até a rotina se normalizar.
E por que a data de 6 de abril?
– Muitas indústrias gaúchas – principalmente do setor coureiro-calçadista – concederam férias coletivas por 15 dias a partir de 23 de março. Esse período encerra na semana de 6 de abril.
– Muitas empresas começaram o isolamento e o afastamento já na semana de 16 de março. Ou seja, até 6 de abril, em alguns casos, terão sido três semanas de isolamento e confinamento.
– Essa retomada no dia 6 de abril deve acontecer com algumas condições, segundo os empresários: Isolamento mantido para os grupos de risco, principalmente de pessoas acima de 60 anos e de pacientes com doenças. Esse isolamento preferencialmente deve ocorrer com supervisão. E isso precisa ser enérgico para que não se tenham casos surgindo após a retomada das atividades.
– As campanhas de assepsia e higiene precisam ser ainda mais reforçadas, nas mídias, nas empresas e nos diferentes locais. Deve ocorrer um “bombardeio” de informações e oferta de produtos como álcool em gel e sabonete para que as pessoas não sigam transmitindo o novo coronavírus.
– Como o calor vem se mantendo alta, e com as estatísticas na maioria dos países registrando que a letalidade de pessoas abaixo dos 50 anos com Covid-19 é inferior a 1%, os empresários acreditam que os hospitais não sofrerão sobrecarga com esse público retomando as atividades.
– Os números de casos confirmados no Rio Grande do Sul estão dentro de um controle. A postura do governo gaúcho vem sendo elogiada e o Estado tem um óbito confirmado – no Brasil são mais de 60 mortes em razão do Covid-19.
– O número de casos suspeitos começou a cair em cidades gaúchas. Ou seja, o isolamento até aqui realizado vem ajudando a conter a proliferação dos vírus.
– Também há a projeção que muitas empresas conseguem suportar até 15 ou 20 dias sem produção. Mais do que isso poderá representar uma tragédia econômica.
– Essa data seria para o Rio Grande do Sul. Até lá, confinamento e isolamento social pra aliviar o máximo possível o sistema de saúde!
FIERGS, FARSUAL E FECOMÉRCIO APOSTAM EM 1º DE ABRIL
A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), juntamente com a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e a Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio), divulgou nesta quinta-feira (26) o manifesto “Pela Reativação da Economia Gaúcha”.
No documento, as três entidades manifestam sua preocupação com “a ameaça de desabastecimento que poderá ocorrer caso se prolonguem, além de um limite razoável, as proibições de atividades empresariais”, e propõem um retorno gradativo às atividades a partir de 1º de abril.
De acordo com a FIERGS, Farsul e Fecomércio, é preciso levar em conta as cadeias de fornecedores que, mesmo fora da área de saúde e alimentar, – consideradas exceções de segmentos industriais e comerciais –, são essenciais para que o produto final exista, em uma cadeia que não pode ter nenhum elo quebrado. “De nada adianta o campo produzir se o produto ‘in natura’ ou industrializado não chegar ao consumidor”, destacam.
O documento alerta, ainda, que no curto prazo há o risco da falta generalizada de produtos, desde o campo até as lojas. “Assim, o sacrifício será de toda a população. Ainda há tempo de evitarmos o empobrecimento abrupto e irreversível da sociedade”. A proposta apresentada é o de “retorno gradativo das atividades econômicas, permitindo que as empresas – atendendo as recomendações de saúde, como o teletrabalho dos grupos de risco, o distanciamento entre pessoas, etc., firmando protocolos de contingência – possam operar com 50% de pessoal nas suas atividades a partir do dia 1º de abril, e retomando a 100% em 6 de abril, quando o isolamento horizontal já terá cumprido 16 dias”.
Por fim, as entidades reiteram que o bom senso deve prevalecer nesse momento atípico, sem aprofundar ainda mais os problemas sociais decorrentes de um colapso econômico.

























