Apaixonada pela dança, Hertha Spier teve uma adolescência marcada por encantadoras performances calçando sapatilhas, na Polônia.
A ascensão do nazismo, contudo, abreviou seus planos de fazer carreira como dançarina e brilhar em palcos europeus.
Capturada pelos nazistas liderados por Adolf Hitler, a jovem polonesa – nascida em Bielitz – foi levada aos campos de concentração de Plaszow, Auschwitz e, finalmente, Bergen-Belsen, na Alemanha. Viu seus familiares morrerem. Acabou libertada quando estava com 26 anos, desnutrida, órfã e pesando somente 28 quilos.
Moradora de Porto Alegre há mais de 60 anos, Hertha Spier faleceu, neste domingo (9). Ela estava internada no hospital há três dias em razão de uma forte pneumonia. Aos 101 anos, não resistiu.
O velório será realizado no cemitério do Centro Israelita (rua Guilherme Schell, 315). O enterro está marcado para as 16 horas desta segunda-feira (10).
A história de Hertha Spier inspirou o escritor gaúcho Tailor Diniz a escrever, em 2002, o livro A Sobrevivente A21646 – número tatuado pelos nazistas em seu braço, que ela manteve como testemunha da história e vai levar para a eternidade.
Foi em razão do livro que Herha se reencontrou com uma mulher que praticamente salvou sua vida, quando ela tentava sobreviver ao pós-guerra. A sueca Kaisa Person, em 1945, era voluntária da Cruz Vermelha, e se tornou uma das personagens fundamentais na recuperação física e mental da aguerrida plonesa. Em razão da obra, Kaisa tomou conhecimento do destino de Hertha no Sul do Brasil e elas puderam se reencontrar.
E sempre é tempo de relembrar o que foi o Holocausto para que seus horrores não se repitam: foi o assassinato de cerca de seis milhões de judeus europeus pelo regime alemão nazista durante a 2ª Guerra Mundial, através da prática estruturada de campos de concentração e de extermínio.
FILHOS
Herta, que era moradora de um apartamento na rua 24 de Outubro, na capital gaúcha, deixa dois filhos, os médicos Mário e Lúcio Spier, três netos e um bisneto. Ela era viúva do alemão Siegfried.
Em 27 de janeiro deste ano, Lúcio Spier escreveu uma mensagem na sua conta no Facebook, juntamente com uma foto de sua mãe:
“Os assassinos do regime nazista tentaram destruir todas as evidências de suas atrocidades.
Não conseguiram.
HERTHA SPIER (101 anos) sobreviveu para contar a história.”
Tia Hertha, fonte de inspiração para tantas pessoas, testemunha do horror, exemplo de resiliência e amor pela vida. Descanse em paz.


























