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Home Notas

Queria mudar o mundo e tropecei em mim! Sério?

César Silva Por César Silva
13/12/2019 - 14:15
em Notas
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Jairo era um empreendedor
responsável. Sabia que suas
ações afetavam diretamente ele mesmo, seus liderados e a
comunidade ao seu
redor. Ele era organizado. Fazia seu planejamento
estratégico a cada 3 anos com
revisões anuais.

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Criou indicadores que demonstravam a
realidade do seu
negócio. Era um líder colaborativo. Gostava de valorizar
as ideias que ajudam.
Acreditava mais no voto do que no veto.

Suas atitudes no meio de outros
empreendedores eram
classificadas como muito flexíveis. Ele valorizava as
pessoas, gostava delas e
tinha algumas crenças que não abria mão.

Ele participava de uma série de
eventos na sua região.
De algumas entidades de classe que o ajudavam com
informações e relacionamento.
Era uma forma contribuir com a comunidade. Gostava de
ajudar. Gostava de
aprender.

Era o mês de novembro de 2019.
Muitos fatos bons e
ruins aconteceram naquele ano. Era o momento de
analisar. De refletir. De olhar
para trás, para o lado, para frente, para cima, para
baixo, para si. Como seria
2020?

Naquele dia ele reuniu seus
líderes. A sua empresa havia crescido acima da média,
e, vários deles, eram novatos. Ela já tinha 100
colaboradores.

Todas as vezes que contratava
alguém, lembrava do dia
inicial no seu negócio. Ele prestava serviços de
manutenção predial,
residencial e corporativa. Era funcionário de uma
empresa tradicional da sua
cidade.

Lembrou do abraço do seu antigo
chefe no seu último
dia de trabalho e do estímulo que recebeu do seu
Anselmo:

– Siga sempre o seu coração e seja
justo com as pessoas.
Sendo elas clientes ou não, funcionárias ou não. Tudo se
resume a como você as
trata. Qual o rastro que você quer deixar? Me ligue se
precisar. És como um
filho para mim!

O olhar e o carinho do seu Anselmo
sempre o
inspiravam. As conversas sempre eram agregadoras e ele
já havia percebido o
quão empreendedor Jairo era. Afirmava com convicção:

– Eu sei que um dia você vai ter o
seu negócio. Não faça
nada sem planejar. E tenha capital de giro.

Naquele momento de planejamento,
depois daquele dia
de reuniões, decisões, análises e trocas, apareceu um
vazio que pegou Jairo de
supetão. Jairo estava com 40 anos e empreendia há 6
anos.

A empresa cresceu, se desenvolveu,
rendeu frutos e
resultados, mas parecia que algo não estava certo. Todas
as análises indicavam
um crescimento sempre maior, um sucesso cada vez mais
reluzente com mais
dinheiro em caixa. Era um caminho de prosperidade.

Ao mesmo tempo, as reclamações de
falta de atenção,
de demora, de impessoalidade no atendimento despontavam.
Alguns clientes diziam
que os prestadores de serviço da concorrência eram mais
atenciosos, amáveis e humanos.

Ele se orgulhava de ter o melhor
preço e serviço. Mas
ele tinha percebido, nas suas análises com a equipe, que
clientes antigos
estavam se direcionando a outros caminhos, mesmo sem
reclamar.

As informações que chegavam nele
sempre eram as melhores
possíveis. Ele até acompanhou pessoalmente alguns
clientes, sem se identificar,
e não percebeu nada que pudesse ser preocupante.

Sua mente vagava entre a certeza de
suas escolhas e
dos resultados e, ao mesmo tempo, sentia que faltava
algo. Ele lembrou do seu
Anselmo:

– Siga o seu coração.

Jairo teve uma ideia: resolveu fazer
uma retrospectiva
pessoal. Ela era um homem humilde, de uma família
simples. Tinha 2 filhos e a
esposa trabalhava como diretora de uma multinacional.
Vivia viajando.

Seus filhos tinham 15 e 17 anos. Ele
estava casado
com o amor da sua adolescência, há 20 anos. Sentia-se
feliz com sua vida
familiar. Seu trabalho recompensava o seu esforço. Mas
sentia que estava
pecando em algo consigo e com a sociedade.

Já eram 21 horas daquela
segunda-feira. Ele pegou uma
folha de papel, fez uma linha do tempo dos últimos 6
anos e começou a listar:

– Principais acontecimentos na
empresa no ano 1, 2,
3, 4, 5 e 6.

– Principais fatos na sua vida
familiar;

– Principais ações na comunidade;

– Ações, reações e posturas dele
mesmo;

Ele aprendeu em um livro que leu,
que a visualização
favorece uma visão mais ampla da realidade em que se
está.

Passou a noite acordado. Pediu a
esposa que cuidasse dos
filhos e que, na manhã seguinte, não iria trabalhar.
Anotações realizadas,
análises feitas, reflexões escritas.

Quando terminou, lembrou de uma
técnica que aprendeu
em um curso de criatividade: deixar dormir. A solução
precisa ser processada
por seu cérebro.

Apesar do aperto no peito e do
sentimento de que algo
continuava errado após todas as análises, ele se deu o
luxo de dormir, desligando-se
de tudo.

Jairo era adepto da meditação. Não
seguia nenhuma
religião específica, mas estudava as neurociências, o
mindfulness e várias
técnicas interessantes. Fez a sua meditação de 15
minutos, foi ao banho e
dormiu tranquilo.

Um detalhe chama atenção da sua
esposa quando ela
acordou no outro dia: Jairo não havia programado o
despertador do celular. Ele
estava desligado.

Monica era muito observadora e
preocupada com o seu marido.
Apesar dos 20 anos de relação, ela o amava como no
primeiro dia e tinha certeza
de que também era. Era um sonho real, uma realidade
construída.

Ela ligou para a empresa de Jairo e
avisou que ele
não iria trabalhar de amanhã. Pediu que não o ligassem e
que todas as agendas
fossem transferidas para quarta-feira. Ela sabia que ele
precisava de tempo e
descanso. E ficar sozinho: de vez em quando.

Eram 12h30min quando Jairo acordou!
Tomou um susto, ficando
quase sem fôlego! Ele foi levantando vagarosamente
quando um insight apareceu
em sua mente. Ele gritou:

– Eureka!!!!

Pegou rapidamente um papel e caneta,
que estava no
quarto, e desenhou um coração bem grande! Aquele coração
resumia o que ela
pensava e sabia que seria a alma do problema da empresa.

Tomou um banho, se arrumou
rapidamente, comeu algo,
mandou uma mensagem à esposa de que estava bem e seguiu
para a empresa. No
caminho ele ligou à sua líder de pessoas e solicitou que
ela convocasse todas
as lideranças para uma reunião de urgência. Às 14h todos
deveriam estar lá.

Liliana, sua líder de pessoas disse:

– Nem todos podem estar Jairo.
Alguns estão viajando.
Lembra?

– Sim. Sim. Leve todos os que
estiverem aí.

Liliana desligou o telefone, fez a
convocação
rapidamente e ficaram na espera de Jairo. Ele havia
marcado às 14h. Já eram
14h15min. Todos se olharam e estranharam, já que não era
do seu feitio.

De repente Jairo chega com um
sorriso no rosto e um
buquê de rosas. Ele coloca o buquê em cima de sua mesa e
entrega uma rosa para
cada líder, sem dizer nenhuma palavra.

O silêncio se fez presente. A
felicidade de receber
um presente inesperado também deixava a mente de todos
confusa. O que tinha
acontecido? O que isso significava?

Jairo perguntou:

– O que vocês sentiram quando
entreguei a rosa, sem
nenhuma razão aparente?

Todos se olharam e cada um respondeu
algo:

– Ficamos felizes; lisonjeados;
sentimo-nos pessoas
importantes e acarinhadas. Somos importantes para você.
Somos importantes para
a empresa.

Liliana não falou nada. Ela esperou
todos se
manifestarem e disse:

– Fiquei muito emocionada. Tocada.
Me senti
valorizada. É como se nada aqui funcionasse sem a minha
presença.

Jairo abriu um sorriso. Uma lágrima
caiu de seus olhos.
Sua sinceridade sempre foi a sua maior qualidade, assim
como a sua
sensibilidade. Ele olhou a todos e disse:

– Por que não estamos conseguindo
fazer o nosso
cliente sentir o mesmo?

Todos se olharam e a lição foi
entendida de pronto.
Jairo lembrou do seu primeiro dia como empreendedor e
afirmou:

– Nosso maior desafio é cumprir
nosso propósito. Peço
desculpas se falhei em não compartilhar como deveria
minha paixão e amor pelo
cliente. Por ajudar ele. Por fazer a vida dele muito
melhor. Por fazer a vida
de vocês melhor.

– Vocês me ajudam a mudar isso?


César Silva é Escritor,
Empreendedor e Mentor de Negócios
PMBM®. Artigo
publicado no portal Martinbehrend.com.br.
Histórias empreendedoras que inspiram
e orientam!

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