Falácia, em diferentes dicionários da língua portuguesa, tem os seguintes significados:
– Falsidade;
– Enunciado ou raciocínio falso que entretanto simula veracidade;
– Raciocínio verossímil, contudo, inverídico;
– Forma de raciocínio falho ou enganoso que busca parecer válido.
Na eleição municipal de Novo Hamburgo em 6 de outubro, que teve como resultado a vitória incontestável de Gustavo Finck (PP) como prefeito e Gerson Haas (PL) como vice-prefeito, os candidatos que disputavam o Executivo abusaram de uma fala durante os debates e sabatinas realizadas.
Em diferentes momentos, os candidatos de oposição ao governo da prefeita Fátima Daudt (MDB) enfatizaram que Novo Hamburgo está quebrada, arrasada, no fundo do poço, em situação terrível, dramática e quase irrecuperável. Os nomes que disputavam o pleito insistiram que Novo Hamburgo é quase uma cidade sem solução.
Essa é a maior falácia da campanha eleitoral em Novo Hamburgo.
Os candidatos em campanha são responsáveis por suas manifestações e tem suas estratégias. Disseminar o horror e o pavor faz parte desse contexto, ainda mais quando se está na oposição.
Só que esse discurso utilizado na campanha era falacioso. Os candidatos usaram essa estratégia para, se eleitos, poder justificar ali na frente as eventuais dificuldades em executar projetos. Ainda mais para quem prometeu tanto!
A CIDADE
É fácil desmontar a argumentação falaciosa dos candidatos.
A cidade de Novo Hamburgo é uma das dez mais ricas e tem um dos maiores PIBs do Rio Grande do Sul.
– Grupos empresariais como Zaffari, Rissul/Unidasul, Fort Atacadista, Stok Center e Via Atacadista estão investindo dezenas de milhões de reais em novas operações no município. Esses conglomerados investiriam tanto numa cidade quebrada?
– O Santander escolheu Novo Hamburgo para instalar a SX Negócios e seus cerca de cinco mil colaboradores. Qual grupo criaria cinco mil empregos numa cidade quebrada?
– A Fenac é uma potência na realização e recepção de feiras, shows e diferentes promoções – a agenda da Fenac está quase lotada de tantos eventos que movimentam a economia regional.
– Novo Hamburgo tem um dos índices de desemprego mais baixos do Vale do Sinos e quase todos os índices de violência estão em queda há anos.
– O bairro-cidade Boulevard Germânia está em desenvolvimento e é um dos maiores investimentos privados na história de Novo Hamburgo.
– O Teatro Feevale, o maior do Rio Grande do Sul, recebe dezenas de milhares de espectadores por ano. O Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno está com agenda concorrida.
– A Universidade Feevale é uma locomotiva de inovação, empreendedorismo e conhecimento no Vale do Sinos.
– A Fundação Liberato Salzano Vieira da Cunha é referência nacional e internacional de educação e inovação.
– Redes de ensino privadas como IENH, Pio XII, Santa Catarina, Sinodal da Paz, Cenecista e Adventista são referências regionais, promovendo eventos estaduais, nacionais e internacionais.
– A cidade conta com três grandes hospitais: Unimed VS, Regina e Hospital Municipal, gerando milhares de empregos e atraindo outros investimentos na área da saúde.
– Clubes da cidade, como Sociedade Ginástica, Grêmio Atiradores e Sociedade Aliança, assim como NH Hall, OK Center e U Club, promovem e são sedes de dezenas de shows e eventos regionais, nacionais e internacionais. E ainda tem as sociedades de Lomba Grande, assim como os CTGs.
– Novo Hamburgo se tornou um vigoroso polo gastronômico, com operações de destaque regional e estadual.
– Lomba Grande ganhou seu primeiro roteiro profissional: Rota Turística Caminhos da Lomba Grande. O Parcão e o Parque Floresta Imperial são duas preciosidades verdes, de lazer, esporte e diversão para a comunidade.
– Espaços como a Fundação Scheffel, Hotel Swan e Locanda Hotel recebem dezenas de eventos culturais e empresariais por ano, movimentando milhares de pessoas. É uma cidade de museus, galerias de arte e muitos eventos de rua.
– O bairro Hamburgo Velho é uma relíquia histórica, arquitetônica e cultural, recebendo novos empreendimentos de diferentes matizes econômicas.
– Entidades como ACI, CDL e Sindilojas contam como milhares de associados e alavancam setores produtivos do município.
– Entidades nacionais do setor calçadista como Abicalçados, Assintecal e IBTeC mantêm suas sedes em Novo Hamburgo.
– A cidade recebe grandes empreendimentos imobiliários de diferentes segmentos.
– O município é um celeiro na formação de atletas, muitos deles campeões nacionais e internacionais em diferentes modalidades – a UJR Futsal é apenas um entre tantos exemplos.
– A cidade é sede de muitas indústrias, comércios e prestação de serviços, empregando dezenas de milhares de pessoas.
O X DA QUESTÃO
Se Novo Hamburgo é tão próspera e desenvolvida, que cidade é essa que, segundo os candidatos, está quebrada, arrasada, no fundo do poço, em situação terrível, dramática e quase irrecuperável?
O X da questão é diferenciar os negócios da cidade e a gestão da administração/Prefeitura.
A cidade, suas empresas, seu povo, seus negócios, seus empreendedores é uma coisa. A Prefeitura, o Poder Público é outra coisa.
O Poder Executivo está com dificuldades, sim. O endividamento do Poder Público aumentou. A cidade precisa achar soluções para investir mais e melhor.
Mesmo com um orçamento de cerca de R$ 2 bilhões por ano, a cidade está deficiente em várias áreas. O segundo mandato de Fátima Daudt foi fraco, deixando a desejar em várias pautas – a condução das enchentes de forma fria e distante provocou a ira e a indignação de milhares de hamburguenses.
O fato objetivo é esse: a cidade de Novo Hamburgo segue sua caminhada empreendedora e de desenvolvimento. Já o Poder Público/Prefeitura enfrenta dificuldades e vai precisar se ajustar para tantos compromissos assumidos.
Os candidatos usaram dessa falácia na campanha. O jornalista busca fatos para informar a realidade.
























