No começo de 2023, o empresário Paulo Kopschina estava com o carro carregado para uns dias de lazer e descanso. Destino: Santa Catarina.
Então, poucas horas antes da viagem, ele recebeu um telefonema com uma missão: ser o diretor-geral interino da Companhia Municipal de Urbanismo (Comur) e auxiliar na implantação do estacionamento Rotativo Digital – que estava recebendo muitas críticas da população.
Ex-vereador e ex-presidente da ACI, Kopschina avisou a esposa que tinha uma missão inesperada e de relevância. Eles retiraram a bagagem do carro e adiaram o passeio para as praias catarinenses. Como um soldado a serviço de um batalhão, foi para a linha de frente ajudar a aperfeiçoar o Rotativo Digital.
À época, escrevi um artigo: “Paulo Kopschina, bombeiro e coringa de Fátima Daudt”. No texto, destaquei uma manifestação da prefeita: “Experiente, Paulo Kopschina é do setor do comércio varejista e da área central de Novo Hamburgo. Portanto, tem uma compreensão da situação do segmento e do centro”, afirmou.
O artigo de janeiro de 2023 pode ser relembrado aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
MUDANÇA
Eis que, o então bombeiro e coringa de Fátima Daudt, agora, passa a ser um potencial concorrente para a sucessão da prefeita.
Após atritos internos dentro do MDB, Kopschina e o vereador Inspetor Luz deixaram o partido – que foi a escolha de Fátima quando ela saiu do PSDB. Antes disso, Kopschina foi demitido do seu posto na Comur – aquele cargo que ocupou para ser bombeiro do governo. O pivô desse rolo foi a indicação para a pré-candidatura da sigla para a Prefeitura de Novo Hamburgo.
Fátima Daudt e algumas lideranças locais e estaduais do MDB queriam Tânia Terezinha da Silva – ex-prefeita de Dois Irmãos, ex-presidente da Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo e atual integrante do governo hamburguense. Já outros integrantes do MDB estavam propondo uma disputa interna para definir o indicado.
Prevaleceu o nome de Tânia – que passou a ser a pré-candidata a prefeito pelo MDB. Essa atitude provocou uma revolta em integrantes mais antigos do MDB, que deixaram a sigla. Fátima, recém chegada, ficou; militantes do MDB por décadas saíram.
Sem partido, Kopschina vem sendo cortejado por outras siglas. Republicanos – do ex-vice-presidente e atual senador Hamilton Mourão – e PL – do ex-presidente Jair Bolsonaro – já fizeram suas aproximações e ofereceram a possibilidade dele sair candidato a prefeito pelas siglas. Por enquanto, sem definições.
O fato é que Kopschina, que foi conselheiro de Fátima em momentos delicados, como na pandemia, tem potencial para ser concorrente direto da indicada da prefeita em outubro de 2024.
PATRÍCIA BECK
Esta não é a primeira ruptura impactante na trajetória política de Fátima. Outros dois casos se somam ao de Kopschina e chamam a atenção.
O primeiro foi a relação com a ex-vereadora Patrícia Beck (PP). Em 2017, Fátima assumiu como a primeira prefeita eleita na história de Novo Hamburgo e Patrícia Beck foi a segunda mulher presidente a Câmara de Vereadores. Elas foram aliadas na campanha e começaram o governo alinhadas.
Contudo, após alguns meses, houve o rompimento. E, de antiga aliada, Patrícia passou a ser uma das vozes mais fortes de oposição à prefeita. Foram episódios conturbados, com a ex-vereadora seguidamente subindo o tom na fiscalização de atos do Executivo.
Em agosto de 2017, uma reportagem do Portal Martin Behrend destacou atritos que estavam acontecendo: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…
LUCAS REDECKER
Mais adiante, a ruptura foi com o deputado federal Lucas Redecker (PSDB). Ele foi um grande cabo eleitoral da prefeita na campanha. E deu suporte e orientações no começo do governo. A esposa de Redecker trabalhou na equipe de Comunicação da Prefeitura e era de confiança da prefeita – é jornalista formada.
Com o tempo, contudo, o desgaste foi ocorrendo. Há alguns anos, Fátima e Lucas se tornaram distantes. Acabou a relação amistosa e alinhada entre eles. Tanto que Fátima deixou o PSDB de Redecker e foi para o MDB. Os partidos seguem dando sustentação ao governo, mas dentro de um ambiente estremecido e de ruídos. Conflitos envolvendo projetos políticos para o futuro seriam o estopim do afastamento.
ESTILO PRÓPRIO
O que pode explicar os desgastes de Fátima com aliados de primeira linha?
Conversando com pessoas próximas, parte da explicação está num estilo próprio da prefeita. É o olhar de quem vem da iniciativa privada e não chegou com os vícios da carreira política.
Um exemplo: lideranças dos partidos aliados ao governo municipal não ficam tão contentes quando secretários municipais sem filiação partidária estão ocupando cargos. Roberto Jungthon (Segurança), Roberta Gomes de Oliveira (Desenvolvimento Urbano e Habitação), Daniel Becker (Esporte e Lazer) e Paraskevi Bessa-Rodrigues (Desenvolvimento Econômico), por exemplo, não têm histórico de militantes partidários. Foram indicados por qualificação técnica – e, naturalmente, relacionamento de confiança.
O fato de ocupar cargos importantes com nomes técnicos, sem necessariamente ceder para interesses partidários, ajuda nesse desgaste. Alguns partidos, como se sabe, colocam em segundo plano a qualificação de secretários, diretores e outros CCs: eles querem distribuir cargos e salários. Não interessa se os quadros técnicos estão ajudando a melhorar a cidade, tem militante pedindo cargo por ter balançado bandeira na campanha.
No caso da ruptura com o MDB, até hoje pessoas mais próximas não entendem como Fátima foi escolher essa casa ao sair do PSDB. O MDB, que já foi o grande partido da cidade, vem envelhecendo a cada ano. Basta ver a apagada atuação do Inspetor Luz – que deixou a sigla – e de Gerson Peteffi para ver como o partido vai envelhecendo. Da eleição passada, onde foram quatro vereadores, o MDB, neste momento, tem um.
Embora fosse aliado da prefeita no MDB, Kopschina não era visto como a liderança capaz de renovar a sigla que mandou na cidade por muito tempo. Foi com o olhar de renovação que Fátima Daudt acabou se posicionando por Tânia, deixando de lado o antigo bombeiro e coringa.
Uma outra explicação para esse desgaste com antigos aliados tem relação com o fato de Fátima está preparando o terreno para novos projetos na política. Dessa forma, vai mexendo e costurando alianças que, ali na frente, poderão ajudar a alavancar uma candidatura para outros cargos. Com esse olhar de quem vai precisar de suporte para se lançar na região, a prefeita também vai fazendo suas escolhas e trilhando seus caminhos – nem que, para isso, tenha de estabelecer estas rupturas traumáticas.
O tabuleiro político em Novo Hamburgo vai esquentando com a proximidade das eleições municipais.

























