25 de julho de 1824 – 25 de julho de 2024. Bicentenário da Imigração Alemã.
O Portal Martin Behrend celebra os imigrantes alemães!
Faltam menos de seis meses para o 25 de julho de 2024, a data que marca o Bicentenário da Imigração Alemã.
São Leopoldo é o berço da colonização alemã, quando chegaram pelo Rio dos Sinos e desembarcaram os primeiros imigrantes, em 25 de julho de 1824.
Novo Hamburgo também é protagonista desta história, acolhendo em suas terras as primeiras levas de imigrantes.
Ao longo das décadas, Novo Hamburgo sempre reconheceu e valorizou o legado dos imigrantes alemães.
Contudo, diante de algumas situações, vem a pergunta: Qual vai ser o legado dos 200 anos? Qual vai ser o marco que ficará para as futuras gerações?
100 ANOS
Nos 100 da imigração alemã, foi realizada a Exposição Industrial do Centenário, na atual área da Praça 20 de Setembro, no Centro. Além de celebrar o centenário, a intenção era mostrar a pujança do então 2º distrito de São Leopoldo. Já havia o movimento pela emancipação e a Exposição Industrial foi mais uma jogada estratégica rumo à independência. O governador Borges de Medeiros veio prestigiar as celebrações.
Foram mais de 200 pavilhões erguidos na Praça 20 de Setembro, demonstrando a pujança e a diversificação econômica da localidade. Foram erguidos um palco, banheiros, restaurante e espaço para abrigar animais. Novo Hamburgo celebrou com força o centenário e impulsionou sua caminhada para se tornar município.
Na foto abaixo, se encontra o tipógrafo Hans Behrend – de terno branco – junto dos pavilhões dos expositores. Behrend veio com seus pais da Alemanha, em 1880, chegando com apenas 4 anos no Brasil. Ele foi um dos fundadores, ao lado de Leopoldo Petry, do primeiro jornal do município de Novo Hamburgo: O 5 de Abril.

Nos 100 anos da imigração alemã, também foi lançada a pedra fundamental do Monumento ao Imigrante, que se encontra dentro da Sociedade Aliança. Ele foi bem mais imponente que o monumento dos 100 anos construído em São Leopoldo. Era mais um sinal da pujança da localidade.
O Monumento ao Imigrante de Novo Hamburgo foi inaugurado em novembro de 1927, ano de emancipação do município, e figura no coração da bandeira da cidade exatamente pela relevância e orgulho do legado dos imigrantes alemães.
Ele é aberto à visitação em horário comercial, com acesso gratuito.

150 ANOS
A celebração dos 150 anos da imigração alemã marcou a realização de um evento inédito na cidade: a Grande Exposição Comemorativa ao Sesquicentenário da Imigração Alemã no Brasil, Sesquibral. Era uma maneira de homenagear o legado de trabalho e dedicação dos imigrantes, que começaram do nada grandes empresas.
E por que o nome Sesquibral?
Sesqui = Sesquicentenário (150)
Br = Brasil
Al = Alemanha
Os pavilhões da Fenac abrigaram um grande evento, com mais de 100 expositores de poderosas marcas com origem ou conexão com a Alemanha. A inauguração do evento contou com a presença do presidente da República, Ernesto Geisel, três ministros de Estado – entre eles o da Fazenda, Mário Henrique Simonsen – e o governador Euclides Triches, entre outras autoridades.
Centenas de crianças hamburguenses, com bandeiras do Brasil e da Alemanha, fizeram a recepção ao presidente da República. Ele circulou pelos estandes das empresas expositoras na Fenac.
No estande do Grupo Strassburger, foi criada uma verdadeira galeria de arte com obras de Ernesto Frederico Scheffel, que já vivia em Florença, na Itália, mas fez questão de prestigiar esta significativa data. Foi um retorno especial de Scheffel em razão da relevância dos 150 anos.
Geisel ainda ingressou nos estandes da Tecelagem Sperb, Gerdau, Volkswagen, Metalúrgica Staiger, Porcelanas Schmidt e da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).
É também legado dos 150 anos – e da Sesquibral – o início da mobilização para a criação da Fundação Ernesto Frederico Scheffel e a preservação do Centro Histórico de Hamburgo Velho. A presença de Scheffel, a admiração por suas obras, o sentimento de preservação das origens do município e a recuperação arquitetônica de prédios da região tiveram um impulso infreável, se tornando realidade nos anos seguintes.
O acervo abaixo – fotos e documentos – é da família de Ernesto João Schmidt. Ele atuou diretamente na coordenação do Sequibral. São fotos, ofícios, discursos e recortes de jornais que exemplificam a grandeza e o orgulho com a realização do evento em Novo Hamburgo. Nas fotos, destaque para a presença do então prefeito de Novo Hamburgo, Miguel Schmitz.
Também vale registrar trechos do discurso de Ernesto João Schmidt no dia da abertura da Sesquibral e na presença de Geisel:
“Neste Vale do Rio dos Sinos, há precisamente 150 anos, iniciou-se a grande epopéia da colonização germânica. Um punhado de homens e de mulheres decididos, largado em meio à mata, sem outros recursos que não a habilidade de suas mãos e a força de seus braços, impulsionado pela fé inquebrantável no futuro, num lavor incessante, vencendo todas as dificuldades do meio adverso, aqui implantou a civilização…
… Com invulgar tenacidade, foram plantando a roça e construindo currais, oficinas, igrejas, escolas, cidades. E o futuro por eles sonhado, o legado que nos deixaram é o presente que hoje vivemos…”
“… Nunca será demais ressaltada a contribuição do imigrante germânico para a formação da nacionalidade brasileira, tal o seu vulto…”



O resumo da história: de tão relevante, os festejos dos 150 anos da imigração alemã atraíram para Novo Hamburgo o presidente da República a fim de prestigiar uma exposição com dezenas de empresas participantes. O Sesquibral fez história!
E OS 200 ANOS?
Qual vai ser o marco dos 200 anos em Novo Hamburgo? Qual marca a comunidade e também o Poder Executivo, liderado pela prefeita Fátima Daudt (MDB), vão deixar do Bicentenário?
Até agora, se sabe muito pouco das celebrações. Existem duas ações concretas: a revitalização do Monumento ao Imigrante, melhorando a acessibilidade, a iluminação e criando um pequeno museu interno, e a Hamburgerberg Fest, em maio, em Hamburgo Velho.
Nesta semana, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Novo
Hamburgo (CDL-NH),
Leonardo Lessa, visitou o cônsul-geral da Alemanha em Porto
Alegre, Marc
Bogdahn. Lessa esteva acompanhado do secretário de Cultura de
Novo Hamburgo,
Ralfe Cardoso, e da produtora cultural, Luana Khodja. Eles foram apresentar os projetos que estão em busca de captação de recursos envolvendo a data.
Em artigo anterior, o editor do Portal Martin Behrend registrou sua inquietude com um viés ideológico dentro da Prefeitura, especialmente na área cultural, com a intenção de diminuir ou abafar os 200 anos. Será que esse vai ser o legado, uma festa acanhada, sem marcos históricos? Nos 100 anos e nos 150 anos, foram eventos pujantes e memoráveis. E, agora, o que ficará nos 200 anos?
A quem interessa diminuir o legado e a inquestionável contribuição dos imigrantes alemães? O artigo do jornalista Martin Behrend pode ser lido aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
Já na sexta-feira (2), o jornalista Martin Behrend participou do programa Domínio Público da TV Câmara de Novo Hamburgo. A convite do jornalista Jaime Freitas, Behrend novamente salientou sua preocupação com a falta de mobilização e destacou o quanto os imigrantes alemães precisam ser lembrados e destacados. A memória dos imigrantes merece uma permanente valorização.

























