Em 25 de julho de 2024, vão se completar 200 anos da chegada dos primeiros imigrantes alemães em São Leopoldo, através do Rio dos Sinos.
A data de 25 de julho de 1824 é o marco zero para uma trajetória de superação, dedicação, sofrimento, mortes, perdas e a transformação da história na região, no Rio Grande do Sul e no Brasil.
A presença dos imigrantes alemães provocou impacto incalculável, com um legado que se perpetua até hoje na economia, cultura, esporte, religião e outros setores da sociedade.
Neste contexto, duas das cidades que acolheram os primeiros colonos alemães, São Leopoldo e Novo Hamburgo, deveriam estar liderando um movimento para eternizar o bicentenário da imigração alemã. Até porque, no centenário de 1924, os festejos foram marcantes e impactantes – um dos desdobramentos foi a emancipação de Novo Hamburgo.
Na prática, contudo, o que se percebe nestas duas cidades, a partir do movimento de suas prefeituras, são eventos confusos e dispersos. Faltam sete meses para o bicentenário. Tem muita teoria e reunião, mas pouca coisa prática.
O que está acontecendo nas prefeituras de São Leopoldo e Novo Hamburgo? O que tem por trás das áreas da cultura dos governos de Fátima Daudt (MDB) e Ary Vanazzi (PT)?
Será que os gestores municipais da cultura identificados com ideologias com viés de esquerda querem diminuir ou boicotar os 200 anos da imigração alemã? Seria uma xenofobia histórica com esse povo dedicado, trabalhador e lutador?
Eu faço o questionamento acima a partir de relatos de integrantes das comunidades hamburguense e leopoldense. Há incômodo e ruído com um aparente sufocamento do que verdadeiramente representa esta data. A imigração alemã precisa ser reverenciada, reconhecida e lembrada como um marco fundamental para o desenvolvimento do Estado e do país. Todo o sofrimento e a superação que este povo teve para alavancar comunidades é feito para servir de exemplo para as atuais e futuras gerações.
Pelo perfil dos agentes da cultura nos dois municípios, se observa movimentos para reduzir o protagonismo dos imigrantes alemães. Querem dar destaque para outras raças, etnias, culturas. Sim, nosso país é formado por muitos povos. Essa mescla cultural é rica e única. Inquestionável essa ímpar miscigenação. Mas esta é uma data para reverenciar a epopeia da imigração alemã. O que se percebe, de forma velada, é uma forma de preconceito e discriminação com a longa jornada dos imigrantes alemães.
Reuni abaixo alguns aspectos e observações envolvendo a contagem regressiva para o bicentenário da imigração alemã. Os fatos reforçam a inquietação de parte da população com o que vem ocorrendo:
– Em 29 de julho de 2022, a Prefeitura de Novo Hamburgo divulgou uma notícia: “Novo Hamburgo institui Comissão Oficial para os festejos dos 200 Anos da Imigração Alemã”. A matéria oficial pode ser relembrada aqui: https://www.novohamburgo.rs.gov.br/noticia/novo-ha… .
Ocorre que, após um ano e meio, não se tem mais notícias desta comissão. Consultei a Prefeitura, que informou o seguinte: “A Secretaria Municipal de Cultura (Secult) explica que a proposta do encontro foi reunir representantes das mais variadas instituições da cidade e chamar atenção para o Bicentenário da Imigração Alemã em Novo Hamburgo. A partir deste encontro, as ações ganharam corpo e as atividades alusivas às comemorações devem ser anunciadas no início do ano. Ao mesmo tempo, o Projeto de Restauro do Monumento ao Imigrante segue em captação de recursos.”
Não se sabe o que houve com a comissão, qual será a programação, o que está sendo pensado. Comissão para inglês ver – ou, melhor, para alemão ver…
– Um movimento interessante na cidade é o projeto de revitalização do Monumento ao Imigrante – que foi construído para celebrar o centenário. O Portal Martin Behrend destacou essa iniciativa, que pretende qualificar o ponto turístico: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… Agora, uma constatação: é função da Prefeitura manter em dia este patrimônio histórico. Então, a revitalização nada mais é do que uma obrigação da Prefeitura.
– Nos bastidores, apurei que agentes públicos – atuando dentro da Prefeitura – não se entusiasmaram com a evolução do projeto do Monumento do Bicentenário, também divulgado pelo Portal Martin Behrend: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… . E este projeto inédito, que passeou por tantos locais relevantes, como museus e entidades, não vai sair do papel.
– Sobre São Leopoldo, a São Leopoldo Fest é tudo – menos uma festa germânica. As fakes casinhas enxaimel soam como um deboche sobre como retratar a cultura alemã.
– São Leopoldo realizou o Concurso Cultural do Monumento do Bicentenário em São Leopoldo. O projeto vencedor foi “Monumento Diversidade em 200 anos”, com autoria de Vinicius Vieira de Souza, de Porto Alegre.
Observem os critérios para avaliar o monumento que vai celebrar os 200 anos da imigração alemã: “A diversidade: compreender que a diversidade multiétnica dos povos (povos originários, afro-brasileiros, imigrantes – portugueses e alemães, dentre outros, que constituem a identidade leopoldense; O pluralismo: onde há a convivência dentre muitas crenças religiosas, como o catolicismo, o protestantismo, a matriz africana, o xamanismo, dentre outros.
– No começo deste mês, o advogado e escritor João Darzone escreveu artigo com críticas à falta de preocupação de São Leopoldo em cuidar da sua história. Ele escreveu: “À medida que nos aproximamos dos 200 anos de imigração alemã em 2024, São Leopoldo parece ter esquecido o convite para a própria festa.” O artigo pode ser lido aqui: https://revistanews.com.br/2023/12/07/bicentenario… .
– E o que dizer sobre o descaso e a omissão com a histórica Casa da Feitoria, que teve uma parte ruindo vergonhosamente, em 2019: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
– Há alguns anos, o 25 de julho passou a ser a data para comemorar o Dia da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha ao redor do planeta. Data importante para reflexões. Nos governos do PT no Vale do Sinos, essa data tem igual ou maior peso que a celebração da chegada dos imigrantes alemães. Basta ver os prêmios e atividades que ocorrem. Em 2014, no governo do petista Luis Lauermann, o Portal Martin Behrend registrou a preferência do governo do PT pela data a ser patrocinada com dinheiro público: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… Ficou escancarada a questão ideológica.
Será que, em 2024, os patronos das Feiras do Livro das cidades serão escritores que valorizam a imigração alemã? Ou será que vão discriminar esses autores, deixando em segundo plano?
SELOS
Existem alguns movimentos do poder público na região e no Estado, mas até agora soam mais protocolares do que objetivos.
O governo do Estado lançou um selo comemorativo aos 200 anos – e que gerou críticas pela sua proposta de querer diminuir o protagonismo dos alemães: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…
A Associação dos Municípios do Vale Germâmico (Amvag) também lançou seu selo e foi muito feliz na sua proposta, bem melhor que o governo do Estado e valorizando a história dos imigrantes: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…
A Assembleia Legislativa fez uma celebração na contagem regressiva dos 500 anos, mas de forma isolada: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
INICIATIVA PRIVADA
A mais importante e efetiva movimentação relacionada ao bicentenário da imigração alemã vem da iniciativa privada de diferentes regiões gaúchas. Valores culturais, como a gastronomia e a culinária, ganham uma dimensão estadual e nacional através das cervejas artesanais. Cervejarias estão preparando rótulos e produções especiais de suas melhores bebidas.
Os Festivais de Kerb e festivais culturais se qualificam e reforçam as raízes da imigração alemã. Em Novo Hamburgo, a Hamburgerberg Fest de 2023 foi transferida para 2024 exatamente para se aproximar da data festiva de 25 de julho.
Empresas de comunicação, como Grupo Sinos, Rádio União, Vale TV e Portal Martin Behrend, por exemplo, estão se mobilizando e criando produtos, projetos e noticiário para celebrar os 200 anos da imigração alemã.
Em Dois Irmãos, tem um relógio em área central na contagem regressiva para os 200 anos.
VAI TER FESTA, SIM!
Existem movimentos em Novo Hamburgo e São Leopoldo – alguns claros, outros mais discretos – para diminuir ou boicotar os 200 anos da imigração alemã. Os sinais estão aí. Basta ver a tentativa de sufocar e confundir o protagonismo dos imigrantes.
Faltando sete meses, fica o recado a alguns gestores públicos: não precisa mais disfarçar preconceito e xenofobia, vai ter 200 anos da imigração alemã!
A alegria das bandinhas e o sabor dos bolinhos de batata e do chope vão se somar à enorme contribuição na educação, no esporte, na arquitetura, no espírito trabalhador e desbravador desse povo.
Vai ter comemoração. Vai ter muito chope com receita de origem alemã para brindar essa trajetória. O legado desse povo é gigante. E vai ser honrado. Ah, com certeza, vai ser honrado e festejado!
Wir werden die deutschen Einwanderer feiern! Auf geht´s!

























