O Grupo Wolfstore, com sede no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, vem sendo acionado judicialmente por credores.
O Portal Martin Behrend teve conhecimento da situação a partir do envio por empresários da região de uma reportagem publicada pelo portal Preservacred, no dia 29 de setembro. A matéria tem como título: “Grupo Wolfstore obtém suspensão de execuções de sete credores; passivo declarado é de cerca de R$ 55 milhões”.
A matéria explica que: “A Vara Regional Empresarial de Novo Hamburgo (RS) suspendeu em 28/09/2026, por até 60 dias, as execuções de sete credores do Grupo Wolfstore, fornecedor de tecidos para a indústria calçadista, que declara passivo de cerca de R$ 55 milhões… O juiz suspendeu por até 60 dias as execuções dos sete credores convidados e sustou a apreensão de uma máquina e de matérias-primas.” Os credores mencionados são do sistema financeiros – bancos e fundos.
A decisão citada acima foi assinada pelo juiz Alexandre Kosby Boeira, da Vara Regional Empresarial da Comarca de Novo Hamburgo.
MOTIVOS APONTADOS
Fundada em 1995, a empresa fornece materiais como soluções têxteis, forros e avessos para a indústria de calçados, bolsas e acessórios. O grupo tem unidades em outros Estados e teve um faturamento bruto de cerca de R$ 85 milhões em 12 meses.
Na defesa do Grupo Wolfstore, foram apontadas três situações que impactaram diretamente os negócios dos dois anos:
– Incêndio em unidade no bairro Canudos, em fevereiro deste ano. Conforme a empresa, foi um prejuízo da ordem de R$ 10 milhões e não tinha cobertura de seguro. O portal ABC+ noticiou o incêndio: https://www.abcmais.com/brasil/rio-grande-do-sul/vale-do-rio-dos-sinos/novo-hamburgo/apos-madrugada-de-combate-ao-fogo-bombeiros-seguem-atuando-em-industria-incendiada/ ;
– Tarifaço de Donad Trump, impactando diretamente calçadistas brasileiros clientes da Wolfstore, que tiveram redução nos pedidos;
– Alta da taxa Selic, que encareceu o crédito.
O Portal Martin Behrend também conversou com especialistas do setor. Duas fontes avaliaram que uma mudança de tendências e materiais que passaram a ser utilizados pelas empresas calçadistas em suas coleções, com impactos diretos na especialidade da Wolfstore, também pode ter reduzido a produção e os pedidos.
Não há previsão de demissões a curto prazo. O Portal Martin Behrend fez contato por telefone com a empresa, recebendo orientação de enviar mensagem por WhatsApp. O espaço segue à disposição da empresa para atualização a situação.
A matéria completa do portal Preservacred pode ser conferida aqui: https://preservacred.com.br/noticias/grupo-wolfstore-tutela-cautelar-deferida-2026
CERTIFICAÇÃO
Enquanto luta para manter sua produção superando estes desafios, a Wolfstore recebeu, no final de setembro, a recertificação no Origem Sustentável. A cerimônia aconteceu na sede da companhia, em Novo Hamburgo, e contou com a participação da equipe da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) e da diretoria do grupo.
Certificada no nível Prata do programa (mais de 40% dos indicadores atingidos), a Wolfstore vem avançando nas práticas ESG. “Essa trajetória ganhou mais um importante reconhecimento com a conquista da certificação Origem Sustentável, que reforçou o nosso compromisso com uma atuação responsável nos pilares ambiental, social, cultural e econômico”, afirmou Braulio Wolff, CEO do grupo, na oportunidade da entrega do reconhecimento.
Segundo Wolff, a certificação representa “mais do que um selo: é uma ferramenta de aprendizado, evolução e melhoria contínua”. Para o empresário, o processo permite avaliar as práticas adotadas pela empresa, identificar oportunidades de aperfeiçoamento e desenvolver ações para reduzir impactos. Tudo isso, acontece na esteira da evolução da cadeia produtiva no que diz respeito à sustentabilidade. “Percebemos clientes, fornecedores e parceiros cada vez mais envolvidos na construção de relações responsáveis e no atendimento a requisitos legais, trabalhistas e ambientais”, acrescenta.
No contexto das práticas ambientais, a Wolfstore se destaca pela destinação adequada de 100% dos resíduos gerados nas suas operações, priorizando o reaproveitamento dos materiais. “Quando isso não é possível, utilizamos alternativas como a blendagem destinada ao coprocessamento”, conta Wolff.
No âmbito social, entre diversas iniciativas, a empresa reporta doações de tecidos e outros materiais para escolas, igrejas e instituições, contribuindo para projetos da comunidade e para o aproveitamento consciente desses recursos. Essa atuação vem sendo ampliada ao longo dos últimos anos, fortalecendo o compromisso social da Wolfstore. “Em 2024, atingimos nossa meta de doações de tecidos e, em 2025, esse número mais que dobrou. Esse resultado demonstra a evolução das nossas iniciativas e reforça nosso compromisso de ampliar continuamente essas ações e nossa contribuição para a comunidade”, conclui.
O PROGRAMA
Criado pela Assintecal em parceria com a Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Calçados (Abicalçados) em 2013, o Origem Sustentável é o único programa do gênero em âmbito mundial.
A iniciativa é baseada nas melhores práticas internacionais de sustentabilidade, seguindo a diretriz de 104 indicadores distribuídos em cinco dimensões: econômica, ambiental, social, cultural e gestão da sustentabilidade.
As categorias certificadas são: Diamante (+80% dos indicadores alcançados); Ouro (+60%); Prata (+40%) e Bronze (+20%). As auditorias são realizadas por órgãos independentes como SENAI, SGS, ABNT, Intertek e Bureau Veritas. Atualmente, mais de 110 empresas da cadeia produtiva do calçado são certificadas ou estão em processo de certificação. As renovações acontecem a cada dois anos.
