Professores estaduais farão greve. Sartori segue humilhando quem ensina as crianças gaúchas

Por princípios, sou contra greves e bloqueios. As badernas
costumam prejudicar quem nada tem a ver com este tipo de protesto. Não
considero justo prejudicar terceiros para reivindicar interesses pessoais ou
restrito a alguma categoria. Só que no Rio Grande do Sul a situação passou dos
limites. Já são 20 parcelamentos de salários dos servidores do Executivo desde
janeiro de 2015. Em Assembleia Geral
nesta terça-feira, educadores decidiram por greve até sexta-feira (04.08),
quando haverá nova assembleia para definir os rumos da paralisação. O
movimento é coordenado pelo CPERS Sindicato.

Aqui não está se discutindo alguns marajás do funcionalismo
público nem premiações que transformaram alguns servidores inativos em pequenos
milionários. O fato é que os servidores da educação e da segurança pública, por
exemplo, trabalham por 30 dias e têm o direito básico, elementar, justo e inquestionável
de receber em dia os respectivos vencimentos.

O governador José Ivo Sartori (PMDB) aplicou Tarifaço e tornou a vida dos gaúchos ainda
mais cara. Sartori ganhou a possibilidade de protelar o pagamento da dívida com
a União. Sartori está tendo uma safra agrícola maravilhosa, com aumento da
geração de tributos no agronegócio. Mesmo com tudo isso e a caminho de três
anos de mandato, ele não consegue pagar em dia os salários dos servidores.

O secretário estadual da Fazenda, Giovani Feltes (PMDB), usa
da sua retórica e eloquência para dramatizar a situação das finanças gaúchas. É
de conhecimento que falta dinheiro para honrar todos os compromissos. Contudo,
o que se espera de governantes comprometidos é capacidade de buscar soluções.

O que esperar do ensino e do trabalho de professores que,
por 20 meses, recebem seus salários atrasados? Os professores atrasam contas,
deixam de quitar o aluguel, pagam juros, pedem empréstimos, perdem o sono tentando
se virar. E são esses profissionais humilhados por Sartori que irão enfrentar
escolas sucateadas, alunos agressivos, salas de aula detonadas. Oferecendo aos
professores um ambiente hostil e nada convidativo, o governo estadual pretende
transformar a educação das crianças e adolescentes gaúchos.

A greve é um grito de desespero. De quem é maltratado pelo
governo Sartori e pelo homem de cofre, Giovani Feltes. Atrasar por 20 meses os
salários é criminoso. Aliás, a criminalidade começa onde não se tem educação e
ensino valorizados. A violência é um dos resultados objetivos da epidemia de
parcelamentos do governador gaúcho.

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