Policial civil eleitor de Tarso Genro sai em defesa do atual secretário estadual de Segurança Pública

O secretário estadual da Segurança Pública, Wantuir Jacini, vem sendo alvo, nos últimos dias, de críticas pesadas a respeito de uma declaração. Durante entrevista concedida à Rádio Gaúcha, Jacini trouxe a seguinte reflexão:

“Antigamente, o pai era apenas o provedor do lar, e a mãe ficava fazendo a educação. Hoje, a mãe sai para prover o lar também, e as crianças ficam sozinhas, ficam na rua, à mercê de todos os criminosos, principalmente nas periferias e nas comunidades.

A mãe tem todo o direito de sair para trabalhar, só que a educação dos filhos tem de ficar com pessoas responsáveis. Não é atribuição da segurança pública fazer esse papel. O papel é cuidar da segurança criminal. A violência social é falha ou falta de outros setores, mas sempre cobram das policias.”

Bastou essa declaração para que alguns gaúchos – muitos nem ouviram a entrevista – começassem a espalhar e dinfudir a tese de que a culpa da violência no Estado, segundo Jacini, seria das mulheres, que começaram a trabalhar fora do lar. E dá-lhe porrada no secretário.

Incomodado com essa patrulha, um policial civil enviou e-mail para o blog. E trouxe o seu ponto de vista a respeito do sentido das palavras do secretário estadual:

"Sou inspetor de polícia aposentado, tendo trabalhado em Caxias do Sul nos meus últimos 16 anos, sendo que na reta final (três anos), na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), na seção de denúncias. Votei no Tarso Genro em outubro do ano passado e sou luterano não praticante.

Entendo a declaração do sr. secretário. Ao afirmar que a falta de uma mãe presente seria a origem dos problemas atuais de violência, ele não quis fazer uma apologia ao machismo, tampouco justificar sua inépcia. Ao se expressar, o sr. secretário, político que é, quis explicar em poucas palavras, a falta de estrutura familiar, que é a verdadeira gênese da violência adolescente. Sem uma mãe ou um pai (até nos conceitos modernos), tenho por experiência profissional, que uma família não tem estrutura necessária para a formação da criança.

Pode até o Estado estar presente com vigor – na educação e na segurança – porém a criança, criada desta maneira será entregue sem nenhuma formação educacional, perdendo o respeito pelos valores preestabelecidos.

Foi uma declaração rápida do sr. secretário. Era obrigatório uma maior explanação, a qual deveria ter sido feita por assessores posteriormente."

Eu compactuo com o pensamento deste policial civil. E acrescento: acompanhei a palestra do secretário estadual da Segurança Pública no final de março, no Prato Principal da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI-NH/CB/EV). Na sua explanação, ele trouxe esse mesmo pensamento com a oportunidade de discorrer alguns minutos a situação.

Disse Jacini que a segurança pública tem como eixos de sustentação e aplicação três pilares: família, assistência social e a polícia. O secretário frisou que, atualmente, os dois primeiros itens estão falhando. Muitas famílias estão desestruturadas, há quebra de hierarquia e inversão de valores. Muitas famílias não estão educando e repassando princípios básicos de convivência em sociedade. Muitas famílias estão terceirizando carinho, afeto e atenção. E, completou:

esse quadro se agravou com a ida de mais mulheres para o mercado de trabalho, mas não as culpou. Pelo contrário: considerou isso positivo, no entanto, a questão da educação das crianças e o núcleo familiar ficou descoberto.

Além da questão família, Jacini lembrou que outro pilar não vem funcionando:

a assistência social por parte do Estado. Programas assistenciais, sociais, de saúde e até de qualificação profissional, por exemplo, não conseguem acolher e reabilitar

aqueles indivíduos que têm suas dificuldades. Falha, neste caso, o Estado em não abraçar estas pessoas e inseri-las num contexto de harmonia, decência

e convivência respeitosa em sociedade.

Com os eixos família e assistência social do Estado

fragilizados, onde fica acumulado o trabalho?

Nas polícias, nos policiais, na segurança pública, que ficam sobrecarregados

em função das outras situações terem falhado.

Esse é pensamento de Jacini e foi por isso que o policial civil eleitor do Tarso Genro escreveu seu e-mail. Os exageros e as falácias a respeito do tema contabilizo como disputa política.

Sair da versão mobile