Números desastrosos para o setor coureiro-calçadista

O setor coureiro-calçadista brasileiro é um dos mais
impactados pela pandemia do novo coronavírus.

Além de impedir novos negócios, a
paralisação acertou em cheio empresas que não estavam saudáveis. Com isso, o
setor experimenta semanas com números amargos e indigestos.

Num levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de
Calçados (Abicalçados), cerca de 11 mil demissões foram efetuadas pelas
empresas calçadistas nas semanas mais recentes. As indústrias gaúchas
correspondem a mais de 25% das demissões, com cerca de três mil colaboradores
desligados no Rio Grande do Sul.


EXPORTAÇÕES


Nas exportações, as
notícias também não são legais. Dados elaborados pela Associação Brasileira das
Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam que, no primeiro trimestre de
2020, foram exportados 32 milhões de pares, que geraram US$ 240,9 milhões.

Os números representam
quedas tanto em volume (-8,5%) quanto em receita (-9,4%) na comparação com
igual período do ano passado.



Considerando apenas o mês
de março deste ano, foram embarcados ao exterior 8,9 milhões de pares, gerando
US$ 74,2 milhões, quedas de 2% em pares e de 11,2% em faturamento em relação ao
mesmo mês de 2019.

A queda das vendas ao mercado norte-americano, já sentida nos últimos meses, se acentuou em março. No acumulado do trimestre, foram embarcados 2,8 milhões de pares, que geraram US$ 47,4 milhões, quedas de 28,9% e de 12,6%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2019.


ICMS

Outro dado assustador vem da Receita Estadual. De todos os
setores industriais do Estado, o coureiro-calçadista é o que mais vem sofrendo.
Está com os piores índices na arrecadação do Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS). É o setor que ocupa a lanterna do levantamento.

É fato também que muitas empresas entraram em férias
coletivas nesse período – duas ou três semanas – dependendo o caso. Nesta
semana, por exemplo, muitas retomaram suas produções.

Além disso, muitas lojas fecharam as portas, principalmente em shoppings centers. De qualquer forma, são
números impactantes.



Os números compreendem o período acumulado a partir das
primeiras medidas de quarentena adotadas no RS até a semana anterior à
publicação do relatório.


EVOLUÇÃO DAS VENDAS POR SETOR INDUSTRIAL

VARIAÇÃO DA VENDA MÉDIA DIÁRIA EM RELAÇÃO AO MESMO PERÍODO
DE 2019


Setor Coureiro-Calçadista

Semana 1 Pós Covid-19 (16/3/20 a 20/3/20) – Redução de 23%

Semana 2 Pós Covid-19 (21/3/20 a 27/3/20) – Redução de 85%

Semana 3 Pós Covid-19 (28/3/20 a 3/4/20) – Redução de 90%

Acumulado Pós Covid-19 (16/3/20 a 3/4/20) – Redução média de
67%


ANÁLISE DO RELATÓRIO

Considerando-se todo o período da crise (partir de 16/3),
observa-se que alguns dos setores industriais selecionados (“arroz”, “produtos
de limpeza”, “suínos”, “trigo”, “leite”, “aves e ovos” e “bovinos”) ainda
apresentam atividade econômica superior à observada em período correspondente
do ano de 2019.

Todavia, estes ganhos apresentam clara tendência de redução,
tanto que, em média, decresceram de 31% para 24% na última semana.



Por outro lado, os setores que já experimentavam perdas
acumuladas de 16 a 27/3, de 27%, tiveram suas vendas reduzidas em 39% no
período 16/3 a 3/4.

No que tange ao perfil dos setores, os resultados reafirmam
que os ganhos ainda estão concentrados nos setores de alimentos e higiene
(+23%) e que as perdas afetam de forma distinta as indústrias produtoras de
bens de capital, veículos, material de construção e bebidas (-28%) e as de
bens semiduráveis (-62% em média, para “têxteis e confecção” e “coureiro-calçadista”’).

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