Mais de 90% das UTIs gaúchas estão ocupadas e mais de 30 gaúchos com risco de morte esperam na fila

É o pico da pandemia do novo coronavírus no Estado. É o momento mais dramático em 11 meses.

Diante de uma ocupação superior a 90% dos leitos de UTI no Rio Grande do Sul e de números negativos que aumentam a cada novo dia, a Secretaria da Saúde (SES) acionou, nesta quinta-feira (25), o último nível da fase 4 do Plano de Contingência Hospitalar, montado no início da pandemia.

“Esta é maior taxa de ocupação até agora, uma situação de extrema gravidade, e será necessária a utilização de espaços disponíveis em cada instituição da rede hospitalar do Estado”, explica o diretor do Departamento de Regulação Estadual, Eduardo Elsade.

Além da suspensão imediata das cirurgias eletivas (com exceção das cirurgias de urgência ou que representem risco para o paciente), deverão ser instalados leitos emergenciais em salas de recuperação e em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) intermediárias.

Junto à ocupação dessas áreas a serem disponibilizadas, deverão também ser acionadas as equipes técnicas desses setores, especialmente as equipes médicas e de enfermagem

“A partir de agora, os hospitais gaúchos, entre públicos e privados, têm o compromisso de disponibilizar toda a sua estrutura para atendimento de casos de Covid-19, porque estamos na fase mais crítica, que precisa de atitudes mais drásticas”, explicou a secretária da Saúde, Arita Bergmann.

Conforme indicava o mapa de leitos no início da tarde desta quinta-feira (25), são 2.470 pacientes internados em 2.703 leitos de UTI, incluindo leitos com atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e os privados, a maior taxa de ocupação da pandemia. É uma taxa de 91,4% de ocupação – e cresce diariamente. Há uma semana, por exemplo, estava próximo de 85%.

Lembrando que, desde o início da pandemia, foram criados mais de 1.000 novos leitos de UTI, aumentando em mais de 100% a capacidade nos hospitais do Estado.

LISTA DE ESPERA

A lista de espera por leitos em UTI também só cresce. No dia 13 de fevereiro, dois pacientes em estado gravíssimo aguardavam transferência para um leito de UTI.

Nesta quinta-feira, o número de pacientes com risco de morte esperando atendimento de UTI é de 30. Outro dado preocupante é cerca de 60% dos pacientes que internam em UTIs morrem.

“Mais de 12 mil gaúchos já perderam a vida para a Covid-19, número maior do que a população de 351 municípios gaúchos. Diante desse cenário catastrófico, a necessidade seria abrir 60 novos leitos de UTI por dia, mas isso jamais será possível”, afirma a secretária Arita.

O Plano de Contingência Hospitalar foi elaborado no início da pandemia e já contou novas versões que acompanharam a evolução da pandemia. O plano é estruturado em quatro fases e cada uma das etapas sinaliza as ações e a forma como a SES deve organizar os serviços hospitalares e a movimentação da rede para acesso dos pacientes aos serviços.

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