Grêmio Estudantil elege presidente com deficiência visual. Enquanto isso, piso tátil estraga no pátio à espera de obra

Há quase dez anos, o Colégio Estadual Dr. Wolfram Metzler,
em Novo Hamburgo, apresentou projeto para executar obras de
acessibilidade.
O objetivo seria construir rampas de acesso, elevadores
internos, colocação de piso tátil, Sala de Recursos, entre outras intervenções.
Há cerca de três anos, algumas dessas obras começaram a ser realizadas.
Contudo, muita coisa nem saiu do papel e outras ficaram pela metade: tem vão
para elevador, mas não tem o equipamento; rampas foram finalizadas com
problemas; e, no pátio, estão empilhados há mais de ano centenas de unidades de
piso tátil. O material está juntando limo, trincando e estragando ao sabor do
vento. Escancarado desperdício do dinheiro público.

Num tremendo contraste com o piso tátil empilhado, quis o
destino que o Grêmio Estudantil do Wolfram Metzler elegesse como presidente para
2016 um aluno com deficiência visual. O estudante do 3º Ano do Ensino Médio, Jéferson
Saldanha da Silva, 20 anos, é cego desde os seis meses de vida
e lidera a
entidade cheio de planos a serem desenvolvidos. “Cheguei no Wolfram em 2013.
Vinha percebendo que a escola precisava colocar alguns planos em prática e, por
isso, me candidatei”, explica Silva, que é morador de São Leopoldo.

O estudante lamenta o impasse envolvendo o atraso nas obras,
em especial a colocação do piso tátil. “É algo que precisa ser feito. Não dá para
deixar mais tempo parado. É um dos compromissos que tenho”, destaca. Entre
outras metas de Jéferson Saldanha da Silva, estão a implantação da Rádio Wolfram;
grafite na escola; cobertura para segundo ginásio; e trabalho de
compostagem com restos de alimentos. “Sou um cara que gosta de trabalhar em
equipe. E, dessa forma, vamos desenvolvendo o trabalho no Grêmio”, reforça.

A diretora do Wolfram Metzler, Soedy Teresinha de Azeredo,
destaca que a luta pela acessibilidade é constante.
Ela destaca a Sala de
Recursos como um ambiente diferenciado, mas que sofre, por exemplo, com
dificuldades para acesso aos cadeirantes. “Temos obras que começaram no governo
anterior, mas pararam. Queremos poder melhorar e oferecer um ambiente com mais
segurança aos alunos com alguma deficiência”, explica. Ela relata um episódio
desagradável envolvendo um aluno deficiente visual. Sem a devida orientação no
piso, ele subiu um muro achando ser escada e caiu de altura de dois metros.
Felizmente, sem lesões graves. Enquanto isso, o piso tátil segue juntando limo
atrás da quadra poliesportiva.

Outra situação que desagrada a comunidade escolar do Wolfram
Metzler: em frente ao colégio tem uma placa do governo do Estado falando em
obras, mas não menciona valores ou datas, numa tremenda propaganda enganosa. “Vamos
seguir cobrando a realização destas obras. Temos que ter nossos direitos
observados”, finaliza o presidente do Grêmio Estaduantil, Jéferson Saldanha da
Silva. Atualmente, o Wolfram Metzler tem 1.250 alunos matriculados nos três
turnos.


ESCLARECIMENTOS DO GOVERNO DO ESTADO

A titular da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Helenise Juchem,
tem conhecimento da obra paralisada há mais de um ano. Ela lamenta profundamente
a situação e destaca que estão fazendo o possível para acelerar o processo. “Temos
a informação que o projeto para retomar as obras está em Porto Alegre, após ser liberado pela CROP”, comenta. “Vamos
ficar em cima para cobrar essa situação”, completa. A 2ª CRE fica em São Leopoldo.

O titular da 2ª Coordenadoria Regional de Obras Públicas
(CROP), engenheiro Ari Borges dos Santos,
informa que repassaram para a
Secretaria Estadual da Educação o projeto revisado com aditivos. A empresa
retomará a obra na Wolfram Metzler somente se os aditivos – acréscimo de
valores – forem aprovados. “Agora, dependemos da análise da secretaria”,
explica. A 2ª CROP fica em Novo Hamburgo.

A título de curiosidade: a 2ª CORP fica em rua lado do
Colégio Estadual dr. Wolfram Metlzer.
Após vários meses dentro da
coordenadoria, finalmente ele foi enviado para a Secretaria Estadual da
Educação. Enquanto isso, o piso tátil já comprado e entregue segue empilhado no
pátio da escola, enquanto alunos com deficiência precisam ser malabaristas para
driblar os problemas de acessibilidade. Que o exemplo de Jéferson sirva de
exemplo para que as pessoas jamais desistam de seus objetivos e, de alguma
forma, sensibilize os burocratas do governo estadual a finalizarem as obras no
colégio o quanto antes.

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