Um dos mais renomados centros da excelência na formação de trabalhadores para a indústria gaúcha pode encerrar cursos e turmas neste primeiro semestre de 2016. O Instituto Senai de Inovação (ISI) Metalmecânica – antigo Senai Cetemp –, localizado às margens da BR-116, em São Leopoldo, sofre com os reflexos da crise na economia. Das 12 turmas que estão sendo oferecidas, apenas 50% tem interessados. Só que, faltando menos de um mês para o começo das aulas, em 15 de fevereiro, apenas uma das seis turmas com inscritos tem o número mínimo de interessados. Ou seja, se o ano letivo começasse hoje, somente uma de 12 turmas teria o número mínimo exigido pela instituição. “Estamos trabalhando para alterar esse quadro, mas não está sendo fácil”, admite o diretor do ISI Metalmecânica, Ronald Dangel.
O ISI integra o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RS). Os cursos oferecidos em São Leopoldo são: Mecânica, Automação Industrial, Mecatrônica, Segurança do Trabalho, Eletroeletrônica, Qualidade e Eletrônica. A tradição da instituição, que por anos foi identificada como Senai Cetemp ou Escola de Educação Profissional Senai Plínio Gilberto Kroeff, é reconhecida pelo setor industrial. Só que as demissões em empresas em 2015 e a previsão de um ano com poucas contratações podem estar afastando novos alunos. “Tem empresas optando por contratar estagiários. Contudo, pais e estudantes precisam perceber que, ali na frente, vamos crescer novamente e a indústria vai precisar de técnicos. E deverá faltar mão-de-obra qualificada”, projeta o engenheiro e instrutor técnico Humberto Geib.
A estrutura oferecida pelo ISI Metalmecânica é semelhante a de escolas formadoras em países europeus, por exemplo. “A instituição investe em equipamentos de ponta, exatamente para dar condições do pessoal que se forma estar atualizado com os equipamentos e tecnologias praticados nas empresas”, reforça o também engenheiro e instrutor técnico Murilo Rocha. A convite de Geib e Rocha, o Blog Martin Behrend conheceu a infraestrutura oferecida no local. A conclusão é uma só: se trata de gabaritado centro de excelência e de formação trabalhadores. “Precisamos estar preparando as novas gerações para que a indústria possa seguir crescendo. Se tivermos interrupção do aprendizado, pode faltar gente e o ciclo vai se quebrar, com consequências para nosso
desenvolvimento”, completa Geib.
O desaparecimento de estudantes interessados em investir numa formação profissional já teve reflexos no ano passado, quando a instituição de São Leopoldo precisou demitir cerca de 40 colaboradores. Se o quadro não inverter, a moderna e tecnológica estrutura oferecida em dezenas de salas poderá ficar ociosa e não se descartam novos afastamentos ao longo de 2016. “Esse é o momento para buscar a qualificação. Claro que existe a instabilidade em alguns setores, mas a tendência é que o quadro se altere e as empresas precisarão contratar”, reforça o diretor, Ronald Dangel. A preocupação é tanta que existe uma equipe realizando mutirão em praias do Litoral Norte, como Pinhal, Cidreira, Imbé, Tramandaí e Quintão, a fim de divulgar os cursos oferecidos.
Além da crise econômica, o fim do Pronatec pelo governo federal trouxe impactos para o ISI Metalmecânica. A instituição teve quase três mil alunos estudando no ano passado, o que provocou um inchaço artificial. “Só que a evasão chegou a 50%. Mesmo tendo estudos subsidiados, lanche e vale-transporte, muitos jovens largaram o curso pela metade. Esse é outro dado preocupante, tendo em vista que essa geração precisa estar qualificada”, relembra Dangel. Com o fim do Pronatec, além do rombo em algumas instituições por falta de pagamento do governo federal, ainda ficou de legado índices negativos de abandono das aulas.
Quem circula pela BR-116 e contempla o ISI Metalmecânica pode conferir um vistoso prédio sendo construído. Esse é um investimento planejado há dois anos, num pacote de investimentos de R$ 23 milhões dentro do ISI viabilizados pelo BNDES. Só que essa estrutura terá como foco
serviços e pesquisa. O drama do momento, contudo, envolve a escola e a formação de trabalhadores para a indústria. “Um dos objetivos é integrar essa nova estrutura com a escola. Estamos conversando com empresas, como a Stihl, por exemplo, e a com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, para ver como podemos ter uma unidade diferenciada e um aproveitamos dos nossos alunos”, completa Dangel.
O ISI Metalmecânica ou, para os mais antigos, Senai Cetemp, é mais uma vítima da falta de planejamento no crescimento do país. A instituição se preparou, pesquisou, criou alternativas, ofereceu estrutura, desenvolveu laboratórios e contratou qualificados profissionais para ministrar aulas. Mas, na gíria popular, sofreu uma rasteira pelo descontrole governamental e medidas populistas que, agora, estão pagando um alto preço. O fato é que mais alto ainda será o preço a pagar caso alguns cursos e turmas do ISI fechem as portas. É sabido que recomeçar do zero é sempre mais caro e complicado. Que tal levar seu filho para uma visita ao ISI? Ali pode estar o melhor investimento para os próximos 50 anos: garantir a qualificação para o mercado de trabalho. Contatos pelo e-mail secretaria.cetemp@senairs.org.br e telefone (51) 3904.2690.
