A cidade de Novo Hamburgo estará representada na I Mostra de Cultura Popular Afro-gaúcha, com exposição de artes
visuais, com obras de Carlos Alberto de
Oliveira, o “Carlão” e Raquel
da Silva, além da exibição dos documentários Melanina, Memórias Expostas e
Mulheres Negras, produzidos em parceria entre a Universidade Feevale e a
Coordenadoria de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial de Novo
Hamburgo e com concepção de Eduardo Tamborero.
Além de Novo Hamburgo, integram a
mostra estudiosos, artistas e produtos culturais das cidades de Santa Maria e
Porto Alegre, como Alabê Ôni, Três Marias e Maracatu Truvão.
A
MOSTRA
Entre os dias 12 e 15 de abril, serão diversas atividades
artísticas e formativas, como espetáculos de
dança e música, exposições e
intervenções de artes visuais,
exibição de produções audiovisuais e
realização de oficinas de moda, costumes, gastronomia e debates sobre tradições e saberes. A programação ocorrerá em diferentes espaços
da Universidade Federal de Pelotas
(UFPel), como no Museu do Doce, Conservatório de Música, Grande Hotel, Cine UFPel, Anfiteatro do
Centro de Artes e Auditório da
Reitoria e em outros espaços no município, parceiros em atividades e
projetos da UFPel, como o CRAS São
Gonçalo e o Ginásio Poliesportivo,
ambos no Bairro Navegantes, o Centro
Africano Pai Oxalá e Mãe Jurema – Seguidores
de Iya Neci, no Bairro Areal, e o Quilombo
Vó Elvira, no Distrito 9.
O projeto com realização da Imago Produtora, Instituto
Sócio Cultural Afro-Sul Odomode e Patuá
Comunicação Solidária foi contemplado com o Edital Pró-cultura FAC Regional, com financiamento da Secretaria de
Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer. Em Pelotas, o projeto conta com o
apoio da Universidade Federal de Pelotas
– UFPel e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura – PREC.
O evento reunirá a comunidade
acadêmica da UFPel, comunidade quilombola e a comunidade do município, levando
atividades e atrações culturais para cinco bairros diferentes e no 9º distrito
do município de Pelotas.
A programação envolve 17 grupos, artistas, pesquisadores e produtos culturais vindos de
quatro municípios gaúchos. São eles: Afro-sul Odomodê; Alabê Oni;
“Braziliano”; Carlos Alberto de Oliveira “Carlão”(in memoriam); Contramestre
Guto e Africanamente Escola de Capoeira Angola; Eduardo Tamborero; Eduardo
Tavares; Luís Flávio “Trampo”; Maracatu Truvão; Maria Iara Deodoro; Marietti
Fialho; Marina Rodrigues; Merli Leal Silva; Paulo Romeu Deodoro; Raquel da
Silva; Richard Serraria; Restinga Crew; e Três Marias.
A primeira edição da Mostra foi realizada em Jaguarão, em
2017, entre os dias 14 e 17 de setembro. As duas cidades foram escolhidas em
função de sua importância histórica para a resistência da comunidade negra.
SOBRE
OS ARTISTAS
Carlos
Alberto de Oliveira – o “Carlão”
Carlos Alberto de Oliveira (1951 – 2013), o Carlão – como
é mais conhecido, é um pintor gaúcho nascido em Novo Hamburgo. Representa um
dos nomes mais importantes das artes visuais do Rio Grande do Sul e do Brasil.
Para além de um trabalho profundamente voltado para a cultura popular e para os
acontecimentos cotidianos das pessoas, sua obra marca a história da cidade de
Novo Hamburgo. Artista de grande habilidade no desenho e na pintura retratou
cenas de trabalho e lazer de uma cidade dedicada, por muito tempo, a produção
calçadista: esteiras de fábricas, lojas, jogos de futebol, bailes de carnaval,
cenas de bar.
Representante da arte naif, participou de exposições
nacionais e internacionais. Recebeu menção honrosa na Bienal Naïfs do Brasil em
1996, em Piracicaba/São Paulo e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) possui obras suas em seu acervo. Durante o seu trabalho como funcionário
público municipal da Secretaria de Educação, trabalhou no Atelier Livre
Municipal, atualmente chamada de Escola Municipal de Arte Carlos Alberto de
Oliveira – Carlão, até a sua aposentadoria e mostrou para milhares de alunos o
seu estilo inconfundível e a força da sua pintura. Uma pintura de cores vivas,
onde imperam o amarelo, o azul, o verde e o vermelho, contornados com o traço
preto marcante. Uma obra que fez da presença de coletivos de pessoas uma de
suas marcas mais fortes e faz de todo apreciador um discípulo do valor das
coisas simples da vida
Raquel
da Silva (artista plástica, desenhista, pintora, caricaturista e
estilista)
Pinturas de guerreiros, crianças e mulheres negras de
olhos tão ativos quanto de sua criadora, habitam um pequeno atelier nos fundos
de uma casa simples, no bairro Primavera, em Novo Hamburgo. As obras da jovem
artista são referência na comunidade negra. Raquel nunca saiu do Brasil, mas
uma de suas telas já percorreu cerca de 40 países ilustrando o material de
divulgação da IV Conferência Internacional de Luteranos Negros promovida pela
Escola Superior de Teologia (EST), em outubro de 2005. Foi aluna da artista
plástica Elisabete Belotto.
Em 2004 e 2005, Raquel da Silva expôs no Fórum
Social Mundial, em Porto Alegre, e no Centro Administrativo Leopoldo Petry. Seu
trabalho não se restringe às telas. Em 2007, criou várias fantasias de carnaval
para a escola de samba Sociedade Cruzeiro do Sul. Sua obra inspirou o tema
enredo “Arte que vem da África”.
