Após dois meses de pandemia, setor coureiro-calçadista do RS tem a maior queda entre 19 setores industriais

A Receita Estadual publicou nesta quarta-feira (27) a nona edição do Boletim Semanal sobre os impactos da Covid-19 nas movimentações econômicas dos contribuintes de ICMS do Estado.

O resultado parcial da arrecadação de tributo em maio, do dia 1° ao 15, aponta redução de 34,9% (R$ 670 milhões) frente ao mesmo período de 2019.

Apesar disso, os principais indicadores de comportamento econômico-fiscal do Rio Grande do Sul seguem demonstrando tendência de retomada gradual das atividades.

“A arrecadação de maio reflete o pior momento da crise até agora, pois as receitas do mês se referem, em sua maioria, a fatos geradores de abril, período de maior intensidade das medidas restritivas. Nesse sentido, a recuperação parcial dos indicadores de atividade econômica que estamos apurando deverá repercutir na arrecadação apenas a partir de junho”, explica Ricardo Neves Pereira, subsecretário da Receita Estadual.

RANKING

O Boletim da Receita Estadual traz também o desempenho de 19 setores industriais do Rio Grande do Sul.

No período de 16 de março a 22 de maio (mais de dois meses de pandemia), sete setores registram crescimento – resultado positivo – nas vendas em 2020 na comparação com igual período de 2019:

– Suínos: 44%

– Arroz: 43%

– Trigo: 23%

– Produtos de limpeza: 17%

– Leite: 12%

– Bovinos: 10%

– Aves e ovos: 5%

NEGATIVO

No período de 16 de março a 22 de maio (mais de dois meses de pandemia), outros doze setores registram queda – resultado negativo – nas vendas em 2020 na comparação com igual período de 2019:

– Celulose e papel: -11%

– Plásticos: -15%

– Máquinas e equipamentos: -17%

– Tratores e implementos agrícolas: -18%

– Eletroeletrônico: -20%

– Madeira, cimento e vidro: -23%

– Bebidas: -24%

– Têxteis e confecções: -36%

– Móveis: – 36%

– Metalurgia: – 40%

– Veículos: -57%

– Coureiro-calçadista: – 61%

ATIVIDADES


Na última semana (16 a 22 de maio), o desempenho da Indústria passou de -7% para -14%, retornando a patamares de duas e três semanas atrás. O Atacado segue no mesmo nível de evolução, na faixa dos 13%, demonstrando estabilidade de ganhos desde abril. A variação positiva é alçada principalmente pelos atacadistas de insumos agropecuários e de alimentos.

As vendas no Varejo encontram-se no patamar de -3% de variação frente ao mesmo período do ano anterior, o que representa uma melhora frente à variação interanual registrada no boletim passado (-11%).

Com isso, os desempenhos acumulados da Indústria, Atacado e Varejo que eram, respectivamente, de -18%, -3% e -20%, foram para -18%, -1% e -19%, repetindo comportamento de recuperação observado na semana anterior.


SETOR INDUSTRIAL


O destaque da semana é o setor de Bebidas, que reafirmou a tendência de recuperação, apresentando variação positiva de 16% em comparação com o mesmo período de 2019 (no boletim anterior, 9%).

O setor de Madeira, Cimento e Vidro manteve-se entre os com resultados positivos pela terceira semana consecutiva, enquanto o de Eletroeletrônicos apresentou expressiva melhora frente aos resultados anteriores (-19% e -22% contra 6% atuais).

Na visão acumulada, os piores desempenhos continuam sendo do setor Coureiro-Calçadista (-61%) e Veículos (-57%), enquanto os melores são verificados no setor de Suínos (44%) e Arroz (43%).

DEMISSÕES

As indústrias produtoras de calçados já demitiram 9.400 colaboradores desde o início da pandemia. Os números são do levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Sair da versão mobile