Tradicional indústria calçadista do Vale do Paranhana amanhece de portas fechadas

Mais uma notícia desagradável para o setor calçadista
brasileiro. Com 44 anos de atividades, a Calçados Only – localizada às
margens da ERS-115, em Três Coroas – amanheceu de portas fechadas. No local
também funcionava uma loja da marca.

A empresa era conhecida por sua produção de sapatos
femininos em couro. Segundo Álvaro José Guilherme da Luz, do Sindicato dos
Sapateiros de Três Coroas, a empresa encerrou as atividades. “Foram 80
trabalhadores que ficaram sem emprego. Nesta tarde teremos uma reunião para
definir que providências serão tomadas”, explicou.

Segundo Luz, este grupo de trabalhadores foi o que ainda
ficou na Only, já que a empresa vinha num histórico de redução do quadro de
colaboradores. A reportagem do Portal Martin Behrend tentou contato com a
empresa e recebeu retorno pelo perfil da empresa no Facebook:

“Boa tarde! Infelizmente, a informação tem procedência… Estamos encerrando as atividades produtivas da empresa, mantendo apenas um escritório no local para assuntos em aberto. Dia muito triste por aqui.”

A Only foi fundada em 1973. Começou pequena, com apenas três
colaboradores. Chegou a ter cerca de 300 funcionários e produção superior a
dois mil pares/dia. Com foco na responsabilidade social ao longo de sua
história, a Calçados Only, em parceria com a Prefeitura de Três Coroas,
contribuiu com a comunidade por meio de projetos sociais. Seu parque fabril foi
instalado numa área de 3.670 metros quadrados. A empresa também teve sua fase
na exportação de calçados e participação em eventos e feiras do setor calçadista.

Além da concorrência com países da Ásia, os fabricantes brasileiros de calçados seguem sofrendo com problemas de competitividade: alta carga tributária, infraestrutura sucateada de estradas e portos, e custos elevados em questões como segurança. Além disso, a oscilação cambial impede que o setor trabalhe com segurança e planejamento.

Recentemente, o governo federal do presidente Michel Temer (PMDB) encerrou a desoneração da folha salarial das indústrias calçadistas, aumentando os custos para as empresas. Soma-se a isso o Tarifaço do governador Sartori (PMDB), que também aumentou gastos com energia elétrica, combustíveis e telecomunicações. É um quadro desolador para quem deseja empreender neste país.

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