Uma sugestão para dar visibilidade ao Clube Esportivo Aimoré,
de São Leopoldo, terminou em discussão política. E até um evento foi criado no
Facebook com conotação ideológica.
A polêmica começou no grupo de WhatsApp do Conselho
Deliberativo do Aimoré. O conselheiro Marcelo Buz, vereador licenciado do DEM
e, atualmente, ocupando o cargo de diretor-presidente do Instituto Nacional de
Tecnologia da Informação (IT), em Brasília, sugeriu presentear o presidente
Jair Bolsonaro (PSL) com uma camisa oficial do clube leopoldense.
Como Buz trabalha próximo ao gabinete do presidente, a ideia
era aproveitar uma reunião de trabalho e fazer um registro de Bolsonaro com o
uniforme do Índio Capilé. Ele publicou a sugestão e, inicialmente, alguns
conselheiros elogiaram o gesto em razão da repercussão nacional que se teria
com a fotografia.
Entre os integrantes do grupo de WhatsApp, está o presidente
do Aimoré, Ronaldo Vieira (PT), ex-secretário da Fazenda e ex-diretor-geral do
Semae em governos petistas em São Leopoldo.
Vieira se manifestou contrário ao
gesto, que teria caráter oficial: “Marcelo, como conselheiro você tem o direito
de adquirir, colocar o nome do homenageado e entregar. Não vejo motivo da
instituição Aimoré entregar ao presidente. Não vejo motivo para abrirmos este
tipo de homenagem, nunca feito, num momento tão polarizado da política
brasileira. Como presidente do clube procuro manter o mesmo longe de debates
político partidários que podem produzir muito mais fissuras do que benefícios
ao Aimoré”.
Esta manifestação de contrariedade do presidente surpreendeu
Buz, que se posicionou no Facebook com o seguinte texto: Aimoré, braço político da esquerda? O texto teve dezenas de compartilhamentos e centenas de comentários. “A ideia
era presentear o presidente da República com a nossa camisa. Aliás, como muitos
clubez já fizeram com Bolsonaro, e também com os ex-presidentes Dilma Rousseff
e Lula. Mas se o presidente da instituição não acha interessante, não pretendo
forçar a barra”, explicou Buz, em conversa com a reportagem.
Buz destacou que haveria grande repercussão e divulgação do
clube, e afirmou estar triste com a postura. “Vejo que existem alguns
interesses políticos. Mas não vou ficar fazendo intrigas”, acrescentou,
informando que está se desligando do Conselho Deliberativo do clube até por
estar trabalhando em Brasília. Buz ainda saiu do grupo de conselheiros no
WhatsApp.
O presidente Ronaldo Vieira também atendeu a reportagem e
discorda que tenha ocorrido discussão política. “Houve uma solicitação do
conselheiro Marcelo no grupo de Whatsapp do Conselho Deliberativo do Aimoré e
eu respondi que não achava positiva uma entrega institucional, considerando
todo tensionamento politico existente hoje no Brasil. O Aimoré deve se ater ao
futebol”, destacou.
Vieira ainda informou que todos são bem-vindos. “Temos
conselheiros de diversos partidos. PP, PDT, PT, PSB, para citar alguns. E temos conselheiros que
nem gostam de política partidária”, complementou. “Não faço política partidária
no clube e não permito que façam. Só produz desgaste para o clube”, assegura.
Essa discussão toda aqueceu o debate político. Um cidadão
chegou a criar um evento no Facebook com a sugestão de que fossem queimadas
camisas do clube numa forma de protesto ao que seria o aparelhamento partidário
do Aimoré – o evento pode ter sido excluído em razão de fortes críticas de todos os envolvidos.
O ex-presidente do Aimoré, Felipe Becker, também se
manifestou no Facebook dizendo que misturar
o Aimoré em politica não é o caminho. “Aimoré é da comunidade leopoldense, não tem
dono, muito e muito menos partido político”, escreveu em seu perfil.
Nas redes sociais, alguns torcedores sugeriram a Buz presentear com a camisa do Aimoré o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), que disse publicamente ser torcedor do Aimoré.
