Os municípios de Novo Hamburgo, Campo Bom e São Leopoldo têm quatro professoras entre os 50 finalistas de todo o país no Prêmio Educador Nota 10 da Fundação Victor Civita.
De Novo Hamburgo, as duas classificadas são finalistas na categoria crianças pequenas, de 2 a 3 anos, da educação infantil. A professora Cristiele Borges dos Santos é destaque com o trabalho A voz das crianças: conexões que aproximam, desenvolvido na Escola de Educação Infantil Joaninha, do bairro Canudos; e a professora Neuza Terezinha Gessler é vencedora com o projeto Ressignificando a natureza na pandemia através da vida de Frans Krajcberg, trabalhado na Escola de Educação Infantil Beija Flor, do bairro Kephas.
De São Leopoldo, a
professora de português e geografia do Ensino Fundamental, Luciana
Domingues Ramos (anos iniciais), se destacou por mostrar excelência em
suas práticas, sendo exemplo na educação básica brasileira. Ela é professora da EMEF Professor João Carlos von Hohendorff, no bairro Scharlau.
De Campo Bom, a finalista é Miriam Regina Mundstock Carvalho, da Escola Técnica Estadual 31 de Janeiro. O trabalho foi na área de Educação Física – 2º ano / Ensino Médio, com o “Projeto para uma vida ativa”.
DETALHES DA PREMIAÇÃO
Do Rio Grande do Sul, são oito finalistas. A premiação reconhece e valoriza professores e gestores escolares da educação infantil ao ensino médio de escolas públicas e privadas de todo o país. As duas hamburguenses são as únicas gaúchas que atuam na educação infantil.
Para a secretária municipal de Educação de Novo Hamburgo, Maristela Guasselli, a premiação mais uma vez evidencia a qualidade da rede municipal de ensino. “Temos um quadro de professores muito engajados e comprometidos. Além do projeto pedagógico desenvolvido na rede, há iniciativas dos educadores que potencializam a experiência da aprendizagem de nossas crianças”, destaca, lembrando o trabalho que vem sendo realizado neste tempo de pandemia.
PROJETOS DE NOVO HAMBURGO
Quem lida diariamente com crianças pequenas sabe que desenvolver um bom trabalho inteiramente à distância, durante a pandemia, foi um desafio enorme. Mas o projeto vencedor da professora Cristiele conseguiu uma comunicação que fez sentido e foi respeitosa com a faixa etária de 2 anos na escola Joaninha, de Canudos. De março de 2020 até janeiro de 2021, sua turma acompanhou o crescimento da batata doce, o que possibilitou integrar conhecimento científico, cuidado com as plantas e registros, em especial o desenho.
Como a maioria das famílias só tinha o celular, as conversas e atividades aconteciam de forma individual, em duplas ou trios. O WhatsApp permitiu divulgar imagens e áudios, revelando que a linguagem oral das crianças deu um salto no período. O projeto destacou as especificidades da educação infantil, que envolve compreender como as crianças pensam, constroem conhecimento e se comunicam.
Já na Beija Flor, do bairro Kephas, a confecção de um diário de memórias durante a pandemia foi a maneira que a professora Neuza encontrou de aproximar escola e família. Com fotos e outros registros de experiências familiares, o livro, inspirado no artista Frans Krajcberg, foi construído com materiais reciclados, folhas secas, flores desidratadas, fitas, botões e restos de tecidos e teve objetivo de estreitar os laços entre as crianças e seus pais ou cuidadores.
Passados alguns meses, em que o ensino remoto se tornou híbrido e depois voltou a ser presencial, os ganhos foram aparecendo: as famílias passaram a valorizar a escola e as crianças, de 2 a 3 anos, foram mais escutadas, o que as fez desenvolver sua linguagem oral, registrada em vídeos pela professora. Formada em pedagogia após os 50 anos, Neuza é uma profissional entusiasmada e estudiosa que se tornou referência entre as colegas. De maneira muito apropriada, também escreve mini-histórias – relatos do que acontece na rotina da educação infantil – de sua turma.
PROJETO DE SÃO LEOPOLDO
“Já
é um grande prêmio só de estar nesse grupo de finalistas, comemoro como
se estivesse premiada, só por estar ali com o nome da escola e o
trabalho de toda a rede”, diz Luciana sobre o reconhecimento nacional. A
professora desenvolveu o projeto “Se essa rua fosse minha” com uma
turma de 2º ano, durante o ensino remoto na pandemia.
“Como
nem todos os alunos tinham acesso a celular, eu comecei a trabalhar com
o material didático que eu tinha disponível, que era o livro”, explica a
professora que abordou o ensino da língua portuguesa com as cantigas
populares e a geografia através da observação, pela janela de casa, do
lugar de viver.
“O
projeto só aconteceu porque eu tinha os alunos engajados, os pais muito
presentes e parceiros, uma equipe diretiva e a rede de ensino que deu
suporte. Estou orgulhosa de ter participado e já é uma grande vitória de
toda a rede municipal”, comemora.

Se essa rua fosse minha
A
professora Luciana precisou reatar os vínculos com seus alunos depois
de mais de meio ano em que a escola ficou sem atividades. Para o ensino
remoto, teve a sensível ideia de pedir a cada uma das crianças para
observar a paisagem urbana da “moldura” da janela de casa.
Apoiada nas
temáticas de Geografia e Linguagens, ela incentivou ações de pesquisa
sobre as ruas da cidade de São Leopoldo, particularmente características
(pavimentação, calçadas, iluminação de rua, arborização etc.) e
vivências do entorno da escola e das residências.
O
trabalho “Se essa rua fosse minha” usou ferramentas adequadas para isso
como Google Earth, GoogleForms, WhatsApp e vídeos. Suas propostas
articularam o material didático, a temática geográfica e o foco no
ensino por investigação, o que incluiu o levantamento de dados empíricos
das ruas do bairro.
Consciente de que precisava fazer a turma avançar
no processo de alfabetização, Luciana colocou-os em contato com a
leitura, a escrita e a comunicação de maneiras diversificadas,
colaborativas e com engajamento para se localizar, reconhecer e refletir
sobre sua realidade e seu lugar no mundo.
PROJETO DE CAMPO BOM
Diante do desafio de vencer a barreira do distanciamento nas aulas de Educação Física, a professora Miriam Regina Mundstock Carvalho se apropriou de novos recursos para se manter conectada com os estudantes durante a pandemia.
Encontros por Meet, videoaulas, vídeos no YouTube, aplicativos e a construção de sites foram algumas das estratégias utilizadas para anunciar um conteúdo de qualidade, que permitiu aos estudantes aprofundar estudos e conhecimentos sobre a conexão do movimento com a saúde e o bem estar.
Ao potencializar a ideia de que a educação física contribui para que os jovens desenvolvam saberes relacionados com um projeto de vida ativa, que contempla movimento e atividade física motivante e consciente, a professora colocou os meninos, as meninas e as famílias para se movimentar.
Os planos de vida ativa revelam percursos em que os estudantes selecionaram práticas corporais de acordo com suas preferências – bicicleta ao ar livre, corrida e ioga foram algumas das escolhas –, aprenderam mais sobre elas e desenvolveram atitude autônoma para gerenciar seu próprio programa de atividade física.


























