SÉRIE DE ENTREVISTAS – PREFEITO EM PAUTA
2- FAISAL KARAM (PMDB) – PREFEITO DE CAMPO BOM
Completando 11 meses no ar, o blog Martin Behrend tem apresentando uma audiência crescente, tanto na região como em outros Estados.
Na lista das cidades gaúchas que mais acessam o blog, pela ordem, estão Novo Hamburgo, Porto Alegre, São Leopoldo, Caxias do Sul e Campo Bom.
Para prestigiar os públicos de algumas destas cidades, o blog dá sequência à “Série de Entrevistas – Prefeito em pauta.”
Após a abertura da “Série de Entrevistas – Prefeito em pauta” com o chefe do Executivo de São Leopoldo, Anibal Moacir da Silva (PSDB) – http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=528 –, agora é a vez do prefeito de Campo Bom, Faisal Karam (PMDB).
A seguir os principais trechos da entrevista.
Faisal não está em clima de despedida. Atual prefeito de Campo Bom, ele está no sétimo ano no comando do Executivo e ainda tem contribuições importantes a serem realizadas e obras relevantes para entregar a sua comunidade. Mas já é tempo, sim, de fazer avaliações do que vem sendo realizado, afinal, já se passaram mais de 75% do período em que atua como prefeito.
Em outubro de 2012, Faisal foi reeleito prefeito com mais de 70% dos votos. Entre os orgulhos pessoais, estão os investimentos em saúde e educação. Na prestação de contas realizada no começo do ano, ele destacou que, em 2014, cerca de R$ 31 milhões foram aplicados na saúde, num índice aproximado de 30% do orçamento municipal. “É o dobro do que é exigido por lei”, lembra. E, na educação, foram investidos R$ 30 milhões – 29% do orçamento –, ultrapassando os 25% previsto em lei.
No próximo ano, ele pretende fazer seu sucessor para levar adiante o projeto do PMDB e seus coligados.
Para alcançar o objetivo de manter o partido
no comando de Campo Bom, Faisal promete manter uma postura de respeito com o ex-prefeito e atual secretário Estadual da Fazenda, Giovani Feltes. Os dois romperam relações e, em parte, dividiram a sigla. Lembrando em Faisal foi secretário de Obras
na gestão 2005-2008 tendo Giovani prefeito.
Mas o atual chefe do Executivo promete, em nome da unidade da sigla, superar os desentendimentos particulares para que não haja prejuízos nas eleições municipais de 2016.
Entrevistei Faisal Karam, há algumas semanas, no Centro Administrativo de Campo Bom. A seguir estão alguns dos principais trechos da entrevista
Superados mais de 75% do período como prefeito de Campo Bom (dois mandatos), existe uma marca ou característica do seu governo?
A questão de marca é uma avaliação complicada. O que eu vou levar de bom até o final do mandato, complementando estes 75%, será esta relação com a comunidade. É uma relação aberta, de convívio e compartilhamento. Está relação tem sido muito grata, pois tem sido respeitosa. Gostaria de chegar aos 100%, com mais este período que temos pela frente, com esse mesmo nível, seja da minha parte ou da população. Sairei extremamente gratificado se isso acontecer: poder entrar e sair do cargo de prefeito com a cabeça erguida. É isso que eu busco.
Agora, devem existir áreas em que ocorreram avanços importantes e significativos…
Se for colocar uma marca, a educação, em termos de estrutura, foi algo que cresceu muito. Investimos muito em qualidade de espaços físicos, atividades de contraturno, de escolas em período tempo integral e de valorização das gerações que vem vindo. Estamos criando situações para que elas possam ter alternativas melhores e possam ter uma sociedade melhor. E isso passa pela educação.
A ampliação do Hospital Lauro Reus também merece alguma atenção especial?
O hospital ampliado também será uma marca desta passagem. Serão 30 novos leitos mais dez de UTI. O hospital, desde que foi construído, tem este mesmo número de leitos. E lá se vão muitos anos. A partir do momento em que ele passar a operar, estaremos duplicando a sua capacidade, trazendo maiores benefícios para a comunidade de Campo Bom.
Em 2014, a sua administração investiu em saúde e educação significativos índices acima dos previstos por lei. A população percebe e reconhece essas prioridades?
Acredito que sim, mas também temos que dizer isso para as pessoas, deixando bem claro qual é nosso papel. Na educação, por exemplo: quando se tem a oportunidade de encontros nas escolas com grande número de pessoas, dizemos de forma muito clara que a obrigação da criação dos filhos, dos valores morais, é responsabilidade dos pais. Eles não podem passar isso para os professores. O pai não pode transferir essa responsabilidade. A obrigação é do pai. Já a obrigação da escola é passar o conteúdo da melhor forma possível. E isso é papel para nossos educadores realizarem. A criança precisa ter respeito e limites dentro da escola. Isso a gente fala de forma clara com os pais para que as coisas aconteçam.
Qual a área que precisa de atenção especial? Qual o calcanhar de Aquiles?
Sem dúvidas, é a segurança pública. Em relação à segurança, há muitos anos nosso Estado foi abandonado. Faz mais de 30 anos que estamos numa sequência de péssimos governos, que não quiseram enfrentar a realidade de um Estado falido. Mas estão faltando ações efetivas. Acompanhamos a redução de efetivo, diminuição de investimentos, desinteresse por concursos, falta de ética nos quarteis, o próprio soldado faz que não vê coisa na rua – pois a ordem vem de cima –, carga horária elevada de soldados e despreparo de alguns brigadianos. Precisamos ter uma reestruturação muito grande.
A união dos municípios pode contribuir de alguma forma?
Conversamos na Associação dos Municípios do Vale do Rio dos Sinos (AMVRS) sobre a necessidade de ações coletivas. Precisamos ter ações integradas. Não adianta Novo Hamburgo, Campo Bom, Sapiranga ou São Leopoldo realizarem ações isoladas, pois isso respinga no vizinho. A violência anda em círculo, precisamos de ações que atinjam os municípios em operações com Polícia Civil, Brigada Militar, Ministério Público, Judiciário e prefeituras. Agora, prefeito não é mágico: se eu repassar mais recursos para segurança, vou tirar de saúde, educação, do asfalto ou iluminação pública, por exemplo. O coletivo é a solução e isso passa pela mobilização dos prefeitos. Temos de tomar a frente disso.
O que muda para Campo Bom o fato do governador ser do mesmo partido do prefeito?
Durante o governo do ex-presidente Lula, os municípios administrados pelo PT tiveram muitos benefícios. Mas isso foi uma postura daquele governo central. Não vejo que isso possa ocorrer no Governo do Estado em relação ao PMDB. Sempre tivemos uma boa relação com o ex-governador Tarso Genro, mesmo sendo de oposição no campo político. Pegamos como exemplo a criação da EGR no governo anterior. Para Campo Bom, a EGR trouxe pontos positivos, embora nem todos problemas tenham sido resolvidos. Mas a empresa melhorou a questão da liberação dos acessos nos terrenos junto à rodovia. Quando era o Daer, chegamos a perder mais de dois anos até conseguir alguma coisa. Precisamos ter governos mais ágeis. Temos que ter claro, no papel de políticos, que é o empresário que gera emprego e renda para as prefeituras. Temos que ter essa consciência. O trabalhador, sim, tem as portas abertas, quando está produzindo. O trabalhador vai receber salário e ele vai gastar no comércio, no bar, é o dinheiro que fica nos municípios. Agora, se o Estado não consegue agilizar um simples licenciamento, não precisamos de estado. Estado precisa oferecer qualidade de vida às pessoas. E a qualidade de vida passa pela geração de emprego e renda. Não existe outro meio no capitalismo.
Como está sendo ou será a relação do atual prefeito de Campo Bom com o ex-prefeito e atual secretário Estadual da Fazenda, Giovani Feltes?
Não vejo grandes diferenças do passado com o presente. Não muda muito antes dele ser secretário ou agora. Eu até esperava que, ele estando no papel de deputado federal, Campo Bom tivesse mais vantagens. O fato dele ter assumido a secretaria foi uma surpresa e considero um grande desafio para o Giovani. Já em relação ao convívio com o ex-prefeito, em termos político-partidário, nós temos que olhar para frente. Tem eleição municipal em 2016, iremos ganhar a eleição e fazer o substituto. São desafios que o PMDB vai ter…
Permita interromper: existe alguma possibilidade do PMDB prestigiar um partido aliado e ceder a cabeça de chapa?
Isso não existe. Somos o maior partido e temos o maior número de filiados em Campo Bom. Em qualquer pesquisa que se faça envolvendo siglas partidárias, o PMDB aparece em primeiro de goleada. Queremos manter essa parceria com a base formada por outros partidos, mas de forma especial ter o PP, na figura do vice-prefeito Marcos Riegel mantido na chapa como vice. Essa situação tem sido tranquila e sempre deixamos claro: teremos candidato a prefeito com o Marcos como vice. Agora, temos de identificar um candidato para este desafio. Estão surgindo novas lideranças no PMDB de Campo Bom, e isso também é papel de um verdadeiro líder: abrir espaço para novos nomes e olhar para frente.
Então, sobre o ex-prefeito Giovani Feltes…
A relação partidária é tranquila, temos de olhar pra frente e fazer um novo prefeito do PMDB em Campo Bom, tendo o PP como vice. Agora, do lado pessoal, o relacionamento com o secretário não existe e não será retomado, pois eu não tenho interesse em função do que já aconteceu.
