Prefeito de Campo Bom apresenta e depois retira projeto criando cargo para acomodar colaborador da campanha

Uma das principais bandeiras de campanha do prefeito de
Campo Bom, Luciano Orsi (PDT), foi trabalhar para reduzir cargos na Prefeitura.
A comunidade campo-bonense gostou da proposta e garantiu sua vitória.
Pois não
bastou um mês no comando do Executivo para o pedetista quase derrapar nas suas
próprias convicções. Após protocolar o projeto na Câmara de Vereadores propondo
a criação a função de Coordenador de Comunicação e Publicidade, com remuneração mensal de R$ 8.227,60, Orsi solicitou a retirada do projeto da pauta de sessão
extraordinária realizada na manhã desta quarta-feira no Legislativo.
A sessão de
hoje não teve pagamento de remuneração extra aos parlamentares.

A reportagem do Portal Martin Behrend procurou a Prefeitura
de Campo Bom para esclarecer o que motivou essa repentina mudança de ideia do
prefeito Luciano Orsi. Foi enviado o seguinte esclarecimento:

“A Administração Municipal está passando por uma
reestruturação de cargos, assim teremos algumas funções remanejadas e outros
cargos extintos. Isso também pode implicar na criação de novos cargos, que se
enquadrem melhor nestas novas funções e com salários compatíveis. Fazemos isso
sempre tendo em mente o melhor uso dos recursos disponíveis e o bom
funcionamento da máquina pública. O importante é que no panorama geral queremos
uma Administração mais enxuta e com salários compatíveis a cada função.
Retiramos o projeto de pauta pois estudamos fazer algumas modificações nele.”

Mas, nos bastidores, qual a motivação para o prefeito decidir
criar um cargo de alto salário e, como num piscar de olhos, desistir da ideia?
Esse episódio passa pela necessidade de acomodar um colaborador da campanha que
elegeu Orsi. Atualmente, a Prefeitura tem o cargo de Assessor Especial de
Imprensa e Publicidade com remuneração mensal de R$ 5,9 mil. Esta função tem,
entre tantos pré-requisitos, obrigatoriedade de curso superior. O aliado de Orsi não tem.
Sendo assim, o prefeito precisou ser criativo para empregar o amigo. Só que o detalhe: foi criado um cargo com
exigência inferior ao atual – somente Ensino Médio obrigatório – e com
remuneração quase 40% superior. Menos qualificação, maior salário.

Assim que essa notícia começou a circular nas redes sociais,
as críticas pipocaram. E as manifestações dos campo-bonenses foram todos no
sentido da contradição de Orsi, que prometeu uma situação na campanha e estava
fazendo outra – afinal, com encargos, essa função custaria quase R$ 150 mil por
ano do bolso da população. E, assim, horas antes da sessão começar, Orsi pediu
a retirada do projeto na pauta desta quarta-feira, o que foi aceito pelos
vereadores.

Importante: na sessão extraordinária foi aprovada pelos vereadores
a extinção do cargo de Assessor Especial de Projetos da Prefeitura. O projeto
foi enviado por Orsi e, neste caso, o prefeito foi coerente com sua campanha. O
salário mensal do cargo era de R$ 14.088,30, o que representará uma economia
anual de quase R$ 170 mil.

Ah, e o colaborador da campanha de Orsi, como fica? De fora
do governo é que ele não estará. Resta esperar pelo cargo.

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