Entra ano, sai ano, reaparece a polêmica: os riscos envolvendo a venda de pinhão à beira de rodovias gaúchas, em especial na Região das Hortênsias. Há alguns anos existe um forte debate envolvendo autoridades do trânsito e empresas responsáveis pela manutenção das rodovias, e as famílias que se instalam junto aos acostamentos para vender o alimento.
As rodovias onde existe maior presença de vendedores são a ERS-235 (Nova Petrópolis-Gramado) e a ERS-115 (Taquara-Gramado). Já no tempo da Brita Rodovias, antiga empresa responsável pela manutenção, a queda de braço era uma constante: a movimentação de carros “encostando” para comprar pinhão coloca em risco as famílias e os motoristas, já que são locais enjambrados, sem os devidos recuos e proteções. O risco de acidentes é inquestionável.
A Brita Rodovias não teve seu contrato renovado para administrar as rodovias, e a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) passou a tomar conta. Mas a polêmica segue. A EGR quer retirar os comerciantes das rodovias, pois alega que eles correm riscos, além de oferecer ameaças aos motoristas. O impasse chegou à Assembleia Legislativa. O deputado estadual Enio Bacci (PDT) foi procurado pela Associação dos Extrativistas e Comerciantes de Pinhão de Gramado e Canela (Assecopi)
para interceder junto à Empresa Gaúcha de Rodovias.
Na semana passada, Bacci utilizou o espaço da tribuna no Parlamento gaúcho para externar a preocupação dos integrantes da associação. O deputado já solicitou a EGR uma solução para que as famílias permaneçam nos locais de venda. “As famílias sobrevivem desse comércio e é na estrada que tem acesso fácil ao turista que muitas vezes nem conhecem o pinhão, tradicional no sul do Brasil. Essas famílias já fazem parte do cenário da serra gaúcha e promovem nossa cultura”, destacou. Segundo a Assecopi, 33 associados compõem as famílias que vivem
do cultivo e venda do pinhão, tanto no comércio local dos municípios quanto às margens das rodovias 115 e
235.
O que não está claro é o seguinte: se acontecer um acidente num destes locais, e
alguém se ferir ou, vai saber, vir a falecer em função de uma manobra indevida junto a um ponto de venda dos pinhões, quem será responsabilizado criminalmente: o motorista? a EGR? a associação? o deputado estadual? Fica a torcida para que isso nunca aconteça, pois vai sobrar pra muita gente.

























