A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul conta, atualmente,
com cerca de 1.750 sócios. Fundada em 1936, a entidade tem como presidente o médico José Paulo Ferreira (foto).
Após dois casos de mortes violentas contra crianças, Ferreira escreveu um artigo. Confira na íntegra:
Indignação e perplexidade diante da violência contra nossas crianças
Os recentes episódios de violência contra crianças,
ocorridos em Novo Hamburgo e Guaíba, nos causam profunda tristeza e
perplexidade.
Anna Pilar Cabrera, de apenas sete anos, foi brutalmente
assassinada a facadas, crime pelo qual sua própria mãe é a principal suspeita.
Em Guaíba, Kerollyn Souza Ferreira, de nove anos, foi encontrada morta em um
contêiner de lixo, após ter sido submetida a uma vida de negligência extrema.
Esses casos chocam não apenas pela crueldade, mas pelo fato de terem ocorrido
no ambiente familiar, que deveria ser um refúgio de amor, carinho e proteção.
Como presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do
Sul, sinto profunda indignação. Esses atos bárbaros perpetrados por quem
deveria ser a principal fonte de segurança e afeto para a criança são difíceis
de compreender e ainda mais difíceis de aceitar. Não há justificativa que
atenue o horror desses crimes, cometidos contra seres inocentes, indefesos e
que mereciam apenas compreensão, educação e, acima de tudo, cuidado.
Esses episódios trazem à tona, ainda, a necessidade de uma
fiscalização mais eficiente e presente por parte dos órgãos públicos
responsáveis pela proteção da infância. O sistema de proteção social deve
funcionar como uma rede de segurança, impedindo que tragédias como estas
aconteçam.
A responsabilidade de detectar sinais de negligência, abuso e
maus-tratos é de todos nós, mas cabe aos serviços de proteção à criança e ao
adolescente, com o apoio da sociedade, agir com presteza e eficácia para
intervir nesses casos antes que seja tarde demais.
Se uma criança é negligenciada ou abusada, toda a sociedade
falhou. Precisamos de políticas públicas mais assertivas, de uma rede de apoio
mais estruturada e, principalmente, de uma maior sensibilização da sociedade
para sermos capazes de identificar e denunciar qualquer sinal de que uma
criança está em risco.
Não podemos mais aceitar que a violência encontre espaço
dentro de nossos lares, justamente onde deveria florescer a vida e o respeito,
permitindo que essas crianças cresçam e se desenvolvam.
José Paulo Ferreira – Presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul
