– “E daí…”
– “Não, Martin. E daí não existe. Use ´Então´ e continue a história.”
Esse pequeno diálogo acima remete a um dos tantos episódios que tive com Maria da Conceição Xavier Weibert. Ou, simplesmente e carinhosamente, dona Conceição.
Ela foi professora e também responsável pela biblioteca na Escola Oswaldo Cruz. Foi uma mulher que despertou a paixão pela leitura em centenas de estudantes. Sempre com ordem e disciplina. E um amor incondicional aos livros.
O “E daí” era usado na hora de contarmos um resumo do livro que lemos na biblioteca. Dona Conceição não gostava dessa expressão e sempre recomendava seguir relatando com “Então” – que era mais elegante e certeiro. Ela tinha razão.
Na noite deste domingo (29), dona Conceição descansou. Em março deste ano, ela completou 100 anos.
O velório está sendo realizado na sala D da Funerária Krause, em Novo Hamburgo. Após as 16 horas, ela será levada ao Crematório Ecumênico Cristo Rei, em São Leopoldo. Ela morreu por causas naturais, deixando filhos, netos e bisnetos.
Dona Conceição da maquiagem impecável. As unhas, então, eram um destaque tamanho o capricho.
Dona Conceição que privou da amizade da professora Clarice Pereira Behrend – minha avó.
Dona Conceição da paixão pelo magistério e pelos livros.
Dona Conceição da ordem e da disciplina – firme, mas com ternura.
Dona Conceição, que até perto dos 100 anos mantinha o hábito de viajar e conhecer novos lugares – como as viagens e passagens por campings.
Neste ano, num grupo de Facebook com o nome de “Grupo de ex-alunos e ex-professores da Escola Oswaldo Cruz. Novo Hamburgo/RS”, foi publicado um anúncio do aniversário de 100 anos da Dona Conceição.
Nos comentários, dezenas e dezenas de mensagens de ex-alunos emocionados pelas lições que aprenderam com dona Conceição.
Descanse em paz. Os seus ensinamentos estão presentes nas nossas vidas.
