O emocionante relato de uma jornalista sobre a adoção da cadela Hiena

Recebi na tarde de hoje um relato diferenciado. Hoje não tenho animais de estimação – já tive vários: desde cães, passando por peixes e jabuti, até aves. Ao passar os olhos pelo texto da jornalista Silvia Trovo, vieram lembranças do passado. E reapareceram antigas emoções. Decidi compartilhar este texto da Silvia, que coordena a assessoria de imprensa da Prefeitura de Campo Bom.

O Abraço de Hiena

"Em meio a quase 30 cachorros de rua à espera de adoção estava a Hiena, uma vira-latas sorridente que, entre filhotes engraçadinhos e fofos, foi ficando pra trás, o que parecia comum pra ela. Abandonada na rua e resgatada pelos anjos que protegem os cãezinhos, ela acabou num lar provisório e até chegou a ser adotada uma vez, mas bastou um deslize para ser devolvida. Sábado, numa festa comunitária em Campo Bom, ela estava lá, na feira de adoção, se chegando para cada um que chegava.

A torcida pela adoção da Hiena era total e, finalmente, uma família se interessou. Da mão do menino recebeu carinho. Das mãos da mãe, um abraço. Da menina, uma porção de ração e, do pai, o aviso da responsabilidade compartilhada. Coleira no pescoço, Hiena estava indo para a nova casa, mas voltou. Para o abraço final.

Como um ser humano, ela pulou e abraçou pela cintura a menina/cuidadora que tanto lhe deu em afeição nesta aflita transição de conseguir um lar. Hiena tentou ir, mas voltou de novo para mais um abraço. E mais um. Abraço de verdade. Sabe aqueles em que se aperta com os dois braços? Igual, mas com duas patas e um sorriso seguido de uma lambida. Inacreditável. Registrei, mas a imagem não expressa o aperto no coração. Não teve quem não se emocionou. Choraram as duas: Hiena e cuidadora. Choramos todos.

A Hiena da Rua agora tem uma nova casa e, pra mim, é a prova viva de que as pessoas nascem com dons específicos. Uns escrevem, outros fazem jardins, constroem casas, projetam aviões, cozinham. E uns cuidam de animais. Preocupam-se de verdade, doam-se, além da profissão. Fazem com tanto amor, que até os cachorros sentem. Ao ponto de retribuírem com abraços como o da Hiena, uma cachorra de rua que, apesar do abandono, reaprendeu a confiar no ser humano."

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