Novo CEO da Paquetá fala dos planos para reestruturar dívida e voltar a crescer

De um lado, cerca de R$ 2 bilhões de faturamento anual. De outro, uma dívida não confirmada em milhões – ou mais – que corresponde a sete vezes o Ebitda (sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) – principalmente para bancos e fornecedores.

A trajetória da Paquetá The Shoe Company, com sede em Sapiranga, quase sempre foi marcada por números superlativos. Atualmente, são 12 mil colaboradores, sendo grande parte da indústria.

Nesta segunda-feira, a jornalista Marta Sfredo, na coluna + Economia do jornal Zero Hora, e o jornalista Sérgio Ruck Bueno, do jornal Valor Econômico, divulgaram informações da Paquetá a partir de entrevista com o novo CEO do grupo, o paulista Henning von Koss, que assumiu no final de outubro. Com ele chegando, Luiz Augusto Pollachini, que estava interinamente no cargo, voltou a priorizar as áreas administrativa e financeira.

O mercado olha com atenção para a recuperação da Paquetá, não só pela quantidade de empregos diretamente gerados, mas pelo que o grupo representa para o setor calçadista, movimentando dezenas de fornecedores com milhares de postos de trabalho.

Henning von Koss trouxe números atualizados das operações da Paquetá e também destacou algumas estratégias da empresa. O Portal Martin Behrend faz uma compilação de algumas das principais informações divulgados por Zero Hora e Valor Econômico.

– “Tínhamos 190 lojas, ficamos com 167. Houve redução de fluxo e da quantidade comprada por pessoa.

– “As redes de marcas próprias atestam qualidade, como Dumont, Capodarte e Ortopé. Talvez nas franquias nossa lição de casa não tenha sido bem feita. Estamos com 85 franqueados, e a projeção é 150 em dois anos.”

– “Começamos a resolver o operacional para poder chegar ao credor financeiro e dar confiança de que o negócio faz sentido. Queremos diluir a dívida no tempo para não sufocar o negócio”.

– “A ideia é que toda renegociação seja feita até o final de 2019.”

– O portfólio de linhas foi enxugado com a saída das marcas Ateliermix e Lilly´s Closet.

– 60% das vendas são para o Brasil e 40% são exportação.

– A produção da companhia no Brasil deve crescer 5% em 2019.

– A receita bruta caiu de R$ 2,5 bilhões em 2015 para cerca de R$ 2 bilhões – projeção para 2018. No mesmo período, o número de funcionários caiu de 18 mil para 12,7 mil – incluindo operações no Brasil e Argentina. A produção de calçados com marcas próprias e terceirizadas, como Puma, Asics e Adidas, reduziu de 15 milhões por ano para 9,7 milhões.

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