Prefeitos que integram a Região 7 do Modelo de Distanciamento Controlado (MDC) do governo do Estado definiram por suspender até o final do ano de 2020 a retomada das aulas presenciais na rede pública municipal.
A exceção são as turmas de 9ºs anos que deverão ser contempladas com calendário específico a ser definido.
Essa decisão não envolve as escolas particulares, que poderão adotar aula presencial caso bandeiras e protocolos sejam respeitados.
O assunto foi uma das principais pautas do encontro realizado na manhã desta quarta-feira (23) pela Associação dos Municípios do Vale do Rio do Sinos (Amvars), gestora da cogestão em vigor na R7.
São 15 municípios que fazem parte do grupo: Araricá, Campo Bom, Dois Irmãos, Estância Velha, Ivoti, Lindolfo Collor, Morro Reuter, Nova Hartz, Novo Hamburgo, Portão, Presidente Lucena, Santa Maria do Herval, São José do Hortêncio, São Leopoldo e Sapiranga.
FLEXIBILIZAÇÕES
Os prefeitos também discutiram sobre flexibilizações relacionadas aos eventos esportivos sobre os quais deverá haver um calendário de retomada gradual envolvendo modalidades e tipos de espaço físico.
Reféns das constantes mudanças de bandeiras impostas pelo MDC, encaminharam pedido de audiência com o governador Eduardo Leite (PSDB). No encontro pretendem sugerir a revisão do atual modelo vigente e também no período entre as atualizações de bandeiras. “A forma que está é inconcebível. Não podemos mais conviver com essa troca de bandeiras, essa instabilidade. É impossível qualquer tipo de organização pública ou privada, se ficarmos reféns da mudança de bandeiras. A Região 7 representa um dos maiores PIBs do Estado e merece maior consideração nesse momento tão difícil que vivemos”, enfatiza a presidente da Amvars e prefeita de Dois Irmãos, Tânia Terezinha da Silva.
Depois de dez semanas em bandeira vermelha, a R7 migrou para a laranja no dia 31 de agosto, quando iniciou a discussão dos protocolos para essa cor. De lá para cá migrou para a vermelha, voltou para a laranja e retornou à vermelha, onde permanece junto com mais três das 21 regiões do MDC.
DEFINIÕES DA REUNIÃO DE HOJE
PROTOCOLOS
Os protocolos de cogestão para bandeira vermelha da R7 serão todos revisados. Intenção é flexibilizar tudo que for possível até o limite da bandeira laranja, conforme estabelece o Mmdelo.
EDUCAÇÃO
Aulas presenciais das redes municipais não retornam em 2020. Com exceção de turmas de 9ºs anos que deverão ser contempladas com calendário específico a ser definido. Para a rede privada haverá reunião nos próximos dias.
ATIVIDADES ESPORTIVAS
Construir um calendário de retomada gradual e regional que avaliará critérios como tipo de atividade e locais. Tendência é para flexibilizações iniciarem por jogos em ambiente aberto.
LEITOS UTI
Embora agravada pela pandemia os prefeitos entendem que a falta de leitos de UTI é um problema histórico no Estado e sem perspectivas de solução. Sugerem que a Central de Regulação de Leitos do Estado distribua as baixas hospitalares de forma macro para não sobrecarregar uma microrregião. “O RS como um todo está em bandeira laranja, o que pressupõe uma situação mais tranquila no que diz respeito às internações. Esse gerenciamento da distribuição das vagas poderia ajudar a todos, principalmente regiões como as nossa, de população mais numerosa”, avalia.
GOVERNADOR
Envio de documento ao Governo do Estado solicitando audiência com o governador Eduardo Leite e o Gabinete de Crise.
Como a curva de contaminação pelo coronavírus sofreu alterações nas últimas semanas, estando mais estável, entendem imprescindível rediscutir o modelo e os critérios em vigor desde maio.
Um dos pedidos diz respeito às atualizações de bandeiras que, entendem, deveria passar para periodicidade quinzenal e não semanal como ocorre. Também querem sugerir mudanças no fluxo relacionado às atualizações. “O atual modelo ficou inviável. Na sexta o governo anuncia a bandeira, no sábado e domingo ficamos correndo atrás de dados e recursos para na terça termos os retornos dos recursos e só então publicarmos os decretos municipais que muitas vezes passam a valer na quarta ou na quinta. Quando chega a sexta, o governo atualiza novamente a bandeira. Ou seja, quando estamos reunidos para discutir os protocolos de uma bandeira, somos surpreendidos com outra. Não há prefeitos e prefeitas que sobrevivam a essa pressão. Estamos oscilando como os indicadores de um eletrocardiograma”, exemplifica Tânia.
