Montenegro recupera patrimônio histórico e ferroviário em projeto de arquiteta hamburguense

A antiga Casa do Chefe da Estação, que servia de
moradia para quem controlava a chegada e partida dos trens da Estação Férrea de
Montenegro, volta a ter vida

Localizado na parte dos fundos do complexo da Estação da Cultura
(antiga Estação Férrea), o espaço, agora recuperado, simboliza a conclusão do
projeto de restauração do patrimônio e da história de Montenegro.

A restauração
contou com apoio da Braskem via Lei de Incentivo à Cultura. O projeto leva a assinatura da arquiteta hamburguense Hannelore Roeben Tessmer. Especialista neste tipo de trabalho, foi ela também a responsável pela recuperação da antiga Semec 2, em Novo Hamburgo, atual Casa das Artes; e da fachada da agora recuperada casa onde funcionou o Evangelisches Stift e, muito mais tarde, o Lar da Menina, na avenida Maurício Cardoso.

O projeto da restauração da Casa do Chefe da Estação Ferroviária foi aprovado pelo Conselho Estadual da Cultura. O relator do projeto foi Jorge Luís Stocker Júnior. A construtora responsável foi a HP Engenharia e Construções Ltda.

HISTÓRICO

A Estação da Cultura tornou-se
icônica para Montenegro e um dos lugares mais queridos dos moradores.
Inaugurada em 1909 e tombada pelo patrimônio histórico estadual em 1983, a antiga Estação aos poucos recuperou
seus traços originais e transformou-se em referência cultural e ponto de
encontro e lazer. O local passou a ser uma boa opção para a realização de
eventos públicos e privados.

Com recursos da Braskem, o projeto de
restauração foi desenvolvido em quatro etapas e a última contemplou a Casa do
Chefe da Estação, que será inaugurada nesta sexta-feira. O local renasce revigorado – veja foto abaixo de como estava antes – com um salão para cerca de 80 pessoas
e mais salas, que poderão ser utilizadas para diversas atividades.

Na nova Casa do Chefe poderão ocorrer
palestras, reuniões, oficinas e apresentações culturais. Também terá banheiros
externos, que poderão ser utilizados pelos visitantes, inclusive em eventos, o
que era uma das maiores carências do complexo da Estação. Dentro do projeto de
sustentabilidade, foram instaladas 56 placas fotovoltaicas, gerando energia
limpa e uma economia de 98%, tornando todo o complexo da Estação da Cultura
autossuficiente em energia.

A restauração do complexo da Estação da Cultura é
coordenada pela Entidade de Filantropia, Cultura e Arte (Efica), formada por
senhoras da sociedade.

BRASKEM

A Braskem investiu mais de R$ 600 mil
reais no projeto, que foi somado à contrapartida do município. Nas quatro etapas, a empresa investiu cerca
de R$ 3,6 milhões. O gerente de
Relações Institucionais da Braskem no RS, Daniel Fleischer, comemora
a conclusão deste trabalho de resgate histórico das origens de uma cidade que
sempre esteve atenta ao desenvolvimento econômico e social de sua comunidade.
“O que mais nos alegra é ver o quanto os moradores daqui já estavam, até
começar a pandemia, usufruindo do local. Com tudo pronto, a Estação fica ainda
mais bonita e convidativa para desenvolvimento de projetos que também apoiem a
sua sustentabilidade” afirma.

Anteriormente, em 2006 e em 2009, foram
recuperados o prédio principal da Estação Férrea e o antigo prédio dos Correios
e Telégrafos construído por volta de 1928, respectivamente.

Este prédio foi
estruturado de uma forma peculiar, com uso de trilhos de ferro, formando uma
estrutura aparente, posteriormente preenchida com tijolos em cutelo, numa
técnica similar à das antigas casas enxaimel,
técnica de construção trazida da Alemanha, baseada na montagem de
paredes com hastes de madeira encaixadas entre si.

Em 2016, foi a vez da recuperação do
antigo restaurante, datado da década de 1930, que estava em ruínas e foi
transformado no Espaço Braskem. O prédio principal da Estação da Cultura sedia
ainda a Pinacoteca Municipal, além de ter espaço para exposições e outras
atividades culturais. A partir de 2008, a instalação passou a abrigar também o
Museu de Arte de Montenegro.

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