O mês de março, em que é comemorado o Dia Internacional da
Mulher, terminou com críticas à direção da Trensurb por parte de metroviárias
que atuam na empresa pública.
O motivo foi a reintegração de um metroviário denunciado por
assédio sexual, sem concluir a investigação. O caso foi registrado na polícia e
na empresa.
O funcionário se afastou por algumas semanas, enquanto seguia a
investigação interna do suposto crime cometido contra uma colega.
Uma das colegas da vítima se recusou a trabalhar no mesmo
ambiente do agressor, e comunicou sua decisão à chefia. A partir dessa
situação, a metroviária foi realocada para outra estação. A decisão revoltou muitos
colegas e causou uma comoção nas redes sociais, já que consideraram o
ato como uma punição para quem denunciou por parte da chefia
CRÍTICAS
Para as metroviárias, esta reintegração sem o parecer da
Comissão Permanente de Processos Disciplinares (COPED) é uma decisão intolerável.
Integrantes da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em
Empresas de Transportes Metroviários e Conexas do RS (Sindimetrô/RS) criticaram
a decisão da Trensurb. “Estamos indignadas. Isso é humilhante e revoltante”,
declarou a diretora da Secretaria da Mulher do sindicato, Diana Ferreira da
Rosa. “Isso só encoraja os abusadores a repetirem a atrocidade na certeza da
impunidade”, disse a diretora adjunta Flaviani Castro.
INCOERÊNCIA
As integrantes do Sindimetrô/RS apontam falta de coerência
do Trensurb. No dia 22 de março, por exemplo, a empresa divulgou no seu perfil
no Facebook uma campanha com a seguinte chamada: “Quem finge que não vê também
é cúmplice. Abuso sexual é crime, denuncie!” A empresa tem um histórico de fazer campanhas contra o abuso sexual, lembrando que essa prática é criminosa.
Nos comentários da postagem estão críticas ao comportamento
da Trensurb: “Campanha prá bonito. Dentro da empresa passam pano”; “E dentro da
empresa, quando vão começar a exercer esse tipo de campanha???”
As integrantes da Secretaria da Mulher do Sindimetrô/RS são
unânimes: não adianta a empresa pregar contra o assédio nas redes sociais e na
prática fechar os olhos para os crimes dos próprios funcionários. Como o caso ainda está sendo investigado, os nomes não foram divulgados.
POSICIONAMENTO DA TRENSURB
A reportagem do Portal Martin Behrend fez contato com a assessoria da Trensurb. Foi enviado o seguinte esclarecimento.
“O funcionário em questão está respondendo à COPED. Respeitando os prazos dessa Comissão e todo o
Regulamento de Pessoal, ele não pode ficar afastado do trabalho por maior
período que 30 dias, o que geraria ilegalidade. Como o processo ainda não foi
concluído ele retornou ao posto de
trabalho. O procedimento administrativo impõe também a defesa do funcionário e,
até o final de qualquer que seja o processo (e o tema), o empregado não poderá
sofrer uma sanção (qual seja, desde um ajustamento de conduta e/ou penalidades
como advertência, suspensão, demissão).”
VAGÃO PARA MULHERES
Em fevereiro deste ano, a deputada estadual Luciana Genro (PSOL) fez um pedido à direção da Trensurb: viabilizar um vagão somente para mulheres em razão dos casos recorrentes de abuso sexual.
Um dos mais recentes envolve um passageiro que ejaculou numa outra passageira.
