A instabilidade segue rondando o Hospital Lauro Reus, de Campo Bom. E os salários de servidores seguem em atraso.
Nesta segunda-feira (8), o Portal Martin Behrend comunicou a restrição de atendimentos em razão do atraso no pagamento dos salários. Inconformados com a situação – que repete 2018 – os servidores decidiram priorizar urgência e emergência.
Foram reuniões e muitas tentativas de normalizar a situação. A atual gestora, InovaRS, está completando seis meses de contrato emergencial. É sua última semana. Já no domingo, começa a gestão do hospital, também em contrato emergencial, a Multiclínica.
Tem um jogo de empurra envolvendo InovaRS e Prefeitura de Campo Bom.
Confira a matéria publicada nesta segunda-feira: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/6104/titulo/salarios-atrasados-e-protesto-de-servidores-no-hospital-lauro-reus-em-campo-bom
Nesta terça-feira, a Prefeitura de Campo Bom e o corpo clínico do Hospital Lauro Reus – mais de 30 integrantes – divulgaram notas. Também circularam informações envolvendo a demissão da secretária municipal da Saúde, Suzana Ambros Pereira.
O Portal Martin Behrend publica os dois textos na íntegra:
PREFEITURA DE CAMPO BOM
“A
Administração Municipal de Campo Bom, vem por meio de Nota Oficial
esclarecer aspectos importantes com relação a situação do Hospital Lauro
Reus
Prezando
sempre pela viabilização da assistência hospitalar para a comunidade,
embasado nos princípios da legalidade e da transparência em seus atos, o
Município de Campo Bom vem a público reiterar que sempre cumpriu
fielmente suas obrigações contratuais, pagando estritamente em dia por
todos os serviços prestados e devidamente comprovados pelo INOVA.
A
Prefeitura de Campo Bom esclarece que o Município totalizou um repasse,
na última semana, de R$ 1.186.740,95, entre R$ 715.533,26 de recursos
do Município e mais R$ 471.207,69 de adiantamento por aporte do
Município referente a recursos do Estado e da União, com o intuito de
que o INOVA pudesse honrar, dentro dos prazos estabelecidos, seus
compromissos com os profissionais prestadores de serviço no hospital
(médicos e funcionários), bem como fornecedores.
O
Município destaca que recebeu do INOVA pedidos de revisão de
procedimentos e de produção, sempre sendo transparente em relação aos
processos de validação dos serviços prestados e que, tudo que estiver
dentro da legalidade, será repassado.
A
Prefeitura reforça e reafirma que todos os pagamentos devidamente
comprovados pela instituição estão sendo efetuados pelo município de
forma integral e nos prazos estabelecidos. Sendo assim, faça-se saber
que todo o pagamento dos profissionais e fornecedores é uma
responsabilidade do INOVA.
A
Administração Municipal reitera seu compromisso com a causa, bem como o
respeito para com todos os colaboradores do Hospital Lauro Reus,
estando a disposição de todos os profissionais para um diálogo aberto,
sobretudo na busca de soluções viáveis sob o ponto de vista legal para
toda e qualquer dificuldade.
Estamos
também acompanhando a situação quanto ao atendimento prestado no
hospital, para que a comunidade não fique desassistida durante a
transição para a nova gestora, que deve ocorrer até o domingo, 14 de
abril.”
CORPO CLÍNICO DO HOSPITAL LAURO REUS – MAIS DE 30 INTEGRANTES
“O Corpo Clínico do Hospital Lauro Reus, vem a público
manifestar seu repúdio sobre a maneira com que a saúde de Campo Bom está sendo
conduzida.
Importante salientar que a empresa Hospital São Roque,
detentora da gestão do Hospital Lauro Reus, até o dia 14/10/2018 saiu do
município com 3 meses e meio de dívidas para com os profissionais médicos
terceirizados que prestam serviços há anos nessa instituição.
Em conversas com a secretária da saúde Dra Suzana e subsecretária Sra Simone, recebemos a
informação de que nada poderia ser feito pois segundo as mesmas, a dívida era
da empresa terceirizada com os médicos e não diretamente da prefeitura. Mas
afinal, quem contratou a empresa terceirizada? Fomos nós médicos? Ou a prefeitura
de Campo Bom? A empresa São Roque deixou uma dívida com os médicos do Hospital
Lauro Reus de mais de um milhão de reais e o acerto infelizmente terá de ser
feito nas vias judiciais visto que não houve acordo.
No dia 15/10/2018 assumiu via licitação com a prefeitura em
caráter emergencial de 3 meses a Empresa Inova com sede em Porto Alegre que até
o momento, mantém em dia seus pagamentos com o corpo clínico e funcionários. No
dia 22/02/2019 a subsecretária da saúde, Sra. Simone Zucolloto redigiu uma carta a população de Campo Bom em
nome da Secretária da saúde Dra. Suzana, informando que teria de modificar a empresa prestadora de
serviço alegando“dificuldades no processo de gestão administrativa e financeira
do INOVA que vem interferindo na segurança e continuidade dos serviços
assistenciais”, alegação esta que a mesma nunca conseguiu explicar, visto que a
assistência estava sendo prestada e nunca questionada pela direção técnica da
instituição e muito menos pelo corpo clínico do hospital.
É importante que a população entenda, que a troca de gestão
ocorreu pura e simplesmente por decisão unilateral da Secretaria municipal da
Saúde do município de Campo Bom.
No dia 20/03/2019 aconteceu uma reunião com o prefeito municipal,
procurador do município, sub-secretaria da Saúde Simone Zucolotto, gestão da
empresa Inova e, em conjunto com o corpo clínico, decidiu-se que a empresa
Inova iria repassar os valores de honorários referente ao mês de março de 2019
no dia 06/04/2019, sexta feira passada. Acontece que novamente os acordos
palavreados não foram cumpridos e o corpo clínico novamente não teve os
honorários de seu serviço repassados.
A pergunta é? Até quando a Secretária da Saúde irá zombar dos médicos, funcionários e da
população? Até quando a prefeitura e a
Dra Suzana secretária da saúde irão brincar de fazer saúde nessa cidade?. Esse
novo contrato com a multiclínica novamente será de 3 meses com renovação por
mais 3. Será que a cada 3 meses haverá novo calote aos médicos? Onde está a
responsabilidade com o erário público se a cada 3 meses a prefeitura se
responsabiliza pelos honorários de demissão e readmissão de funcionários? Quanto
do dinheiro do cidadão está sendo rasgado por troca a cada 3 meses de gestão?.
São perguntas que o corpo clínico desse hospital gostaria de ter respondidas e
acredito que são questões que a
população também gostaria que fossem respondidas.
Por quê a Multiclínica? Qual a experiência da Multiclínica em gestão hospitalar? Quais
hospitais a multiclínica já fez gestão? Qual a situação financeira dessa
empresa que irá assumir um orçamento de 4 milhões e meio em 3 meses? Queremos
saber Sra. Secretária Dra Suzana Ambros Pereira.”
